ODS 1
Povo Yawanawá e marca de luxo sustentável lançam coleção de acessórios
Pulseiras #Togetherband são produzidas em aldeia no Acre com sementes de açaí, plástico retirado dos oceanos e metal de armas ilegais confiscadas. Iniciativa tem apoio da Rede Brasil do Pacto Global da ONU
As terras indígenas são as mais preservadas da Amazônia, confirmou estudo recente do MapBiomas. Por outro lado, o levantamento também aponta que o desmatamento nessas áreas preservadas vem aumentando nos últimos anos. Mas, além das políticas públicas permanentes para o combate à devastação, a bioeconomia tem papel chave na proteção das florestas. E quem melhor que os povos indígenas em aproveitar os recursos naturais sem devastar? Chamar a atenção para isso é um dos propósitos da nova coleção da campanha global #Togetherband. Por isso, a linha de pulseiras e colares de açaí é uma parceria dos Yawanawá, povo indígena do Acre, com a Bottletop, marca de acessórios sustentáveis.
Os Yawanawá, o ‘povo da queixada’, vivem, desde tempos imemoriais, na Terra Indígena Rio Gregório. Está em sua cultura fazer joias de açaí.
“As pulseiras são todas feitas com sementes reaproveitadas de açaí do próprio território. É um trabalho que começou em 2018 e continua gerando recursos”, conta Thiago Yawanawá – Tuikuru, de 26 anos, durante o lançamento da coleção da #Togetherband, no Dia da Terra (22/04).
Gostando do conteúdo? Nossas notícias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosFormado em marketing, o jovem, filho do cacique Tashka Yawanawá, destaca, acima de tudo, a importância, para seu povo, de gerar renda de forma sustentável: “Para isso, trabalhamos com ecoturismo. E temos um Plano de Vida Yawanawá para as aldeias usarem seu potencial e fortalecerem as atividades sustentáveis. É algo que os mais velhos vão deixar para os mais jovens. Estamos criando, por exemplo, uma fábrica de açaí”, diz. Tudo isso, ele lembra, não impede ameaças como a falta de apoio do governo no combate ao desmatamento e a atuação de caçadores ilegais.
#Togetherband e o material reaproveitado
Além das sementes de açaí, as pulseiras são feitas de plástico retirado dos oceanos e têm uma peça de metal derivado de armas de fogo apreendidas em países da América Central. Dois tipos de colares também fazem parte da coleção, à venda na www.shop2gether.com.br, com renda revertida para os Yawanawá.
Apoiada pela Rede Brasil do Pacto Global da ONU, a #Togetherband usa materiais reaproveitados, apoiar comunidades e ainda tem outro simbolismo: as cores dos acessórios são inspiradas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Na nova coleção, um dos modelos é multicolorido e reúne as 17 cores dos ODS. Outro apoio à iniciativa é da Ambipar, empresa de gestão ambiental, signatária da Rede Brasil do Pacto Global da ONU.
Nova embaixadora da #Togetherband, que se junta a um time que já conta com o ex-jogador David Beckham, o piloto de Fórmula-1 Lewis Hamilton e a atriz Samantha Schmütz, a ativista Txai Suruí fala da importância da valorização da riqueza da floresta em pé. “Nossa região tem frutos únicos, uma biodiversidade rica que pode gerar muita riqueza sem desmatamento. Proteger a floresta não é só preservar a vegetação: é igualmente proteger os povos que vivem nela desde sempre. É combater as mudanças climáticas”, disse a coordenadora do Movimento da Juventude Indígena de Rondônia, no lançamento da coleção,
Como nasceu a #Togetherband
Filho do fundador da grife de luxo Mulberry, Cameron Saul criou a Bottletop depois de uma temporada como voluntário em Uganda. Numa visita ao Brasil, ficou fascinado com o artesanato de mulheres na Bahia. E, tempos depois, fundou um ateliê no município de Lauro de Freitas (BA). Posteriormente, conheceu o povo Yawanawá e surgiu a parceria para a produção da #Togetherband. “Todos os nossos produtos ressignificam materiais. Queremos espalhar os ODS usando a criatividade e arte”, diz Saul.
Relacionadas
Formada em Jornalismo pela UFF, nasceu em São Paulo, mas cresceu na cidade do Rio de Janeiro. Foi repórter do jornal “O Dia”, ocupou várias funções no “Jornal do Brasil” e foi secretária de redação da revista de divulgação científica “Ciência Hoje”, da SBPC. Passou os últimos anos no jornal “O Globo”, onde se dedicou ao tema da Educação. Editou a Revista “Megazine”, voltada para o público jovem, e a “Revista da TV”. Hoje é Editora do Projeto #Colabora e responsável pela Agência #Colabora Marcas.
Onde podemos encontrar as pulseiras para comprar de forma segura e que garanta que o investimento chegue, realmente, aos povos indigenas?