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Saneamento: Rio vendeu a Cedae mas continua com 4 cidades entre as 20 piores do país


Estado tem o maior número de cidades, todas da Região Metropolitana da capital, entre as 20 piores do novo Ranking do Saneamento do Instituto Trata Brasil


Em 2021, após o Governo do Estado do Rio de Janeiro vender parte da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro), o governador Cláudio Castro anunciou que R$ 330 milhões – dos mais de R$ 14 bilhões arrecadados – seriam investidos em saneamento. Na época, o ranking do saneamento colocava quatro cidades da Região Metropolitana do Rio – São João de Meriti, Belford Roxo, Duque de Caxias e São Gonçalo – entre as 20 piores do país em esgotamento sanitário.
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Cinco anos depois do governo fluminense privatizar parte dos serviços da Cedae, a 18ª edição do Ranking do Saneamento com foco nos 100 municípios mais populosos do Brasil, organizada pelo Instituto Trata Brasil, mostra os mesmíssimos quatro municípios do estado entre os 20 piores. São João de Meriti, Belford Roxo, Duque de Caxias e São Gonçalo são as únicas grandes cidades da Região Sudeste nesta triste lista: há sete municípios da Região Norte, seis do Nordeste, um do Centro-Oeste e outro da Região Sul.
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Veja o que já enviamosO Rio de Janeiro e o Pará lideram o ranking negativo com quatro cidades entre as 10 piores. Por uma coincidência, o Ranking do Saneamento 2026 – elaborado a partir dos indicadores mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), ano-base 2024 – foi divulgado nesta quarta-feira (18/03), às vésperas da retomada do julgamento de Claudio Castro por abuso de poder econômico nas eleições de 2022. Não por acaso, o governador, que conseguiu a reeleição, é acusado de desviar recursos originários da venda da Cedae na contratação de milhares de pessoas às vésperas do pleito, em esquema revelado por reportagens do UOL.
Os resultados indicam que a venda de serviços da Cedae – coleta e tratamento de esgoto e distribuição de água – não foi ainda capaz de mudar a crise crônica de saneamento na Região Metropolitana. Desde 2014, São Gonçalo, Duque de Caxias, São João de Meriti e Belford Roxo se mantiveram firmes entre os vinte piores índices de saneamento básico do Brasil, de acordo com o ranking anual do Trata Brasil. Neste ranking negativo das 20 piores, as cidades fluminenses têm a companhia nada ilustre de sete capitais: Maceió (AL), Manaus (AM), São Luís (MA), Belém (PA), Rio Branco (AC), Macapá (AP) e Porto Velho (RO).
Falta de investimentos em saneamento
O Ranking do Saneamento é composto pela análise de três dimensões do saneamento básico em cada município: “Nível de Atendimento”, “Melhoria do Atendimento” e “Nível de Eficiência”. De Instituto Trata Brasil (ITB), os dados do Sinisa apontam que cerca de 90 milhões (43,3% da população) de brasileiros não possuem coleta de esgoto e a falta de acesso à água potável ainda impacta mais de 30 milhões de pessoas no país, o que tem como consequência graves problemas de saúde, falta de produtividade no trabalho, desvalorização imobiliária, perdas relacionadas ao turismo e queda na qualidade de vida da população, com impactos no desenvolvimento socioeconômico.
No Ranking do Saneamento 2026, realizado em parceria com GO Associados, o ITB destaca que mais da metade dos 100 maiores municípios investe menos de R$ 100 por habitante em saneamento, muito abaixo do necessário para universalização até 2033, conforme estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento Básico.
O levantamento aponta ainda que, enquanto os 20 melhores municípios contam com 98,08% de coleta de esgoto, os 20 piores possuem apenas 28,06%, uma diferença de 70,02 pontos percentuais. No tratamento de esgoto, os 20 melhores registram 77,97%, enquanto os 20 piores alcançam apenas 28,36%, uma diferença de 49,61 pontos percentuais. “Os resultados desta edição do Ranking mostram que, apesar dos avanços registrados em diversos municípios no acesso à água potável e à coleta de esgoto, o tratamento do esgoto ainda é o aspecto mais distante da universalização no país e segue como o principal desafio a ser enfrentado”, afirmou Luana Siewert Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, ao divulgar o ranking.
O ITB acrescenta, pela análise dos dados, que é possível observar uma relação direta entre o volume de investimentos e os avanços nos indicadores de saneamento básico, destacando como indicador relevante o Investimento Médio por Habitante, que permite comparar os grupos dos 20 melhores e dos 20 piores a partir da distância relativa de seus níveis de investimento em relação ao valor estabelecido pelo PLANSAB como referência para a universalização do saneamento nos municípios, de R$ 225 por habitante. “Os 20 municípios com pior desempenho apresentaram investimento anual médio de R$ 77,58 por habitante no mesmo período, cerca de 66% abaixo do patamar nacional médio. Diante de indicadores ainda muito distantes da universalização, esse baixo volume de investimentos dificulta significativamente o alcance das metas legais dentro do prazo”, aponta o Ranking do Saneamento.
O levantamento do ITB indica ainda que, enquanto os 20 melhores municípios contam com 98,08% de coleta de esgoto, os 20 piores possuem apenas 28,06%, uma diferença de 70,02 pontos percentuais. No tratamento de esgoto, os 20 melhores registram 77,97%, enquanto os 20 piores alcançam apenas 28,36%, uma diferença de 49,61 pontos percentuais. “Em um ano eleitoral, é fundamental que o saneamento ganhe centralidade no debate público e integre de forma prioritária as agendas dos futuros governantes em todo o país”, lembra Luana Pretto.
Para voltar ao Rio de Janeiro, onde o grande eleitorado das quatro cidades entre as 20 piores do ranking do saneamento atiça a ambição eleitoral de seus políticos, cabe lembrar as posições desses municípios no ranking: São João de Meriti ficou em 87º lugar, São Gonçalo em 88º e Duque de Caxias em 89º. A lanterna do saneamento entre as grandes cidades do Rio ficou com Belford Roxo – onde o prefeito quer ser candidato ao Senado e o ex-prefeito lançou a pré-candidatura a governador – com o 95º lugar entre as 100 municípios mais populosos do país.
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Oscar Valporto
Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Voltou ao Rio, em 2016, após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. Contribui com o #Colabora desde sua fundação e, desde 2019, é um dos editores do site onde também pública as crônicas #RioéRua, sobre suas andanças pela cidade







































