ODS 1
Para proteger toninhas e tartarugas: Albardão, o maior parque marinho do Brasil


Conheça a nova unidade de conservação criada no litoral gaúcho para resguardar região estratégica para manutenção da biodiversidade do Atlântico Sul


Nos últimos meses, pelo menos 139 toninhas – espécie de golfinho brasileiro ameaçada de extinção – e quase 400 tartarugas foram encontradas mortas no sul do litoral gaúcho, vítimas da pesca ilegal na região. Para proteger estas e mais centenas de espécies e a rica biodiversidade o governo federal acaba de criar o Parque Nacional Marinho do Albardão, com pouco mais de 1 milhão de hectares, e também a Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão, no município de Santa Vitória do Palmar (RS).
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De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Parque Nacional do Albardão será o maior parque marinho do Brasil e foi concebido para proteger os ambientes mais sensíveis da região, incluindo áreas críticas para a conservação da biodiversidade e para a redução das pressões sobre espécies ameaçadas. O objetivo é que a unidade de conservação funcione como área-berçário e de recomposição de estoques pesqueiros, com efeito de transbordamento que tende a aumentar a biomassa e a produtividade nas áreas abertas e sirva para preservar formações costeiras e depósitos fossilíferos (formações com fósseis) conhecidos como concheiros, registros geológicos e paleontológicos com valor científico que testemunham a evolução da paisagem costeira ao longo de milhares de anos.
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Veja o que já enviamosA área do Albardão foi reconhecida como prioritária para conservação em 2004. O processo formal foi aberto em 2008 com apoio de pesquisadores, universidades e ONGs ambientalistas. Após estudos produzidos entre 2017 e 2019, ocorreram consultas públicas em 2024 e o ICMBio instituiu um grupo de trabalho para tratar da formulação das unidades de conservação, além de encomendar pesquisas complementares: finalmente, o Decreto nº 12.868 foi assinado pelo presidente Lula, criando o parque marinho e a APA.
Ambientalistas celebraram a decisão após duas décadas de mobilização. “Com a criação da unidade de conservação, o Albardão passa a ser o maior parque nacional marinho do Brasil! Um marco histórico para a proteção de ecossistemas costeiros entre os mais estratégicos do país”, destacou a bióloga Angela Kuczach, articuladora da aliança SOS Oceano. “A iniciativa ainda abre caminho para avançar na agenda de criação de áreas marinhas protegidas em outras regiões do país”, acrescenta a ambientalista.
As organizações envolvidas na defesa do criação do parque marinho do Albardão apontam que, além de servir como refúgio para espécies hoje ameaçadas, a região tem relevância internacional por sua conexão com o mar patagônico, influenciando populações de fauna que chegam até a Antártica. “Essa é uma luta antiga de todos que atuam pela proteção dos ambientes marinhos no Brasil. O Albardão chegou ao seu limite e a criação do parque já não podia mais esperar. Agora começa uma nova etapa, que é garantir a efetiva implementação e proteção dessa área”, frisou a bióloga Maria Carolina Weigert, diretora do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema).


Albardão: saiba mais sobre o maior parque marinho do país
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia federal vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, será a responsável pela gestão do parque e da APA do Albardão. Nesta quarta-feira (11/03), o instituto divulgou comunicado com informações sobre as novas unidades de conservação que serão administradas inicialmente pela gerência regional do ICMbio até que seja estruturada uma sede administrativa, contando com servidores, estruturas e equipamentos.
Características – O Parque Nacional Marinho do Albardão abriga ecossistemas marinhos e costeiros de excepcional relevância ecológica, funcionando como área de alimentação, reprodução e crescimento para diversas espécies ameaçadas. Entre elas, destaca-se a toninha (Pontoporia blainvillei), a espécie de golfinho mais ameaçada do Atlântico Sul Ocidental, além de tartarugas marinhas, tubarões, raias, aves marinhas migratórias e outros mamíferos que utilizam a região ao longo de seus ciclos de vida. O parque é exclusivamente marinho e se estende por cerca de 100 km a partir da costa, em uma região conhecida por paisagens naturais únicas e grande relevância ecológica. Também é área do novo parque uma pequena porção de praia, onde ocorrem os depósitos conhecidos como concheiros.
Objetivos – O parque foi criado para proteger áreas de reprodução de peixes e de alimentação e crescimento de espécies migratórias, além de uma área fundamental para garantir a sobrevivência das toninhas. Ao preservar as áreas de reprodução, a unidade de conservação contribui para a sustentabilidade da pesca e para a reposição dos estoques pesqueiros. A iniciativa também ajuda a fortalecer a resposta do Brasil à perda global de biodiversidade e às mudanças do clima. Os concheiros do Albardão, localizados na região, representam uma área de extrema importância paleontológica e geológica, frequentemente estudada como geossítio e sítio fossilífero de relevância nacional.
Espécies – O Parque Nacional Marinho do Albardão abriga uma grande diversidade de espécies marinhas e costeiras, incluindo mamíferos marinhos como a toninha e baleias, lobos e leões-marinhos, tartarugas, aves migratórias, tubarões, raias e diversas espécies de peixes e invertebrados.


Área total de proteção – O Parque Nacional Marinho do Albardão possui aproximadamente 1.004.480 hectares, sendo considerado o maior parque marinho do Brasil. A soma total da área do conjunto formado pelo parque e sua Zona de Amortecimento, incluindo a APA do Albardão (55.983 hectares), chega a um total de 1.618.488 hectares.
Pesca – As atividades pesqueiras artesanais continuam permitidas na APA do Albardão e na Zona de Amortecimento. No Parque Nacional, essas atividades não são permitidas. Essa área funcionará como berçário para reprodução de espécies e contribuirá para a recuperação dos estoques pesqueiros. As atividades pesqueiras industriais continuam permitidas na Zona de Amortecimento do Parque, desde que respeitando as restrições das normas ambientais já existentes. No Parque Nacional do Albardão, essas atividades não são permitidas.
Turismo – O turismo será permitido na área do parque de acordo com diretrizes que serão estabelecidas no Plano de Manejo. O uso indireto dos recursos naturais por meio de atividades de ecoturismo e visitação é um dos objetivos de criação de UCs da categoria Parque Nacional. O parque e a APA do Albardão estão localizados no extremo sul da vertente costeira da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, sendo o trecho Cassino–Barra do Chuí o final sul da Trilha Oiapoque–Barra do Chuí. É um local onde ocorrem importantes atividades de lazer e turismo de aventura, bem como esportes náuticos, que serão mantidas e incentivadas.
Pesquisas – O ICMbio vai incentivar as pesquisas científicas no parque nacional marinho e na APA do Albarcão por considerar que é uma das atividades compatíveis com os objetivos da criação das unidades e podem contribuir para ampliar o conhecimento sobre os ecossistemas marinhos e costeiros da região, desse modo, subsidiando ações de conservação da biodiversidade.
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