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Cientistas criam livros infantis sobre girinos nos biomas brasileiros

Títulos foram desenvolvidos por grupo de pesquisadores de 17 universidades; edições impressas serão distribuídas para escolas públicas


Projeto Girinos do Brasil: seis livros por 22 pesquisadores de 17 universidades públicas brasileiras (Reprodução)
Projeto Girinos do Brasil: seis livros por 22 pesquisadores de 17 universidades públicas brasileiras (Reprodução)

Uma coleção de seis livros com base científica apresenta às crianças a vida dos girinos, sapos, rãs e pererecas encontrados em mais de 1 mil lagos e poças d´água de todo o Brasil. As obras devidamente ilustradas para o público infanto-juvenil fazem parte do projeto Girinos do Brasil, pesquisa que integra o Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade do Brasil (Sisbiota) e é desenvolvida por 22 pesquisadores de 17 universidades públicas brasileiras – UFABC, Unifesp, UFG, UFMA, UFAM, UFC, UESC, UEFS, UFMS, UFMT, UFBA, UFMG, UFPR, UFAL, Unila, USP e Unesp.

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Os livros foram lançados em maio deste ano, estão disponíveis para download e as edições impressas estão sendo distribuídas pelos pesquisadores nas escolas públicas de seus respectivos estados. O primeiro título “De girino a adulto: muita história para contar” faz uma introdução sobre a pesquisa e os cincos restantes trazem curiosidade sobres os girinos e informações sobre os diferentes biomas brasileiros: Amazônia, Pantanal e Chaco, Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado.

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Nossa preocupação foi fornecer um material de alta qualidade científica com conceitos biológicos, mas, ao mesmo tempo, com uma linguagem acessível, atraente e com atividades lúdicas

Michel Varajão Garey
Professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e coordenador da pesquisa do bioma Mata Atlântica

Todos seguem uma estrutura comum, mas revelam dados específicos da realidade de cada região. A leitura não depende de uma sequência. O título da Mata Atlântica explica como os girinos são identificados e nomeados. O título sobre o Cerrado aborda a interação e de que forma esses seres interagem e se protegem dos predadores. Na Caatinga, os cientistas explicam como eles se adaptam para viver na seca. No Pantanal, o tema chave é a alimentação, e por fim, no livro sobre a Amazônia é abordada a forma de reprodução dos girinos.

“Cada um dos livros tem uma temática, como as variações morfológicas dos girinos, a dieta, táticas de sobrevivência, metamorfose. Nossa preocupação foi fornecer um material de alta qualidade científica com conceitos biológicos, mas, ao mesmo tempo, com uma linguagem acessível, atraente e com atividades lúdicas”, explica Michel Varajão Garey, professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) que coordenou a pesquisa do bioma Mata Atlântica.

O docente reforça que os livros tentam explicar que os anfíbios estão em declínio populacional no mundo causado pelo desmatamento, poluição, mudanças climáticas, entre outros fatores. O que segundo Garey é motivo de preocupação entre os cientistas, já que este grupo de animais é importante para o funcionamento dos ecossistemas, para controle de pragas e de vetores de doenças.

Retorno para a sociedade

A pesquisa sobre os girinos contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a ideia de criar uma coleção de livros paradidáticos responde ao anseio dos pesquisadores que queriam ver o conhecimento científico “transpor os muros da academia.”

“Ao longo do projeto tivemos várias publicações de artigos científicos, mas também tivemos essa preocupação de divulgar os resultados de uma maneira mais acessível ao público geral. Tínhamos a necessidade de proporcionar uma forma de retorno mais direto do conhecimento gerado nesse projeto para a sociedade”, diz Garey.

A missão de “traduzir” a linguagem científica é deixa-la acessível às crianças sem que perdesse a qualidade foi de Flávia Pereira Lima, que é professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), mas também leciona no ensino fundamental.

“Cientista tem dificuldade de escrever para criança, eu sou professora de ciências dos anos iniciais, minha realidade é escrever para crianças. Nosso objetivo é divulgar conhecimento sobre a biodiversidade brasileira, nós entendemos que ninguém vai se preocupar em preservar se não entender o quão rica e importante ela é”, afirma Flávia. A docente ressalta que os girinos são animas muito interessantes. “Queremos que por meio dos livros, as crianças usem a cabecinha perguntadora delas para entenderem o mundo”.

Links para download

De girino a adulto: muita história para contar

http://www.cnpq.br/documents/10157/7262165/De+girino+a+adulto_muita+hist%C3%B3ria+para+contar.PDF/ecc00cd6-4ed9-4b9d-a609-57314eaab87e

Salvando a pele: conhecendo os girinos do cerrado

http://www.cnpq.br/documents/10157/7262165/Salvando+a+pele_Cerrado.PDF/2b6d39b9-b71f-4e69-bae1-c1e5306711c5

Girinos comilões: conhecendo os girinos do Pantanal e do Chaco

http://www.cnpq.br/documents/10157/7262165/Girinos+Comil%C3%B5es_Pantanal+e+Chaco.PDF/9c1162eb-1497-4b2e-931f-886194fe4a22

Girinos de todo jeito: conhecendo os girinos da Mata Atlântica 

http://www.cnpq.br/documents/10157/7262165/Girino+de+todo+jeito_MAta+Atl%C3%A2ntica.PDF/4ea43a39-e477-4c0c-acd2-f244f06f260f

Histórias de vida: conhecendo os girinos da Caatinga 

http://www.cnpq.br/documents/10157/7262165/Hist%C3%B3rias+de+vida+_Caatinga.PDF/40cb8a50-b878-418b-9e4a-d6b68a56cb1b

Diferentes formas de nascer: conhecendo os girinos da Amazônia 

http://www.cnpq.br/documents/10157/7262165/Diferentes+formas+de+nascer_Amaz%C3%B4nia.PDF/f3cf196b-c256-49b8-a9e2-f6a0d175542d

97/100 A série #100diasdebalbúrdiafederal pretende mostrar, durante esse período, a importância  das instituições federais e de sua produção acadêmica para o desenvolvimento do Brasil


Escrito por Vanessa Fajardo

Jornalista, trabalha com temas principalmente ligados à educação. Já passou pelas redações do G1, Portal de Notícias da TV Globo, e dos jornais Agora SP e Diário do Grande ABC. Atua como colaboradora da BBC Brasil, Folha de SP, Porvir, Universa e Revista da Gol.

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