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Energia: consumo está mais eficiente

Ganhos, no entanto, não são suficientes para evitar o aquecimento global


Com o que foi feito desde 1990 e o que será feito até 2030, a eficiência tem o potencial de manter 1 bilhão de toneladas de CO2 fora da atmosfera. Foto de Aziz Ary Neto/Image Source
Com o que foi feito desde 1990 e o que será feito até 2030, a eficiência tem o potencial de manter 1 bilhão de toneladas de CO2 fora da atmosfera. Foto de Aziz Ary Neto/Image Source

A queda na intensidade do uso de energia se acelerou nos últimos anos. Mas isto pode ainda não ser suficiente para limitar o aumento global de temperatura a 2ºC, de acordo com novo relatório da Agência Internacional de Energia (AIE). Este é o patamar considerado minimamente seguro pelos cientistas.

De 2003 a 2013, cada ano teve uma queda na intensidade de cerca de 0.6%. O declínio saltou para 1.5% em 2015. Mas a AIE estima que este índice precisa cair 2.6% ao ano para que se alcancem as metas ditadas pelo acordo do clima de Paris para 2030.

“Alguns países têm sol ou vento, outros, petróleo, mas todos possuem recursos para a eficiência”, disse Brian Motherway, chefe de eficiência energética da AIE.

Nem tanto. Os investimentos para a diminuição do uso da eletricidade chegaram a U$ 220 bilhões em 2015, mas o número tem de ser muito maior. No ano passado, a queda na intensidade foi três vezes superior à registrada em 2013. A intensidade é medida pelo consumo de energia por unidade do PIB.

De 2003 a 2013, cada ano teve uma queda na intensidade de cerca de 0.6%. O declínio saltou para 1.5% em 2015. Mas a AIE estima que este índice precisa cair 2.6% ao ano para que se alcancem as metas ditadas pelo acordo do clima de Paris para 2030. Apesar de todos os ganhos, 70% do uso mundial de energia ocorrem fora dos padrões de exigência.

Entre 2000 e 2015, países da IEA, incluindo os Estados Unidos e a maior parte da Europa, aumentaram a eficiência em um volume equivalente a 450 milhões de toneladas de petróleo, o bastante para alimentar o Japão durante um ano. No geral, ela representou uma economia de US$ 490 por pessoa, ou um acumulado de US$ 4 trilhões.

A China melhorou seu índice em 30% nos últimos 15 anos, uma economia igual a toda a sua geração de energia renovável. A taxa foi de 3% na última década mas subiu para 5.6% em 2015, ritmo que terá de ser mantido para as metas de Paris. O avanço se deu por conta de políticas estabelecidas pela primeira vez em seu plano quinquenal de 2006. E deverá continuar pela mudança constante da economia baseada na indústria pesada para uma economia de serviços.

Tudo isso se dá em um cenário de crescimento econômico, elevação de populações e aumento da utilização de veículos. Se os níveis de eficiência não tivessem melhorado, a demanda nos países da AIE teria sido 12% maior, ultrapassando o pico de 2007.

Os investimentos compreenderam 14% dos US$ 1.6 trilhões gastos globalmente com o fornecimento de energia no ano passado. Eles foram dois terços maiores que o investimento na geração de energia convencional.

O consumo de energia para iluminação é um exemplo de sucesso da aplicação de políticas. Padrões obrigatórios cobrem hoje 60% do consumo no mundo. Outros padrões cobrem mais de metade do consumo de veículos de carga leves, e no caso de aquecimento e utilidades domésticas a eficiência dobrou. No entanto, há muito a ser feito ainda nos processos industriais e na agricultura.

No ano passado, os padrões de economia de carros e caminhões economizaram 2.3 milhões de barris de petróleo por dia. Isto é 2.5% da demanda global. Estes padrões cobrem hoje 74% das vendas de automóveis mundialmente. Isto poderia ter chegado a 4.3 milhões de barris por dia em 2015, igual à produção do Canadá, a quarta maior do mundo.

Podemos economizar 1.000 terawatts/hora de eletricidade até 2030. Com o que foi feito desde 1990 e o que será feito até aquele ano, a eficiência tem o potencial de manter 1 bilhão de toneladas de poluição de carbono fora da atmosfera e evitar a necessidade de 800 usinas de energia convencional.

Um outro estudo recente, do Natural Resources Defence Council, que faz um trabalho conjunto com a ACEE (Comitê Consultivo de Eficiência Energética), examina o quadro dos Estados Unidos. A economia do país triplicou sua produção nos últimos 40 anos, enquanto que seu uso de energia cresceu em apenas um terço. O relatório mostra alguns dados interessantes sobre as aplicações de políticas desde 1990.

As economias produzidas em 2015 equivaleram ao necessário para alimentar Canadá e México combinados. Consumidores economizaram U$ 90 bilhões por ano, ou um total de quase US$ 490 bilhões desde 1990. A poluição de carbono foi reduzida em 490 milhões de toneladas em 2015, e impediu-se que fossem construídas mais 313 grandes usinas de energia convencional.

Os benefícios para saúde, economia e ambiente são impressionantes, mas há o potencial de a eficiência se tornar o maior recurso de eletricidade em 2030, chegando a 33%, comparados aos 18% de 2014.


Escrito por José Eduardo Mendonça

É jornalista, com passagens por publicações como Exame, Gazeta Mercantil, Folha de São Paulo, e criador da revista Bizz e do suplemento Folha Informática. Vem nos últimos anos se dedicando aos temas ligados à sustentabilidade e foi pioneiro ao fazer, para o Jornal da Tarde, em 1976, uma série de matérias sobre energia limpa.

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