Ártico tem segundo maior degelo da história

Iceberg no Ártico, ao leste da costa da Groenlândia: degelo marinho é o segundo maior da história (Foto: Philippe Roy/Aurimages/AFP)

Redução de gelo marinho alarma cientistas: área derretida em 2020 no oceano do Polo Norte equivale a territórios de Argentina, Alemanha e Inglaterra somados

Por Observatório do Clima | ODS 13ODS 14 • Publicada em 24 de setembro de 2020 - 09:00 • Atualizada em 29 de setembro de 2020 - 09:42

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Iceberg no Ártico, ao leste da costa da Groenlândia: degelo marinho é o segundo maior da história (Foto: Philippe Roy/Aurimages/AFP)

O gelo marinho no Ártico atingiu em 2020 a menor extensão mínima já medida desde o início das observações com satélites, no fim dos anos 1970. Os dados foram divulgados pelo NSIDC (Centro Nacional de Dados de Gelo e Neve dos EUA). Segundo o NSIDC, a extensão de mar congelado no oceano polar atingiu um mínimo de 3,74 milhões de quilômetros quadrados no dia 15 de setembro. O degelo só não foi maior que em 2012, quando o gelo marinho foi reduzido no final do verão boreal a 3,39 milhões de quilômetros quadrados.

O valor é 2,5 milhões de quilômetros quadrados menor do que a média verificada entre 1981 e 2010 – é como se uma área do tamanho da Argentina, da Alemanha e da Inglaterra somadas tivesse desaparecido do oceano onde está o Polo Norte. Todos os anos de maior degelo no Oceano Ártico foram registrados nos últimos 14 anos. “O ano de 2020 fica marcado como um ponto de exclamação na tendência de redução do gelo marinho no Ártico. Estamos no rumo de um Ártico sazonalmente descongelado e este ano é outro prego no caixão”, disse o diretor do NSIDC, Mark Serreze. Em 2012, Serreze cunhou a expressão “espiral da morte” para descrever essa tendência.

O aquecimento global, mais acentuado no Ártico do que em quase todas as outras regiões do planeta, produziu uma série de extremos na região em 2020. A Sibéria teve uma onda de calor que elevou as temperaturas mais de 10oC acima da média em algumas regiões e fez uma cidade russa acima do Círculo Polar Ártico marcar 38oC. Incêndios florestais também fustigaram o nordeste da Rússia no começo do verão.

Em agosto, tripulantes do quebra-gelo alemão Polarstern fizeram imagens de gelo marinho derretendo a menos de 300 quilômetros do polo Norte – algo que jamais havia sido visto. Alguns estudos sugerem que até 2030 o polo Norte possa estar sem gelo no verão.

Ao contrário do derretimento das geleiras em terra, o derretimento do gelo marinho não contribui diretamente para o aumento do nível do mar, pois o gelo já está na água, mas menos gelo significa que menos radiação solar é refletida e mais absorvida pelos oceanos. “Quando o gelo marinho desaparece, a luz solar incidente é absorvida pelo oceano, ajudando a aquecer ainda mais a Terra”, disse a climatologista Claire Parkinson, cientista da NASA, em entrevista à AFP.

Ela acrescentou que a fraca cobertura de gelo neste ano está “em linha com a tendência geral de queda das últimas quatro décadas”. As evidências da redução da cobertura de gelo – tanto em espessura quanto em área – no Ártico e na Antártica estão se acumulando, embora o ritmo varie de uma região para outra.

O gelo da Antártica derreteu rapidamente por três anos consecutivos até 2017, mas, mais recentemente, voltou a níveis do começo da década, sem uma explicação clara. No Ártico, a redução tem apresentado uma tendência de queda mais pronunciada desde 1996 em comparação com o período anterior, disse Parkinson, embora haja alguma variação de ano para ano. “O rápido desaparecimento do gelo marinho é um indicador preocupante de quão perto nosso planeta está contornando o ralo”, disse Laura Meller, ativista do Greenpeace Nordic Oceans, em comunicado à imprensa

Laura Meller está em um navio à beira das geleiras do Ártico. “Nas últimas décadas, perdemos dois terços do volume do gelo marinho do Ártico e, à medida que o Ártico derrete, o oceano vai absorver mais calor e todos nós ficaremos mais expostos aos efeitos devastadores da queda do clima”, disse a ativista do Greenpeace em entrevista. “O que estamos vendo aqui no Ártico é realmente a abertura de um novo oceano no topo do mundo, o que significa que precisamos proteger a área”, acrescentou.

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