ODS 1
Mulheres saem às ruas para protestar contra a violência de gênero neste 8 de março


Mais de 30 cidades em todo o país tiveram manifestações contra abusos e misoginia e também defendiam o fim da escala 6x1


Mulheres de todo o Brasil foram às ruas neste domingo (08/03) em protestos pelo Dia Internacional da Mulher. Manifestantes ocuparam locais tradicionais como Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro, a Avenida Paulista, em São Paulo, e a na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Em Brasília, dezenas de mulheres seguiram em passeata do prédio Funarte ao Palácio do Buriti. Mais de 30 cidades tiveram manifestações em homenagem ao Dia Internacional da Mulher e contra a violência de gênero.
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No Rio de Janeiro, o Dia Internacional das Mulheres foi marcado por uma marcha na Praia de Copacabana. Milhares de mulheres protestaram contra o feminicídio e as diversas formas de violência de gênero. Elas também exigiram mais orçamento para as políticas públicas voltadas à igualdade. À frente da marcha, um grupo de pernaltas carregava uma faixa com a frase: “Juntas somos gigantes”. As artistas fizeram uma performance deitando no chão de olhos fechados, para lembrar as mulheres mortas nos crimes de violência de gênero. Depois se levantaram e se posicionaram em círculo gritando as palavras de ordem: “Todas vivas!”
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Veja o que já enviamosNo carro de som, diversas representantes de coletivos feministas se revezaram na leitura do manifesto do movimento. As reivindicações abordavam áreas diversas, como a criminalização dos grupos que promovem o ódio às mulheres, o aumento das licenças-maternidade e paternidade, a criação de linhas de crédito para mulheres empreendedoras e de espaços educacionais inclusivos para crianças com deficiência ou neurodivergentes. Outra demanda bastante lembrada foi o fim da escala 6×1 de trabalho.
Mas a tônica principal do protesto foi o fim da violência de gênero. Muitas participantes lembraram de casos recentes como a morte de Tainara Souza Santos, atropelada por um ex-companheiro, e o estupro coletivo cometido contra uma adolescente, ocorrido na mesma Copacabana onde o ato ocorria.
Em São Paulo, apesar da forte chuva , milhares de mulheres se reuniram na Avenida Paulista para o ato marcando o Dia Internacional da Mulher. Na capital paulista, elas saíram em caminhada da Avenida Paulista até a Praça Roosevelt, segurando sombrinhas e muitas faixas que pediam pelo fim da violência contra as mulheres no país. O ato ocorreu simultaneamente em várias cidades brasileiras.
Durante o ato na Avenida Paulista, as mulheres também fizeram algumas intervenções independentes. Em uma delas, posicionaram diversos sapatos femininos pela avenida, representando vítimas de feminicídio do país. Só no estado de São Paulo, foram mortas 270 mulheres em 2025, alta de 96,4% na comparação com 2021.
Coordenadora do Levante Mulheres Vivas, Alice Ferreira destacou que o ato pretende reforçar a importância da aprovação de um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que pretende tipificar a misoginia, que é conduta de ódio contra as mulheres, como crime. “Enquanto o discurso feminista é boicotado pelas big techs, o discurso red pill [movimento de homens que usam a internet para promover discursos misóginos] é impulsionado. Então, criminalizar é o primeiro passo para começarmos a reverter essa lógica”, disse Alice Ferreira à Agência Brasil.


Protestos de mulheres pelo Brasil
Os recorrentes casos de feminicídio no Brasil foram o destaque da manifestação que marcou o Dia Internacional da Mulher em Brasília, que contou com a participação de grupos musicais, partidos políticos, sindicatos e diversos coletivos feministas. A manifestação ainda pediu o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1). “A mulher não tem um minuto de paz. Ela não tem sossego no seu lar. Ela não tem sossego no seu trabalho. Em todos os lugares nós podemos ser assediadas, podemos ser assassinadas. Por isso, o nome dessa obra é medo. Medo é o que toda mulher brasileira sente”, disse, durante o ato, a artista plástica Danielle Iguizzi.
Em Belo Horizonte (MG), 160 cruzes foram colocadas na Praça da Liberdade, no Centro, representando as mulheres que foram vítimas de feminicídio no estado de Minas Gerais em 2025 e 2026. A última vítima foi morta a facadas, na cidade de Santa Luzia, em pleno Dia Internacional da Mulher.
O Centro da capital mineira também recebeu uma marcha contra a violência de gênero. Diversas participantes levaram cartazes com frases como “criança não é esposa” em protesto contra a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que inocentou um homem de 35 anos acusado de violentar uma menina de 12 anos. Os desembargadores justificaram que ambos viviam um relacionamento amoroso. A decisão foi reformada, após grande mobilização popular.
Em Salvador (BA), o protesto foi convocado com o mote: “Mulheres vivas, em luta e sem medo: por democracia com soberania, pelo Bem Viver, fim do feminicídio e da escala 6×1”. As manifestantes se concentraram no Morro do Cristo e caminharam até o Farol da Barra, empunhando cartazes e gritando palavras de ordem.
Uma manifestação também foi realizada em Belém (PA), reunindo centenas de mulheres, principalmente integrantes de coletivos feministas. O protesto saiu da Escadinha da Estação das Docas e percorreu diversas ruas do Centro da capital paraense.
“Historicamente, 8 de março é dia de luta, de reflexão, de ir às ruas protestar e pedir por políticas públicas. Nós queremos igualdade de gênero, combater a violência contra a mulher, o feminicídio, a violência vicária e tantas outras violências que acometem nós mulheres”, declarou Vanessa Albuquerque, presidenta da Rede de Mulheres da Amazônia.
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Agência Brasil
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