Vozes das Ruas: #Colabora lança série com depoimentos de brasileiros em situação de rua; assista

No Brasil, são mais de 220 mil pessoas em situação de rua. Sete mil vivem no Rio em meio à violência e à invisibilidade. A jornalista Luiza Trindade transforma números em nomes, rostos e histórias de luta, injustiças e até mesmo de amor

Por Yuri Fernandes | ODS 1ODS 11 • Publicada em 27 de julho de 2021 - 11:50 • Atualizada em 30 de julho de 2021 - 19:20

Milena, Leandro e Priscila, Bibi e Lorena contam suas histórias de luta, injustiças e até mesmo de amor nas ruas do Rio de Janeiro | Reproduções/Vozes das Ruas

Milena, Leandro e Priscila, Bibi e Lorena contam suas histórias de luta, injustiças e até mesmo de amor nas ruas do Rio de Janeiro | Reproduções/Vozes das Ruas

No Brasil, são mais de 220 mil pessoas em situação de rua. Sete mil vivem no Rio em meio à violência e à invisibilidade. A jornalista Luiza Trindade transforma números em nomes, rostos e histórias de luta, injustiças e até mesmo de amor

Por Yuri Fernandes | ODS 1ODS 11 • Publicada em 27 de julho de 2021 - 11:50 • Atualizada em 30 de julho de 2021 - 19:20

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No Brasil, são mais de 220 mil pessoas em situação de rua, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O número cresceu 140% entre 2012 e março de 2020. E com a pandemia do coronavírus, não para de subir. É mais do que o número de habitantes de municípios como Criciúma (SC), Angra dos Reis (RJ) e Lauro de Freitas (BA). Na segunda cidade mais populosa do país, a população em condição de rua é de cerca de sete mil. Buscando transformar esses dados em nomes, rostos e histórias, o #Colabora lança a série de vídeos Vozes das Ruas, com entrevistas feitas pela jornalista Luiza Trindade.

Assista ao trailer da série Vozes das Ruas: 

Em quatro episódios, a cineasta liga a sua câmera durante as rondas do Projeto Ruas, que presta apoio e assistência a pessoas sem moradia no Rio de Janeiro. O objetivo é ouvir e colher histórias: fortes e, na maioria das vezes, desconhecidas ou ignoradas por grande parte da população. As gravações foram feitas anteriormente à crise sanitária mundial, por isso, pode-se aprofundar mais nas atividades feitas pela ONG.  

Mais: Todas as histórias da série Vozes das Ruas

Segundo o censo da população em situação de rua feito pela Prefeitura do Rio em outubro de 2020, do total das 7.272 pessoas, 5.469 delas estão nas ruas e outras 1.803 em situação de acolhimento institucional. No Rio, quase metade da população de rua (44,6%) se encontra nessa condição por causa de conflitos familiares. Outros 18% em razão do alcoolismo/drogas e 14,6% por demissão do trabalho. Homens representam 81%, na faixa etária entre 31 e 45 anos. Mas, embora minoria nas ruas, as mulheres estão em todos os episódios de “Vozes das Ruas”. Além da precariedade da vivência afastada de um teto, elas sofrem com o machismo, humilhações, abusos sexuais e a LGBTfobia diariamente. 

“Essa série documental me fez sentar na rua, ocupar um espaço que não é o meu, e escutar, com o ouvido bem atento, histórias que queriam ser contadas. Sem a ajuda do Projeto RUAS essa série até poderia existir, mas com certeza teria uma narrativa totalmente diferente. Durante os meses de pesquisa e filmagem da série, eu participei toda semana das rondas da ONG nos bairros da Zona Sul. Contamos histórias, desenhamos sonhos, tivemos festa junina, páscoa e aula de yoga. E toda terça-feira, depois das dinâmicas, jantávamos e conversávamos. É uma experiência que mudou a forma como eu diálogo, e essas mudanças são importantes para nos apropriamos de um problema social que também é nosso. Vozes das Ruas é um convite para escutarmos, de perto, essa realidade”, divide Luiza Trindade.

Mais: Estupros, humilhações e agressões – a vida das mulheres em situação de rua em São Paulo

Os episódios por Luiza Trindade

Histórias como a de Milena: na rua desde pequena, com um filho de 1 ano e vivendo um amor com outra mulher em um ambiente violento e machista. Fugiu para rua como tentativa de sobreviver ao que acontecia na sua própria casa. Passou anos assistindo ao pai agredir repetidamente sua mãe. Aos 9, foi estuprada pelo próprio irmão. Sem saber o que fazer, fugiu. Leia aqui a reportagem na íntegra. 

Histórias como a do casal Priscila e Leandro. Ela foi estuprada pelo padrasto aos 10 anos. Ele foi para rua após perder a mãe. O romance começa quando eles se encontram no Rio de Janeiro e Leandro passa a incentivar Priscila a parar de consumir drogas. Quando a entrevista foi realizada, em março de 2020, ela estava há cinco meses sóbria. Juntos, passaram a sonhar com o futuro. Leia aqui a reportagem na íntegra. 

Histórias como a de Roberta, ou Bibi: em situação de rua há pelo menos cinco anos, após ter sido abandonada pela família. Em 2019, perdeu a visão por conta de uma bactéria na retina. Desde então, sua vida mudou completamente. Leia aqui a reportagem na íntegra. 

E histórias com a de Lorena, que morava em um depósito de praia, mas chegou a dormir na rua quando era criança e em 2018. Uma jovem ilustradora que frequentava as rondas assistenciais de ONG para visitar a mãe, Elza, e teve os sonhos interrompidos precocemente. Leia aqui a reportagem na íntegra. 

“Falar do amor entre duas pessoas em situação de rua é uma tentativa de mostrar a realidade como ela é, humanizada, verdadeira e cheia de possibilidades. É aproximar as narrativas que encontramos na rua com as de pessoas que passam todos os dias por elas”, conta Luiza Trindade que já trabalhou como assistente de direção no filme “Lulli”, da Netflix, e também dirigiu e roteirizou o videoclipe “Granada”, da cantora Bia B.

Todos os episódios da série Vozes das Ruas também estão disponíveis no YouTube do #Colabora. O projeto conta com edição de vídeos de David de La Cadena; edição de texto de Yuri Fernandes, e coordenação de Isabela Carvalho.

Yuri Fernandes

Yuri Fernandes é jornalista pela Universidade Federal de Juiz de Fora e roteirista pela Academia Internacional de Cinema. Trabalhou nas redações de Bom Dia Brasil, Fantástico e EGO. Em 2017, passa a fazer parte do time do #Colabora e do #Colabora Marcas, agência de branded content. No ano seguinte, lança a websérie “LGBT+60: corpos que resistem”, com depoimentos de idosos LGBT+. O projeto alcança mais de 1 milhão de views no YouTube, é exibido em diversos seminários e festivais, e vence o Prêmio Longevidade Bradesco Seguros, em 2019. No mesmo ano, Yuri Fernandes também é laureado com o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, com a série “Sem direitos: o rosto da exclusão social no Brasil”. Por meio do jornalismo humanizado, busca ecoar vozes de minorias sociais, sobretudo, da comunidade LGBT+.

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