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Universidade tira sua energia do sol

Maior geradora de energia limpa de seu estado, Universidade Federal de Sergipe reduz gastos com uso de sistemas fotovoltaicos


Painéis fotovoltaicos para recolher energia solar instalados no ambulatório do Hospital Universitário da UFS em Aracaju: energia limpa e redução de gastos (Foto: Divulgação)
Painéis fotovoltaicos para recolher energia solar instalados no ambulatório do Hospital Universitário da UFS em Aracaju: energia limpa e redução de gastos (Foto: Divulgação)

A Universidade Federal de Sergipe (UFS) é a maior geradora de energia limpa de seu estado, graças a uma política de eficiência energética que começou a ser desenhada em 2006. Atualmente, estão em funcionamento sistemas fotovoltaicos em quatro unidades dos campi da instituição, o que significa a geração de 26.580 kWh/mês, suficientes para fornecer energia elétrica a 140 residências. Esses kilowatts representam a economia mensal de R$ 47,5 mil, 8% do consumo total da instituição. Faça chuva ou faça sol.

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Idealizador da Comissão Interna de Conservação de Energia (Cice) e professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFS, Milthon Serna Silva contou que a implantação dos sistemas fotovoltaicos começou em 2014, com a elaboração dos  projetos base. Foi, e é, um trabalho conjunto da Cice com o Laboratório de Eficiência Energética e Energias Renováveis, que integra o Departamento de Engenharia Elétrica. Em anos anteriores, desenvolveram os projetos da Subestação Elétrica de 69kV, que entrou em funcionamento em 2017, e dos sistemas de eficiência energética da universidade, que já haviam resultado em redução de consumo e economia.

Os sistemas fotovoltaicos estão instalados no Departamento de Engenharia Elétrica – o primeiro a ter o projeto viabilizado, em 2017, na Biblioteca Central, na Didática V, situados no campus São Cristóvão, e no Ambulatório do Hospital Universitário, no campus Aracaju – cuja instalação foi realizada em maio. A UFC tem campus em seis municípios. O projeto do ambulatório foi financiado por meio da Energisa, concessionária de energia de Sergipe. Todos os consultórios e as salas da unidade hospitalar se tornaram auto-sustentáveis.De acordo com o professor, a energia mensal gerada para o ambulatório é de cerca de 4.350 kWh/mês, suficientes para fornecer energia elétrica a 23 residências.

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Nessas quatro unidades, estão instaladas 604 placas para captação de energia solar de 320-330 Watt-pico (Wp). E esse número vai aumentar.  Está em fase de licitação a instalação do sistema fotovoltaico no Centro de Simulações do Campus de Lagarto. Seu projeto base já foi aprovado pela Energisa. Mas o plano mais ambicioso é a instalação de uma usina de energia fotovoltaica no Campus do Sertão, em Nossa Senhora da Glória.

De acordo com Milthon Serna Silva, a usina será o maior equipamento desse tipo a ser instalado em instituições públicas do Nordeste do Brasil. O projeto base já foi finalizado e está na fase de captação de recursos para sua execução.  “A expectativa é que as obras de instalação da Usina Fotovoltaica de Glória comecem em 2020.  Sua execução está prevista para durar seis meses”, informou.  Serão 3.200 placas para captação de energia solar. A energia gerada vai proporcionar uma economia de 40% na conta geral da UFS.

“A ideia é fazer da UFS uma instituição auto-sustentável com utilização de diversas fontes dentro de sua matriz energética, sendo uma delas a energia fotovoltaica. Paralelamente à instalação desses sistemas também se está trabalhando no desenvolvimento de uma Usina Térmica a Gás Natural”, acrescentou o professor, que também integra o Laboratório de Eficiência Energética e Energias Renováveis.

Desenvolvimento profissional

Cada projeto teve fontes diferentes de financiamento – próprio ou parceria com outra instituição -, e todos foram executados por meio de licitação pública. Segundo Serna Silva, o investimento médio de cada projeto foi de R$ 180 mil. Os cortes na verba das universidades anunciados pelo governo federal são, para ele, um fator preocupante, uma vez que estão em processo de licitação diversos projetos, a exemplo da instalação do sistema fotovoltaico no Centro de Simulações do Campus Lagarto.

Além de reduzir gastos e gerar menos impactos ambientais, por meio do consumo de energia limpa e renovável, os projetos relacionados à eficiência energética têm enorme impacto acadêmico e para a vida profissional dos estudantes de engenharia da Universidade Federal de Sergipe.  O Laboratório de Eficiência Energética e Energias Renováveis, grupo de pesquisa que colabora e participa do desenvolvimento de todos os projetos, é integrado por 35 pessoas, entre professores, alunos de graduação e pós-graduação, profissionais que já foram alunos da UFC e funcionários técnico-administrativos.

Biblioteca da UFS com sistema fotovoltaico: projeto de pesquisa do Laboratório de Eficiência Energética e Energias Renováveis (Foto: Divulgação)
Biblioteca da UFS com sistema fotovoltaico: projeto de pesquisa do Laboratório de Eficiência Energética e Energias Renováveis (Foto: Divulgação)

O universitários participam de forma direta em todas as etapas, desde o levantamento de dados até o começo da operação plena de cada um dos sistemas, o que contribui para a sua capacitação profissional. “Muitos de nossos alunos são atualmente proprietários ou funcionários da maioria das empresas que executam projetos de sistemas fotovoltaicos no estado de Sergipe, e alguns trabalham em outros estados”, afirmou o professor.

Para Serna Silva, universidade pública tem um papel fundamental no desenvolvimento da sociedade: “É dentro dela que se realiza o tripé (ensino, pesquisa e extensão) que serve de modelo na implantação de projetos e sistemas, como o fotovoltaico, que beneficiam a todos. É através da educação fornecida por ela que o aluno consegue mudar de vida e ser um elemento produtivo para a sociedade”.

Como funciona

A autorização da Energisa de acesso à rede necessária para a instalação do sistema fotovoltaico no Departamento de Energia Elétrica levou cerca de um ano. O professor explica que naquela época a concessionária não conhecia bem o sistema. Atualmente, o tempo para autorização em Sergipe é de cerca de 15 dias.

De acordo com o Atlas de Energia Elétrica do Brasil, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a conversão direta da energia solar em energia elétrica ocorre pelos efeitos da radiação (calor e luz) sobre determinados materiais, particularmente os semicondutores. Entre esses, destacam-se os efeitos termoelétrico e fotovoltaico. O primeiro caracteriza-se pelo surgimento de uma diferença de potencial, provocada pela junção de dois metais, em condições específicas. No segundo, os fótons contidos na luz solar são convertidos em energia elétrica, por meio do uso de células solares.

Entre os vários processos de aproveitamento da energia solar, ainda segundo a publicação da Aneel, os mais usados atualmente são o aquecimento de água e a geração fotovoltaica de energia elétrica. No Brasil, o primeiro é mais encontrado nas regiões Sul e Sudeste, devido a características climáticas, e o segundo, nas regiões Norte e Nordeste, em comunidades isoladas da rede de energia elétrica, conforme as informações do Atlas. Para o professor Serna Silva, a geração de energia através da luz solar em Sergipe é ainda incipiente. Mas a UFS está procurando seu lugar ao sol para mudar essa realidade.

42/100 A série #100diasdebalbúrdiafederal pretende mostrar, durante esse período, a importância  das instituições federais e de sua produção acadêmica para o desenvolvimento do Brasil


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