Com voo covid 19-free e outras medidas de prevenção, Itália vira exemplo no combate ao coronavírus

Uso de máscara virou obrigatório na Itália. Na foto, pessoas trafegam pela ponte Calatrava, na chegada a Veneza / Foto: Cris Piloto

Governo exige o uso de máscaras cirúrgicas em voos e garante equipamento de proteção para a população

Por Cris Piloto | ODS 3 • Publicada em 15 de outubro de 2020 - 09:00 • Atualizada em 30 de outubro de 2020 - 19:36

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Uso de máscara virou obrigatório na Itália. Na foto, pessoas trafegam pela ponte Calatrava, na chegada a Veneza / Foto: Cris Piloto

Desde o fim do verão europeu e o início do outono, os números de novos casos de pessoas com covid-19 subiram de forma muito rápida em vários países da Europa, mas a Itália conseguiu reter um pouco essa curva de crescimento. Em comparação a março deste ano, o total consolidado de novos casos no país está mais alto, mas em proporção à quantidade de exames aplicados, diminui muito o percentual de casos positivos por exames feitos. Em 23 de março, foram feitos 17 mil exames, sendo 4.789 positivos (28%). No dia 11 de outubro, os testes totalizaram 104.658, sendo 5.456 positivos (aproximadamente 5%), de acordo com o Ministério da Saúde do país.

Em comparação à situação atual de países vizinhos como Espanha e França, a Itália conseguiu manter a quantidade de contágios mais baixa. Os fatores que mais chamaram a atenção da Organização Mundial da Saúde (OMS) com relação às medidas que a Itália tomou e continua tomando foram a rapidez e qualidade dos testes aplicados, o rastreamento da população que teve contato com pessoas que resultaram positivo e, obviamente, as medidas de segurança, como uso da máscara e distanciamento social.

Em qualquer voo, tanto doméstico como internacional, o Ministério da Saúde italiano exige o uso das máscaras cirúrgicas / Foto: Lorenzo Di Cola/NurPhoto

Os italianos entenderam a importância dessas medidas e hoje, entre os cidadãos comuns, já existe uma autorregulação – as pessoas se cobram nas ruas o uso correto das máscaras, que deve cobrir o nariz e a boca, e o distanciamento em filas de supermercado, por exemplo. A população entendeu e vive com cautela essa retomada da vida para uma adequação ao convívio com o coronavírus.

Em qualquer voo, tanto doméstico como internacional, o Ministério da Saúde italiano exige o uso das máscaras cirúrgicas, não permitindo embarque com as de tecido, feitas artesanalmente. E ao mesmo tempo que exige, o próprio governo disponibiliza para a população a possibilidade de compra. Uma regulamentação garante que as máscaras custem 0,50 centavos de euro. Se em março elas eram raras e exclusivas para profissionais de saúde, hoje, estão por toda parte. Muitos estabelecimentos comerciais as vendem com esse preço fixo, desde jornaleiro, lojas de conveniência, supermercados, perfumaria, lojas de souvenir e até, obviamente, as farmácias. Nos aeroportos é possível comprar as máscaras nos cafés e em máquinas automáticas, que ficam estrategicamente posicionadas do lado de fora do aeroporto, e é o único lugar que custa um pouco mais pela concessão de uso dos distribuidores automáticos. Nesses locais, para se ter uma ideia, o kit com uma máscara, um par de luvas e um lenço umedecido desinfetante custa dois euros.

O uso das máscaras mesmo em lugares abertos voltou a ser obrigatório desde o dia 7 de outubro, e a população entende que isso não é um passo atrás, mas sim que o uso da máscara realmente faz efeito.

Existe uma esperança que a medida mais rígida de segurança, o confinamento absoluto para todos, não volte a acontecer, já que naquele momento, ainda início da pandemia, não estava disponível para a população a quantidade de itens de segurança como hoje. Máscaras e o álcool em gel, nem pensar naquele momento.


AS FRONTEIRAS E O ESTADO DE EMERGÊNCIA

As fronteiras na Itália continuam fechadas para muitos países fora da União Europeia desde março. Desde junho, no entanto, é permitida a entrada de viajantes de alguns países como o Reino Unido, Canadá e Japão, mas a orientação é que se façam apenas viagens consideradas “essenciais”, o que deixa o turismo na categoria “não-essencial”.

Nos aeroportos é possível comprar as máscaras nos cafés e em máquinas automáticas. Na foto, o equipamento no aeroporto Marco Polo, em Veneza (Foto: Cris Piloto)

Novas regras com relação a passageiros que chegam de determinadas regiões ou países são criadas a cada momento. Por exemplo, quem sai da Sardenha para uma outra região da Itália deve fazer o teste e manter-se em isolamento enquanto o resultado não der negativo. O mesmo acontece para quem entra de países como a França e do Reino Unido. Não há previsão de reabertura total das fronteiras, e o estado de emergência no país foi prorrogado até o fim de janeiro de 2021.

Para driblar a dificuldade econômica gerada a partir dessa restrição de viagens, a empresa aérea Alitalia está testando um voo entre Roma e Milão batizado como “Covid-19 FREE”, que é a modalidade de um voo 100% testado antes do embarque na cidade de origem. Ou seja, tanto a tripulação como os passageiros devem fazer o teste rápido no aeroporto antes de embarcar. As próximas etapas desse teste, segundo a Alitalia, devem incluir novas rotas internacionais e intercontinentais.

O que fica de “recado do lado de cá” é que, além de um governo atuante no combate, os italianos estão levando a sério as medidas. Desde o momento do confinamento até o atual uso das máscaras, a população em geral tem respeitado as medidas de segurança impostas. É um pouco o sentimento de cada um fazendo a sua parte para não vivermos de novo o confinamento absoluto do início do ano. Alguns italianos acreditam que a Itália vai “chorar esse trauma” por muitos anos, como foi com outros momentos históricos impactantes no país, mas independentemente disso, o que vale é a atitude individual que está sendo tomada neste momento.

Cris Piloto

Cris Piloto é carioca, amante do mar e viajante desde criança. Já morou em 3 países e 8 cidades. Fotógrafa e profissional de comunicação, Cris deixou uma carreira corporativa em TV e cinema no Rio de Janeiro para estudar artes na Itália, onde vive atualmente. Faz fotos de viajantes do mundo todo e também desenvolve seu projeto de inovação social por meio das artes.

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