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O legado olímpico que vem de longe

Delegações estrangeiras promovem ações sociais no Rio e renovam instalações de clubes, que poderão ajudar atletas brasileiros depois dos Jogos


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O mesatenista Gilles de la Bourdonnaye na escola Juan Montalvo

Ao apagar das chamas olímpica e paralímpica, em setembro,  o Rio de Janeiro terá diante de si uma interrogação: ao mesmo tempo em que se espera que a cidade vá desfrutar  de benefícios no que diz respeito à infraestrutura, o que vai ficar dos Jogos para clubes, vilas olímpicas, comunidades, crianças e jovens? A resposta não reside apenas em diferentes esferas do governo ou mesmo a iniciativas brasileiras. A seis meses da abertura das Olimpíadas, a 5 de agosto, representações de países estrangeiros já estão movimentando a cidade com ações que vão de reformas de clubes a eventos para escolas públicas.

As ‘casas dos países’ já são uma tradição em eventos internacionais, como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, servindo para recepcionar não apenas as colônias dessas nações, como também brasileiros que poderão se confraternizar com esses visitantes.  Um dos paises mais mobilizados, desde abril do ano passado, é a França, que  assinou compromisso com a Sociedade Hípica Brasileira, na Lagoa.  Em evento festivo na Hípica a 14 de julho de 2015 (data nacional daquele país), a França deu uma prévia do que deverá ser a sua casa no Rio, abrindo-a a crianças de colégios  públicos cariocas, como a Escola Municipal Juan Montalvo, da Taquara, Jacarepaguá. Professor de educacão física, José Luiz dos Santos levou 40 alunos de 11 a 13 anos (quinto e sexto anos) ao evento.

 – A maioria deles não conhecia a Zona Sul do Rio. Eles ficaram encantados ao ver o Cristo Redentor e a Lagoa Rodrigo de Freitas. Eles foram muito bem tratados e puderam experimentar vários esportes que não conheciam. Nosso contato se manteve, e em novembro representantes do Consulado francês levaram um atleta paralímpico de tênis de mesa daquele pais à nossa escola, para conversar com nossas crianças. Além disso, doaram para nós um equipamento novo de tênis de mesa – relatou o professor, antecipando que o grupo tornará a participar da festa de 14 de julho e estará na programação olímpica francesa na Hípica, em agosto: – Dizem que o mundo está pequeno, por causa da internet. Mas só de eles terem a oportunidade de conhecer pessoas de outros países, isso é algo bem diferente. Agora, eles têm o desejo de conhecer com maior profundidade o que é a França.

Levamos atletas de várias disciplinas para comunidades, escolas e associações locais: atletas de esgrima no Morro do Fubá com Terr’Ativa, um atleta paralímpico de tênis de mesa para as escolas municipais de Niterói e Jacarepaguá, uma atleta de tiro com arco para o morro de São Carlos com a ONG Planeta Ginga.

Alexandre Bazire
Adido olímpico do Consulado da França

Adido olímpico do Consulado da França no Rio, o francês Alexandre Bazire explicou que o Clube França irá funcionar durante as duas semanas dos Jogos Olímpicos, entre os dias 5 e 21 de agosto. Para o consulado, trata-se de um excelente motivo para criar laços com o público carioca desde já.

   -Há seis meses (por ocasião do 14 de julho), levamos atletas de várias disciplinas para comunidades, escolas e associações locais: atletas de esgrima no Morro do Fubá com Terr’Ativa, um atleta paralímpico de tênis de mesa para as escolas municipais de Niterói e Jacarepaguá, uma atleta de tiro com arco para o morro de São Carlos com a ONG Planeta Ginga. Oferecemos também a nossa colaboração ao programa Transforma do Rio2016 para levar atletas franceses a comunidades (a campeã mundial da maratona aquática, Aurélie Muller, visitou o complexo desportivo de Rocinha) e, graças ao Transforma,  convidamos os alunos de Cidade de Deus da escola de fotografia da agência France Presse a cobrir competições do AqueceRio (série de eventos-teste que visam à preparação para os Jogos.

NathalieMelot_2015_FeteNationale-58Estudantes brasileiros se juntaram a franceses na festa de 14 de julho na Hípica

Bazire acrescentou que o Clube França será um espaço aberto não apenas à comunidade francesa, mas às crianças e jovens cariocas:

   – Quando a casa francesa abrir na Sociedade Hípica Brasileira, em agosto, todas estas crianças estarão lá como se estivessem em seu lar! A nossa programação estará também voltada para elas com oficinas de esportes e vários ateliês, além da presença dos atletas franceses e da intensa programação cultural, cheia de surpresas, que estamos montando para o público carioca, francês e internacional.

