China promete plantar uma Bélgica de árvores por ano

Mutirão para a plantação de árvores na cidade de Nanping, no sudoeste da China: país promete ampliar área plantada com árvores e ampliar parques nacionais (Foto: Chen Baicai / Xinhua / AFP -12/03/2021)

Plano inclui a plantação anual de 36 mil quilômetros quadrados até 2025 e o aumento da área dos parques nacionais chineses

Por José Eduardo Mendonça | ODS 13ODS 15 • Publicada em 6 de setembro de 2021 - 09:11 • Atualizada em 8 de setembro de 2021 - 17:54

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Mutirão para a plantação de árvores na cidade de Nanping, no sudoeste da China: país promete ampliar área plantada com árvores e ampliar parques nacionais (Foto: Chen Baicai / Xinhua / AFP -12/03/2021)

A China anunciou que pretende plantar 36 mil quilômetros quadrados (uma área maior que a Bélgica) de novas florestas por ano até 2025, em sua tentativa de combater a mudança do clima e proteger habitats naturais. O plantio de árvores está no centro dos esforços ambientais chineses há décadas e é parte importante dos planos de levar as emissões de carbono a zero até 2060.

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“Até 2025, a qualidade e a estabilidade de florestas, pastos e ecossistemas desertos terão sido amplamente melhoradas”, disse Li Chunliang, vice-presidente da Comissão Estatal de Florestas e Pastos. O país pretende aumentar sua cobertura florestal em 24,1% até 2025, contra 23,4% no ano passado.

O dióxido de carbono (CO2) é o principal gás de efeito estufa, que causa o aquecimento global. Através da fotossíntese, árvores e outras plantas transformam o CO2 em carboidratos, que usam para desenvolver seus caules, folhas e raízes.

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Digamos que uma árvore retire da atmosfera 25 quilos de CO2 por ano. Se uma pessoa plantasse uma árvore por ano durante 20 anos, e se cada uma sobrevivesse, estas 20 árvores absorveriam cerca de meia tonelada de dióxido de carbono por ano.

Há cerca de 3 trilhões de árvores na Terra, apenas metade das que o planeta tinha há 12 mil anos, no início da civilização humana. São cortadas 15 bilhões de árvores por ano, e muitas delas estão nas florestas tropicais – mas o desflorestamento está em todo lugar.

Segundo o plano chinês, os recursos florestais eram inadequados, especialmente em áreas sujeitas à seca, como no norte e no oeste do país. Li Chunliang não disse que tipos de árvores seriam plantadas, mas o documento oficial do órgão chinês afirma que a estratégia dependeria, em parte, do “reflorestamento natural”, ou seja, diferentes tipos seriam plantados de acordo com o habitat local.

Depois da destruição de importantes ecossistemas durante décadas por um crescimento vertiginoso, a China está prometendo criar “barreiras de segurança ecológicas” e proteger um quarto de seu território total do avanço humano.

Nos próximos cinco anos, a China promete também expandir seu sistema nacional de parques, criar corredores para evitar a fragmentação de habitats e reprimir o comércio ilegal de vida silvestre.

De acordo com o grupo de pesquisa de mercado comparethemarket.com, apenas a cidade de Pequim teria de plantar 15 milhões de árvores por ano para compensar suas emissões.

O país também pretende aumentar a área de seus parques nacionais em até 18% até 2025. Os parques são um dos tipos mais importantes de áreas protegidas na China e existem, no momento, 10 programas-piloto em curso em 12 províncias. Isto inclui um parque nacional contendo as nascentes de três rios importantes no platô tibetano, uma área de preservação para pandas-gigantes na província de Sichuan, no sudoeste, e outro parque para tigre-siberianos e leopardos-de-amur em Jilin e Heilongjiang, no nordeste.

Em 2019, o governo chinês afirmou que haviam sido estabelecidas 2.570 áreas de proteção natural no país, que cobririam 15% do seu território chinês – essa porcentagem chegaria a 18%, se incluídas áreas com proteção mais baixa. O número foi mencionado porque a China terá alcançado a Meta Aichi de Biodiversidade, estabelecida pela Convenção da Biodiversidade, e que ditava metas para o período 2010-2020.

Um novo quadro será decidido na Conferência da Biodiversidade da ONU prevista, depois de dois adiamentos, para ser realizada em duas partes: em outubro, virtualmente, e, em maio de 2022, na cidade chinesa de Kunming. A expectativa é que os países concordem em proteger 30% de oceanos e terras do mundo.

A China anunciou, em 2013, que estabeleceria um sistema de parques nacionais e agora tem uma estrutura básica funcionando. Mas gerir sistema tão vasto apresenta desafios. O governo central pode administrar os parques, mas deve delegar as tarefas cotidianas a autoridades locais, de acordo com o plano de ação agora divulgado.

“No entanto, existem diversas situações nas quais os parques nacionais são geridos diretamente pelo governo central”, afirmou Yang Zhaoxia, vice-diretor do centro de pesquisa da lei ambiental na Universidade Florestal de Pequim.

Yang também disse que encontrar um equilíbrio entre proteção e desenvolvimento era um problema comum a muitos parques. Ainda, muitos departamentos estão envolvidos na gestão de parques na China, e a situação se complica quando os parques cobrem diversas províncias.

José Eduardo Mendonça

Jornalista com passagens por publicações como Exame, Gazeta Mercantil, Folha de S. Paulo. Criador da revista Bizz e do suplemento Folha Informática. Foi pioneiro ao fazer, para o Jornal da Tarde, em 1976, uma série de reportagens sobre energia limpa. Nos últimos anos vem se dedicando aos temas ligados à sustentabilidade.

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4 comentários “China promete plantar uma Bélgica de árvores por ano

  1. Divonsir Borges disse:

    Todas nações paises e povos tem um dever… Uma responsabilidade com o Habitat… Recultivar recobrir repor é prioridade Vital E… Ou… Fatal.!.

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