Polícia prende suspeito de envolvimento na morte de Jairo de Sousa

O radialista Jairo de Souza durante o seu programa na rádio. Foto Reprodução

Madson Aviz de Melo também é acusado de outros dois homicídios e de participação em uma milícia de extermínio

Por Angelina Nunes | ODS 16 • Publicada em 18 de setembro de 2020 - 19:34 • Atualizada em 18 de setembro de 2020 - 19:35

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O radialista Jairo de Souza durante o seu programa na rádio. Foto Reprodução

Nas primeiras horas do último dia 17 de setembro, Madson Aviz de Melo, suspeito de envolvimento no assassinato do radialista Jairo de Sousa, foi preso em Boa Vista, Roraima. Madson, também chamado de “Macio”, teve prisão preventiva decretada pela justiça do Pará em janeiro de 2020 e estava foragido desde então. A captura foi resultado de uma ação conjunta entre a Polícia Civil do Pará e a Divisão de Inteligência e Captura (Dicap).

Segundo a Dicap, quando encontrado pelos agentes, o suspeito se apresentou com o nome de seu irmão, mas, após ser chamado pelo próprio nome, confirmou sua verdadeira identidade. Contudo, negou envolvimento na morte do radialista.

Madson Aviz de Melo, suspeito de envolvimento no assassinato. Foto Dicap
Madson Aviz de Melo, suspeito de envolvimento no assassinato. Foto Dicap

O mandado de prisão preventiva pela morte do radialista não é o primeiro decretado contra Madson. Além desse crime, ele também é acusado de outros dois homicídios na cidade de Tracuateua (PA) e participação em uma milícia de extermínio. O suspeito foi encaminhado para a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista (RR) e espera transferência para o Pará, onde responderá pelos processos.

Jairo de Sousa foi morto no dia 21 de junho de 2018 quando chegava à Rádio Pérola FM, na cidade de Bragança, a 220 km de Belém. Sousa chegou à rádio por volta das 4h50 para apresentar seu programa matinal “Show da Pérola”, que ia ao ar das 5h às 9h. Depois de trancar o portão de ferro e subir alguns degraus da escada que levava ao estúdio, foi baleado por Dione de Sousa Almeida, com dois tiros no tórax.

O Ministério Público do Pará ofereceu denúncia contra onze pessoas pelo assassinato de Jairo de Sousa. São elas: Dione de Sousa Almeida, Cesar Augusto Monteiro Gonçalves, Madson Aviz de Melo, José Roberto Costa de Sousa, Jedson Miranda da Silva, Moisaniel Sousa da Silva, Otacilio, Antonio da Silva, Edvaldo Meireles da Silva, Jadson Roberto Reis de Sousa, João Carlos Lima de Castro e Sidney Raymundo Silva Reis.

O vereador Cesar Monteiro Gonçalves (PR) é acusado de ser o mandante. Segundo o inquérito, o assassinato foi encomendado a um grupo de extermínio – do qual Madson faz parte – e teria custado R$ 30 mil. O crime está relacionado ao trabalho do radialista, que fazia sérias críticas a políticos da região bragantina, em razão de supostos desvios de verbas públicas.

Depois que o grupo político decidiu pelo assassinato, o vereador Cesar Monteiro negociou o preço com a milícia. José Roberto Costa de Sousa, mais conhecido como Calar, passou a monitorar a rotina do radialista e visitar antigos endereços onde Sousa tinha morado. Uma das testemunhas disse ter tomado conhecimento do crime uma semana antes, porque o próprio Calar comentara que realizaria uma tocaia para executar o radialista. No entanto, a emboscada não surtiu o efeito esperado pelos bandidos.

Segundo consta nos autos, um dos motivos para o envolvimento do vereador Monteiro no crime foi o fato de que o radialista revelava irregularidades cometidas pela empresa Torre Forte, registrada em nome de dois sobrinhos do político.

O crime espalhou medo entre outros jornalistas da região e revelou a existência de uma lista de quatro alvos marcados para morrer – o radialista era o segundo nome na lista. Há 12 anos, ele usava colete à prova de balas por conta das ameaças recebidas ao longo de sua carreira em emissoras de municípios vizinhos e em Bragança. Naquela madrugada, Jairo de Sousa estava sem o colete.

Programa Tim Lopes

A morte de Sousa é o segundo caso investigado pela equipe da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) dentro do Programa Tim Lopes, financiado pela Open Society Foundations. O primeiro foi o de Jefferson Pureza, de 39 anos, em Edealina, no interior de Goiás, executado com três tiros na cabeça quando descansava na varanda de sua casa, em 17 de janeiro de 2018.

O jornalista Léo Veras se tornou o terceiro caso investigado pelo programa. Ele estava jantando com sua família, na noite de 12 de fevereiro de 2020, em sua casa em Pedro Juan Caballero (Paraguai), quando dois pistoleiros invadiram o imóvel e o assassinaram com 12 tiros.

Angelina Nunes

Angelina Nunes é mestre em Comunicação pela Uerj (RJ). Ela recebeu prêmios internacionais de jornalismo, como Rey de España, IPYS e SIP, e nacionais, como Esso, Embratel, Vladimir Herzog e CNH. É membro do International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ) e coordenadora do Programa Tim Lopes.

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