Fauzi só voltará ao Brasil se conseguir habeas corpus

Fauzi posa para fotos em Moscou, onde está foragido (Foto arquivo pessoal)

Autor de atentado contra a sede do Porta dos Fundos segue foragido em Moscou e quer ser ouvido pela polícia por vídeoconferência

Por Lauro Neto | ODS 16 • Publicada em 15 de janeiro de 2020 - 16:22 • Atualizada em 17 de fevereiro de 2020 - 19:47

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Fauzi posa para fotos em Moscou, onde está foragido (Foto arquivo pessoal)
fauzi na rússia
Fauzi posa para fotos em Moscou, onde está foragido (Foto arquivo pessoal)

Os advogados de Eduardo Fauzi, único identificado pela polícia no ataque a bomba ao Porta dos Fundos, afirmaram, nesta quarta-feira (15/01), que seu cliente só voltará ao Brasil caso a Justiça conceda um habeas corpus a seu favor.  Fauzi está foragido em Moscou e admitiu sua participação no crime em entrevista ao Projeto #Colabora. Ele tem passagem de volta ao Rio marcada para o dia 29 de janeiro, mas confirmou ao #Colabora, após a  entrevista coletiva de seus advogados, que cumprirá as orientações deles de permanecer na Rússia caso o pedido de prisão não seja revogado.
“Se tudo ocorrer como a defesa planeja, a concessão do habeas corpus, a princípio, dia 30, ele está de volta. Se não houver habeas corpus, por orientação da defesa, ele fica (na Rússia).   Recorreremos ao STJ e ao STF caso não concedam o habeas corpus”, disse o advogado Diego Rossi.

LEIA MAIS: Fauzi diz que vai pedir asilo na Rússia, em entrevista exclusiva

Fauzi é investigado pela Polícia Civil por tentativa de homicídio. Ele foi identificado em imagens de câmeras de segurança nas redondezas da sede da Porta dos Fundos após outras três pessoas jogarem coquetéis motolov no prédio da produtora na madrugada do dia 24 de dezembro em protesto contra o Especial de Natal que retratava Jesus como homossexual. Um segurança conseguiu apagar as chamas provocadas pela explosão, mas quase foi atingido. Fauzi e os advogados contestam a tipificação do crime por tentativa de homicídio.

“A posição da minha defesa é bastante específica. Eles consideram a prisão ilegal, bem como a denúncia por tentativa de homicídio. O fato criminoso que tem que ser apurado foi o incêndio e nada além. Toda tipicidade criminosa para além disso é ilegal e denota uma preocupação do sistema em me destruir completamente. Nesse quadro, se ficar comprovada a tese de perseguição política, de me manter preso de forma ilegal e apenas política, aí eles vão recomendar que eu não volte ao Brasil e dê seguimento ao pedido de asilo político na Rússia. Mas, se por outro lado, a Justiça se mostrar imparcial e técnica, nesse caso eu estarei me apresentando para ser julgado pela minha participação no crime que de fato foi cometido, o incêndio”, disse Fauzi ao #Colabora.

Delegado diz que vai analisar pedido de depoimento por videoconferência

Mais cedo, antes de concederem entrevista coletiva num hotel na Glória, os advogados estiveram na 10ª DP (Botafogo) e pediram para que seu cliente seja ouvido por videoconferência. A informação foi confirmada ao #Colabora pelo delegado que investiga o caso, Marco Aurélio de Paula Nogueira. Ele disse que analisará o pedido .

“Vou analisar a jurisprudência.  É uma coisa nova videoconferência em inquérito policial. Só quando o réu já está preso por outro motivo ou processo e, excepcionalmente, é concedido por um juiz.  Ele não está preso ainda”, explicou o delegado.

Lauro Neto

Carioca, mas cidadão do mundo. De carona na boleia de um caminhão ou na classe executiva de um voo rumo ao Qatar, sempre de malas prontas. Na cobertura de um tiroteio na cracolândia do Jacarezinho ou entrevistando Scarlett Johansson num hotel 5 estrelas em Los Angeles, a mesma dedicação. Curioso por natureza, sempre atrás de uma boa história para contar. Jornalista formado na UFRJ e no Colégio Santo Inácio. Em 11 anos de jornal O Globo, colaborou com quase todas as editorias. Destaque para a área de educação, em que ganhou o Prêmio Estácio em 2013 e 2015. Foi colunista do Panorama Esportivo e cobriu a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

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