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Aruanas leva alerta sobre Amazônia a 150 países

Série com Taís Araújo, Leandra Leal e Débora Falabella sobre ameaças à floresta tem lançamento internacional com apoio de ONGs


As Aruanas Clara (Thainá Duarte), Natalie (Débora Falabella), Luiza (Leandra Leal) e Verônica (Taís Araújo) atrás das grades: série mostra ameaças a ativistas (Foto: Globo/Fabio Rocha)
As Aruanas Clara (Thainá Duarte), Natalie (Débora Falabella), Luiza (Leandra Leal) e Verônica (Taís Araújo) atrás das grades: série mostra ameaças a ativistas (Foto: Globo/Fabio Rocha)

Em 2018, o desmatamento na Amazônia cresceu 14%, o maior salto na década. Em janeiro, o governo editou MP que transferia a Funai e a demarcação das terras indígenas para o Ministério da Agricultura, dominado por ruralistas. Há três anos, o Brasil é o país onde mais ativistas são assassinados no mundo – só em 2017, foram 57 mortos, 80% militantes de questões ambientais. Em abril, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a intenção de abrir a Amazônia à mineração. Levantamento mostra que a região tem 321 garimpos ilegais. A preocupação mundial com a maior floresta do mundo – que foi externada por chefes de governo europeus como o presidente francês Emmanuel Macron e a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel – vai ficar ainda maior com o lançamento nesta terça (02/07), em 150 países e 11 línguas, da série Aruanas, co-produção da Globo com a Maria Farinha Filmes, gravada na Amazônia, com estrelas como Taís Araújo, Leandra Leal, Débora Fallabela e Camila Pitanga, e uma trama que envolve exatamente esses temas: desmatamento, mineração na Amazônia, garimpo, ameça a ativistas ambientais e indígenas.

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Basicamente, a série, em 10 capítulos, conta a histórias de três ativistas da ONG Aruana (sentinela da natureza em tupi), que trabalha em defesa do meio ambiente na Amazônia. Será lançada só para assinantes no Globplay e, ao mesmo tempo, no exterior. A TV Globo mostra o primeiro capítulo na quarta (03/07). Desde o roteiro, de Estella Renner, Marcos Nisti, sócios da Maria Farinha, e Pedro Barros, teve a parceria técnica do Greenpeace, que ajudou também a liderar uma frente de ONGs brasileiras e estrangeiras para a divulgação internacional de Aruanas. Anistia Internacional, WWF, Global Witness, UN Environment, UN Women, Open Society Foundations, Instituto Betty & Jacob Lafer, Rainforest Foundation, Avaaz, 350.org, Instituto Socioambiental, IPAM, Oxfam, SOS Mata Atlântica, IMAZON, Conectas, Justiça Global, Greenfaith e APIB fazem parte da lista de ONGs, que se engajaram na multiplicação da série como forma de alertar sobre os problemas da Amazônia.

O Brasil, essa terra amada, é tão rico em biodiversidade e, ao mesmo tempo, terreno árido para quem luta por sua preservação. Não é nada fácil ser um ativista ambiental por aqui

Taís Araújo
Atriz e protagonista de Aruanas

Aruanas chega a 150 países com legendas em inglês; espanhol; francês; italiano; alemão; holandês; russo; árabe; hindi; turco e coreano. A série estará disponível em aruanas.tv (ambiente Vimeo), onde poderá ser comprada por US$ 12,90, diretamente pelo público, em estratégia comercial inédita da Globoplay e da Maria Farinha. Até outubro, 50% das vendas serão doadas para uma iniciativa – ainda não revelada – de proteção da Floresta Amazônica.

A advogada Verônica de Taís Araújo lidera protesto em Aruanas: série tem pedidos de socorro anônimos, pessoas adoecendo de forma misteriosa, assassinatos e ameaças aos povos indígenas (Foto: Globo/Fàbio Rocha)
A advogada Verônica de Taís Araújo lidera protesto em Aruanas: série tem pedidos de socorro anônimos, pessoas adoecendo de forma misteriosa, assassinatos e ameaças aos povos indígenas (Foto: Globo/Fàbio Rocha)

Rede de ativistas do mundo inteiro, escolhidos por estas ONGs presentes, assistiram à série gratuitamente e em primeira mão para se tornarem multiplicadores das questões da floresta Amazônica. Representantes dessas entidades e seus convidados também estiveram no lançamento de Aruanas, semana passada, em Nova York, onde a equipe brasileira, encabeçada pela atriz Taís Araújo, também visitou a sede da ONU. Nomeada defensora dos Direitos das Mulheres Negras, em 2017, pela ONU Mulheres Brasil, Taís – ao lado da produtora Ana Lúcia Vilela, do roteirista Marcos Nisti, e da diretora e roteirista Estela Renner – esteve com  María Fernanda Espinosa Garcés, presidente da Assembleia Geral da ONU.  “Tivemos um encontro para dar início a um movimento de valorização de ativistas, tomando como base a trama da série. O Brasil, essa terra amada, é tão rico em biodiversidade e, ao mesmo tempo, terreno árido para quem luta por sua preservação. Não é nada fácil ser um ativista ambiental por aqui”, escreveu a atriz no Instagram.

