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Legado tecnológico ainda é dúvida

Doação de equipamentos depende de projeto social da Prefeitura do Rio


Centro de Operações Rio (COR)
Centro de Operações Rio é o bunker tecnológico dos Jogos Olímpicos 2016

Cerca de 20% do orçamento de R$ 7,4 bilhões reservados aos Jogos Olímpicos Rio 2016 foram destinados à montagem da infraestrutura tecnológica. Foram R$ 1,5 bilhão de investimentos em tecnologia, numa parafernália que está sendo considerada a melhor de todos os tempos. A Embratel instalou 370 km de fibras ópticas para a construção do Backbone Olímpico, a Cisco está trazendo 77 toneladas de equipamentos, enquanto que todas as operadoras móveis reforçaram suas redes, mesmo sendo a Claro a operadora oficial.

Só a Embratel colocou 370 km de fibras ópticas e isso é legado: você passa a ter uma cidade mais preparada para receber empresas e eventos para fomentar negócios. Não é um legado público, é privado, mas que favorece os serviços aos clientes.

Elly Resende
Diretor de tecnologia da Rio 2016

Os Jogos Rio 2016 serão o primeiro evento de grande porte global com predomínio das redes 4G, da transmissão de vídeo em tempo real, das transmissões de imagens em 4k, do uso massivo das redes sociais e das mensagens instantâneas de aplicativos como o WhatsApp. Em Londres, em 2012, essas tecnologias eram incipientes e predominou o tráfego em redes 3G; enquanto que em Pequim, em 2008, a própria 3G era incipiente e o predomínio foi de tráfego de voz em 2G e mensagens de texto.  Para se ter uma ideia, em Londres foram 1500 rádios WiFi; no Rio são 5,7 mil, pois a expectativa é de que 20% do tráfego curse por redes WiFi.

Mas é possível que o Wifi não esteja disponível a todos os usuários dentro das arenas. A Claro informa que haverá WiFi grátis e ilimitado, exclusivo para a família olímpica, para clientes NET e Claro.  Em alguns pontos de convivência, fora das arenas, nas chamadas áreas comuns e no Live Site do parque da Barra, em Deodoro e no Rio Centro, será oferecido Wi Fi  público gratuito e ilimitado. Dentro das Arenas haverá off-load para clientes de outras operadoras caso haja acordo comercial entre as operadoras fechado até a data.

Legado privado

Desde o dia 5 de julho, o bunker de tecnologia do Comitê Rio 2016, na Praça XI, já está trabalhando das 8h às 22hs preparando-se para atuar em regime de 24 x 7 no dia 25. Isso porque o Centro Principal de Media (MPC – Main Press Center) já está operacional, recebendo jornalistas do mundo inteiro, assim como o International Broadcast Center (IBC), que está recebendo as emissoras detentoras de direitos de transmissão como a NBC, já em montagem de seus estúdios. O MPC e o IBC são as duas instalações mais críticas dos jogos, de onde os sinais, notícias, fotos e vídeos partem para o mundo inteiro para atingir uma audiência de 4 bilhões de espectadores.

Há controvérsias sobre quanto desse monumental aparato tecnológico ficará como legado olímpico, levando-se em conta que a maior parte dos investimentos são em redes privadas que, após os jogos, passarão a ser utilizadas nas operações comerciais das empresas fornecedoras.

“Só a Embratel colocou 370 km de fibras ópticas e isso é legado: você passa a ter uma cidade mais preparada para receber empresas e eventos para fomentar negócios. Não é um legado público, é privado, mas que favorece os serviços aos clientes”, defende Elly Resende, diretor de tecnologia da Rio 2016.

A Embratel e a Claro disponibilizarão para os Jogos dois data centers para hospedar os mil servidores e dados do Comité Rio 2016; 60 mil pontos acesso à internet em mais de 100 venues (locais de competição e não competição); 97 novas antenas de telefonia móvel e 20 mil linhas celulares 3G e 4G; 10 mil linhas fixas; 12 mil pontos de TV por assinatura da Net; 8 mil pontos de acesso WiFi e transmissão em alta definição para o IBC.

Todos os 12 fornecedores atuam de forma integrada no Centro de Operações de Tecnologia (TOC), gerido pela Atos, fornecedora responsável pelos processos operacionais. O TOC conta com 200 posições de trabalho operando 24 x 7 a partir do dia 25 com especialistas de várias partes do mundo e divido por células de especialização como segurança da informação, telefonia fixa, telefonia móvel, backbone olímpico.

