UFRJ desenvolve ventilador pulmonar 90% mais barato que o convencional

Ventilador desenvolvido na UFRJ em parceria com outras instituições: teste com sucesso em pacientes e custo muito menor (Foto: Coppe/UFRJ)

Aparelho desenvolvido para tratar covid-19 custa em média R$ 8,5 mil - valor muito abaixo dos convencionais, que saem em torno de R$ 100 mil

Por CoordCom UFRJ | ODS 3ODS 4 • Publicada em 21 de julho de 2020 - 08:34 • Atualizada em 26 de julho de 2020 - 13:42

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Ventilador desenvolvido na UFRJ em parceria com outras instituições: teste com sucesso em pacientes e custo muito menor (Foto: Coppe/UFRJ)

Victor França*

O ventilador de exceção para covid-19 (VExCO) foi testado com sucesso em pacientes do maior hospital do estado do Rio em volume de consultas, o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ). O experimento teve a colaboração do Núcleo de Bioética e Ética Aplicada (Nubea/UFRJ).  Com dois ventiladores instalados nas Unidades de Terapia Intensiva, o Hospital do Fundão, como é conhecido o HUCFF, conseguiu, com o VExCO, reproduzir com êxito o modo de ventilação a que vinham sendo submetidos cinco pacientes em estado grave, sendo três deles na unidade COVID-19 e dois na não COVID-19. Todos os testes aconteceram sem problemas, confirmando a segurança do equipamento.

Dois exemplares do ventilador, já na sua forma definitiva, agora são testados gratuitamente no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), no Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel/Eletrobras) e nos laboratórios da Coppe. Finalizados os testes, o ventilador será submetido ao registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para então poder ser fabricado e distribuído gratuitamente a hospitais públicos do Sistema Único de Saúde (SUS) do estado.

O VExCO foi desenvolvido no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), conjuntamente com pesquisadores de outras unidades da Universidade, além da Petrobras e Whirlpool, especificamente para o tratamento de vítimas da doença em estado grave. Antes da aplicação em seres humanos, no mês de maio o VExCO foi testado em cinco animais por exigência da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Os testes tiveram a colaboração da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF/UFRJ).

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De acordo com o pesquisador Jurandir Nadal, coordenador do projeto e chefe do Laboratório de Engenharia Pulmonar e Cardiovascular da Coppe, os testes em animais foram importantes para avaliar novas funcionalidades do equipamento. “Além do modo de Ventilação Controlada à Pressão (PCV, sigla em inglês), que requer a sedação profunda do paciente, com a paralisação da atividade respiratória, também testamos modalidades que não requerem a sedação profunda, como a PCV-AC (assistido-controlada) e a CPAP (ventilação com pressão positiva contínua das vias aéreas). A grande diferença é que o modo PCV-AC utiliza um nível de sedação menor, no qual a ventilação por pressão é fornecida ao paciente quando ele tenta inspirar voluntariamente, respeitando o ritmo fisiológico. O modo CPAP consiste apenas em fornecer o ar rico em oxigênio, mantendo a pressão sempre positiva e deixando todo o controle da ventilação para o paciente”, afirmou Nadal.

Ventilador desenvolvido na UFRJ: trabalhado conjunto de 70 pessoas (Foto: Coppe/UFRJ)
Ventilador desenvolvido na UFRJ: trabalhado conjunto de 70 pessoas (Foto: Coppe/UFRJ)

O professor do do Programa de Engenharia Biomédica da Coppe detalhou os testes com o equipamento. “Foi testado também um novo método de controle da concentração de oxigênio do ar inspirado, o que permitiu economizar peças e reduzir as dimensões do VExCO”, explicou . Essas versatilidades representam uma evolução tecnológica do equipamento, tornando sua aplicação mais eficaz e facilitando a suspensão da ventilação no final do tratamento.

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Para o desenvolvimento do VExCO, os pesquisadores da UFRJ contaram com recursos da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM). “Contamos com o apoio de pesquisadores de vários programas da Coppe, de outras unidades da UFRJ e de instituições de pesquisa de outros estados do país. O apoio das equipes médicas da Faculdade de Medicina, do HUCFF e da Faculdade de Veterinária da UFRRJ foi fundamental para a realização dos testes in vivo”, salientou o pesquisador.

Ao todo, mais de 70 pessoas participaram de alguma etapa do projeto, sob a coordenação também dos professores Antonio Giannella Neto e Edson Hirokazu Watanabe. Os ventiladores VExCO devem reforçar, principalmente no Rio, a capacidade de atendimento das unidades públicas de saúde, graças à doação da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que aprovou a destinação de R$ 5 milhões de seu fundo especial ao desenvolvimento do projeto por meio da Lei nº 8.805/2020, já sancionada pelo governador.

Em busca de doações

Outros recursos financeiros serão necessários para atender à crescente demanda pelo equipamento. Para reduzir essa lacuna, a Fundação Coppetec está com uma campanha específica de doações para a produção dos ventiladores por um fundo criado para essa finalidade. Até o momento, 851 doações já foram feitas, chegando à marca de R$1,3 milhão. Criada pela Coppe para gerenciar projetos e recursos destinados a Ciência, Tecnologia e Inovação, a Coppetec tem publicado em seu site de transparência todas as doações recebidas, bem como onde foram aplicadas.

Parte dos recursos obtidos será utilizada para cobrir o custo fixo de montagem da linha de produção específica dos ventiladores, seguindo as boas práticas de fabricação, incluindo Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) da equipe de montagem, mobiliário e equipamentos de teste para garantia de qualidade, estimados em R$ 400 mil. Segundo Nadal, todo o restante tem sido investido na compra das peças para os ventiladores, com custo unitário aproximado de R$ 8,5 mil. “Esse valor é muito inferior ao preço dos ventiladores mecânicos disponíveis no mercado, que chegam a ultrapassar R$ 100 mil por unidade”, comparou o pesquisador. Isso acontece principalmente porque a doação não considera custo de impostos e mão de obra, pois o desenvolvimento é feito por voluntários.

As doações para o produção de ventiladores devem ser feitas em nome da Fundação Coppetec.

CNPJ: 72.060.999/0001-75
Banco do Brasil: 001
Agência: 2234-9
Conta: 55.622-X

Para transferências de outros bancos ou via terminais, o dígito “X” deve ser substituído por “0” (zero).

Qualquer pessoa física ou jurídica pode doar. Após a doação, envie o comprovante para [email protected]. Caso queira recibo da Coppetec, solicite pelo mesmo e-mail. Mais informações em http://www.coppetec.coppe.ufrj.br/site/respiradores-ufrj.

Todos podem contribuir com a UFRJ também de outras formas no enfrentamento da pandemia. Veja como em coronavirus.ufrj.br/doe

*CoordCom UFRJ (em parceira com a assessoria da Coppe)

A série #100diasdebalbúrdiafederal terminou, mas o #Colabora vai continuar publicando reportagens para deixar sempre bem claro que pesquisa não é balbúrdia.

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