Os criadores da série Marcos Nisti e Estela Renner, da Maria Farinha, com a presidente da Assembleia Geral da ONU, María Fernanda Espinosa, Taís Aarújo, e Sergio Valente, da Globo, no lançamento em Nova York: produtora planeja nova temporada mas Globoplay não confirma (Foto: Globo/Andrew Walker)
Os criadores da série Marcos Nisti e Estela Renner, da Maria Farinha, com a presidente da Assembleia Geral da ONU, María Fernanda Espinosa, Taís Aarújo, e Sergio Valente, da Globo, no lançamento em Nova York: produtora planeja nova temporada mas Globoplay não confirma (Foto: Globo/Andrew Walker)

Se nunca foi fácil ser ativista por aqui, ficou mais difícil após a eleição de um presidente da República que declarou logo após chegar na frente no primeiro turno: “Vamos botar um ponto final em todo tipo de ativismo no Brasil”, disse Jair Bolsonaro; em seguida, mais de 4 mil organizações da sociedade civil e movimentos sociais divulgaram uma nota de repúdio. Mas, eleito, Bolsonaro, logo em janeiro, extinguiu o Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar). Em abril, baixou decreto suspendendo o funcionamento de 700 órgãos colegiados do governo que contavam com representantes da sociedade civil. Em maio, o Ministério do Meio Ambiente  reduziu drasticamente o número de conselheiros do Conama – de 96 para 23 integrantes, diminuindo a participação das entidades da sociedade civil. Essas decisões do governo, principalmente na área ambiental, já tinham provocado péssimo repercussão internacional, o que foi tema de discussões nos lançamentos de Aruanas.

Se o Brasil é o pais que mais mata ativistas, como mulheres, o risco é redobrado. É um trabalho de paixão, de urgência, de lutar pelo ideal com empatia, solidariedade. É o cruzamento da minha missão na vida, de arte e ativismo

Leandra Leal
Atriz e protagonista da série

Antes da premiére novaiorquina no Angelika Film Center, a série já tinha sido lançada em Londres, no Eletric Cinema, com a presença de Débora Falabella, uma das estrelas da manifestação #EleNão, em São Paulo, e que, recentemente, fez campanha nas redes sociais contra o bloqueio das verbas para educação.  “É uma grande oportunidade para engajar o público na questão ambiental através da história dessas mulheres, das Aruanas”, disse a atriz durante o lançamento londrino com a presença de mais de 100  jornalistas e ambientalistas europeus. A pegada ambiental de Aruanas valeu também para as gravações: a série reutilizou 90% do figurino, reciclando roupas de segunda mão, para gerar menor produção de resíduos. Além das protagonistas e da diretora, 47% da equipe de produção foi composta por mulheres. No elenco, com 131 participações e 2000 figurantes, um terço morava na Amazônia.

Débora, Thainá, Leandra e Taís nas gravações de Aruanas: gravações na Amazônia com equipe com quase 50% de mulheres e participação de moradores da região (Foto: Globo/Fabio Rocha)
Débora, Thainá, Leandra e Taís nas gravações de Aruanas: gravações na Amazônia com equipe com quase 50% de mulheres e participação de moradores da região (Foto: Globo/Fabio Rocha)

Conselheira do Greenpeace e militante de causas ambientais e sociais, Leandra Leal disse que gravar Aruanas foi um experiência transformadora. “O Brasil é o país que mais mata ativistas e isso precisa acabar. Obrigada, #Aruanas, por colocar a gente no centro de um debate tão importante”, escreveu a atriz nas redes sociais semana passada. Foi Leandra que mais falou na primeira apresentação da série, na Comic Con, em Manaus, em dezembro logo após o fim das filmagens. “Se o Brasil é o pais que mais mata ativistas, como mulheres, o risco é redobrado. É um trabalho de paixão, de urgência, de lutar pelo ideal com empatia, solidariedade. É o cruzamento da minha missão na vida, de arte e ativismo”, disse a atriz, que vive a ambientalista Luiza, fundadora da ONG ao lado da jornalista Natalie (de Débora), e da advogada Verônica (de Taís). Thainá Duarte é uma estagiária da ONG, Camila Pitanga, advogada da mineradora, que ameaça a floresta no município fictício de Cari, no Amazonas.

Os sócios da Maria Farinha Filmes, criadores da série, já pensam em outras temporadas. Primeira produtora audiovisual brasileira certificada pelo Sistema B (movimento global para identificar empresas com compromisso social e ambiental), a Maria Farinha Filmes nasceu em 2008, com foco em documentários sobre crianças, em parceria com o Instituto Alana – Criança, a Alma do Negócio, sobre males da propaganda, O Começo da Vida, sobre os primeiros anos, Muito Além do Peso, sobre obesidade infantil. Depois foi ampliando temas: síndrome de down, refugiados, o navio Rainbow Warrior, do Greenpeace. Mas o ativismo também está no DNA da produtora. A ideia de Estela Renner e Marcos Nisti, sócios da produtora e criadores da série, é fazer com que cada temporada da série se debruce sobre uma questão ambiental diferente. Eles já escreveram pelo menos seis episódios da segunda temporada – conforme revelaram no lançamento brasileiro da série, em São Paulo, semana passada. A Globoplay, entretanto, ainda não confirmou novas temporadas.

Taís, Leandra Débora, e Thainá nas gravações de Aruanas: gravações na Amazônia com equipe com quase 50% de mulheres e participação de moradores da região (Foto: Globo/Fabio Rocha)
Taís, Leandra Débora, e Thainá nas gravações de Aruanas: série com apoio de mais de 20 ONGs internacionais e nacionais para ajudar a disseminar alerta sobre Amazônia (Foto: Globo/Fabio Rocha)

Escrito por Oscar Valporto

Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Está de volta ao Rio após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. É criador da página no Facebook #RioéRua, onde publica crônicas sobre suas andanças pela cidade.

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