Segurança cibernética

Resende, da Rio 2016, explica que o TOC entra em ação quando há algum nível de incidente de severidade mais alta. O que não se consegue resolver no local de instalação é remetido para o centro, onde especialistas prestam o suporte de segundo e terceiro níveis. “Um ambiente semelhante está instalado em outro local não revelado da cidade, não exatamente espelhando o site principal, mas em condições de assumir as funções mais críticas”, observa Resende.

Ele explica que a segurança cibernética será controlada em parceria com o Comando de Defesa Cibernética, coordenado pelas Forças Armadas e em cooperação com outros países. A ideia é trabalhar em conjunto e estar preparado para agir em caso de ataques, por meio dos órgãos de inteligência do governo brasileiro como a ABIN e o Centro de Defesa Cibernética.

Se não aparecer um projeto e os recursos necessários para transformar os equipamentos numa solução para uma escola ou um hospital, pode, sim não haver legado. Mas há o legado das Naves do Conhecimento e a inovação urbana no Porto Maravilha

Rodrigo Uchoa
coordenador do projeto Rio 2016

Mas o grande legado olímpico na área de tecnologia poderia ser a doação dos 15 mil equipamentos fornecidos pela Cisco para os Jogos Rio 2016, caso a prefeitura apresentasse um projeto de cunho social, nas áreas de saúde e educação, e com sustentabilidade econômica, o que até o momento não ocorreu. Rodrigo Uchoa, coordenador do projeto Rio 2016 na Cisco, explica que os equipamentos foram importados pelo Regime de Suspensão Temporária de Impostos, de acordo com a Lei 12.780, e estão alugados até 31 de dezembro de 2016 ao Comitê Olímpico. Depois disso, a empresa tem a opção de mandar tudo de volta para os EUA, doar os equipamentos ou pagar os impostos e comercializá-los no Brasil. O prazo dado pela Receita Federal para suspensão de impostos se encerra em 30 de junho de 2018. Serão dois anos que a empresa e a prefeitura terão para identificar um projeto. Caso sejam de fato doados, a suspensão temporária de impostos transforma-se em isenção permanente.

“Existe total intenção da Cisco em doar os equipamentos, desde que seja algo que beneficie o cidadão com um projeto claro, com prazos definidos, com continuidade e foco na sociedade. Há um trabalho conjunto sendo feito. Ideias existem várias, os equipamentos para atender às dez, 12 ideias não são nem suficientes, mas é preciso ver quais os projetos que vão de fato impactar a sociedade e não ficar numa prateleira”, esclarece Laércio Albuquerque, presidente da Cisco.

“Se não aparecer um projeto e os recursos necessários para transformar os equipamentos numa solução para uma escola ou um hospital, pode, sim não haver legado. Mas há o legado das Naves do Conhecimento e a inovação urbana no Porto Maravilha”, acrescenta Uchoa.

No Porto Maravilha e na Praça Mauá, a Cisco doou uma rede WiFi conectando uma área de 100 mil metros quadrados, e com recursos de cidade inteligente por meio de 15 inovações urbanas junto com startups selecionadas em concurso. Entre as soluções de Internet das Coisas (IoT) está a da NetSensors, que instalou sensores volumétricos em 28 bueiros da Praça Mauá e do Porto Maravilha. E dois sistemas de vigilância da Áudio Alerta detectam sons incomuns com tiros, batidas e gritos. Tanto a NetSensors quanto a Áudio Alerta estão conectadas ao Centro de Comando e Controle do Porto Maravilha, já que este é um bairro de operação privada a cargo da concessionária Porto Novo.

Há ainda 21 km de rotas sinalizadas nos quiosques interativos instalados na Praça Mauá mapeados pelo aplicativo Livit para pessoas com mobilidade reduzida. Quiosques interativos de atendimento aos turistas por uma central de remota da Riotur foram instalados na Praça Mauá, na Rodoviária Novo Rio, no Aeroporto Santos Dumont e no MPC.


Escrito por Carmen Nery

Formada em jornalismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro com pós-graduação em Comunicação Corporativa pela Cândido Mendes e MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC. Especializada na cobertura dos segmentos de tecnologia da informação, telecomunicações e inovação. Jornalista free lancer atualmente cobre diversos setores econômicos como infraestrutura, energia, portos e navios, mineração, siderurgia, construção, finanças e seguros.

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