     Há estimativas de que 14 casas de países serão abertas na cidade, sem contar o espaço mantido pela NBA, a liga de basquete mais importante do mundo, a ser aberto no remodelado Cais do Porto. Entre as casas que estão sendo organizadas, estarão a USA House, no Colégio São Paulo, no Arpoador; Canada House, na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), na Lagoa; Casa Itália, no clube Costa Brava, no Joá;  Deutsches Haus, da Alemanha, no Blue Beach Point, na Praia da Reserva. Outras casas ficarão em áreas públicas, a serem utilzadas por meio de contrapartida para o município. A Suíça, por exemplo, vai fazer uso do campo de beisebol do Parque do Cantagalo para ter seu espaço aberto ao público. De forma semelhante, a Dinamarca vai marcar presença na Praia de Ipanema, com uma casa igualmente aberta aos cariocas.

    No caso dos clubes do Rio, o USOC está investindo no Flamengo cerca de US$ 1,2 milhão na remodelação dos ginásios de basquete e de vôlei (que nos Jogos também será usado para treinamentos das seleções americanas de handebol), além do antigo dojô, a ser transformado num centro de lutas. O ginásio de ginástica, destruído num incêndio em novembro de 2012, está sendo reformado para servir de base para os treinamentos das equipes americanas de ginástica. A piscina  não foi incluída no projeto. Já  a sede de remo deverá servir de base ao Comitê Olímpico Britânico (BOA),  para atender a equipes de triatlo, canoagem de velocidade, remo e maratona aquática.

  – Um dos maiores legados para o Flamengo será a troca de experiências nas áreas de ciências e tecnologia. A modernização dos espaços, os equipamentos esportivos e equipamentos dessas duas áreas são outros legados importantes. E, finalmente, dentro da nossa estratégia de internacionalização da marca Flamengo, temos a oportunidade de mostrar o clube para o resto do mundo – afirmou Marcelo Vido, diretor de Esportes Olímpicos do clube.

 Outros grandes clubes cariocas também vêm sendo contactados por delegações olímpicas. Caso do Botafogo, que alugou sua sede principal, em General Severiano, para a Áustria, conforme anuncio feito e outubro. O alvinegro está aberto a negociar também suas sedes do Sacopã (de regatas), próximo à Curva do Calombo, na Lagoa; e a do Mourisco Mar, onde há uma piscina suspensa, na Praia de Botafogo.

    O Vasco também firmou a cessão de parte de seu patrimônio. Alugou a sede do Calabouço, próximo ao Museu de Arte Moderna (MAM), à equipe de iatismo da Dinamarca, que deverá utilizar o local por um mês, antes e durante os Jogos, como base para assessoria de imprensa, setor administrativo e apoio para 24 atletas e comissão técnica. Outra sede do clube a ser alugada é a da Lagoa, onde funciona a garagem de barcos e a academia dos atletas de remo, além de salão para eventos e também alojamentos. Há duas delegações interessadas, mas por enquanto, nada se confirmou.    Já o Fluminense   está aberto a alugar seu Parque Aquático das Laranjeiras ( natação, nado sincronizado, saltos ornamentais e pólo aquático); o ginásio (vôlei e basquete) e o CT de futebol de  Xerém (futebol, rúgbi e até hipismo, com adaptações).


Escrito por Claudio Nogueira

É jornalista, tendo iniciado carreira em 1986 no Globo, onde trabalhou até o começo de 2016. Desde março do mesmo ano, é produtor de reportagens do Sportv. Cobriu, entre outros eventos, quatro Olimpíadas, a Copa do Mundo-2014 e cinco Jogos Pan-Americanos. Como escritor, publicou, entre outras obras: “Futebol Brasil Memória”; “Dez Toques sobre Jornalismo”; “Vamos todos cantar de coração - os 100 anos do Futebol do Vascão”; e ”Esporte Paralímpico - Tornar possível o Impossível”

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Um Comentário

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  1. Maravilha de reportagem . Também, escrita e apurada por Cláudio Nogueira chega a ser pleonasmo. Porque muito se fala mal
    das heranças das Olimpíadas para o Rio, sem se pensar nos laços esportivos e afetivos que podem ser formados com os Países
    participantes… À la Jo Guarda, manda brasa, Cláudio. Um forte abraço amigo e colega de ouro.

    Ana Lúcia (Bizinover)

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