Diversidade é a cara do Reload, canal que estreia com notícias em formatos inovadores

Apresentadores do Canal Reload (Foto: Divulgação)

Com apresentadores LGBT+, negros, indígenas e de diferentes regiões do país, Canal Reload estreia com foco no público jovem a partir da união do #Colabora com mais nove organizações jornalísticas independentes.

Por Yuri Fernandes | ODS 10 • Publicada em 1 de setembro de 2020 - 17:18 • Atualizada em 19 de setembro de 2020 - 11:57

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Apresentadores do Canal Reload (Foto: Divulgação)

Apresentadores LGBT+, negros, indígenas e com diferentes sotaques fazem parte do time do novo Canal Reload, criado por meio da união do #Colabora com mais nove organizações jornalísticas nativas digitais e independentes. Com o objetivo de descomplicar as notícias, democratizar e ampliar o alcance da informação, o Canal Reload estreou nessa terça-feira, 01, já mostrando quem são os 12 influenciadores que vão apresentar, cada um a seu modo, o conteúdo escolhido entre as reportagens produzidas pelos veículos do consórcio. A diversidade ficou no radar da equipe durante todo o trabalho de pesquisa e desenvolvimento do canal, que pode ser encontrado no Instagram, no Twitter, no Facebook e também no Youtube e Whatsapp.

No time do Reload, a carioca de 24 anos Mia Fidelis não esconde a alegria e também a responsabilidade de levantar a bandeira trans. Ela acredita que a sua presença pode construir uma via de mão dupla, onde a sociedade se abre ao diálogo sobre identidade de gênero e pessoas trans possam se empoderar a partir dessa representatividade.

Para tentar espelhar a diversidade da juventude urbana brasileira fizemos uma seleção entre quase 100 comunicadores para escolhermos uma equipe bastante plural e com bastante representatividade

Hugo Cuccurullo
diretor do Reload

“Muitas vezes, não somos levadas a sério por boa parte da população. Esse protagonismo que o Reload está proporcionando para mim é muito importante para que gere um entendimento de que mulheres trans são capazes de exercer qualquer tipo de trabalho, assim como qualquer pessoa cis, e que nós não somos apenas objetos sexuais. A partir dessa semente que é plantada, espero que meu trabalho em um canal de jornalismo abra a cabeça não só da sociedade, mas também de meninas como eu. Que elas possam se espelhar e acreditar que também podem ocupar todos os lugares”, celebra.

O Reload foi uma das iniciativas ganhadoras do Google News Innovation Challenge em 2019. Nasceu da união entre (((o))eco, Agência Lupa, Agência Pública, Amazônia Real, Congresso em Foco, Énois, Marco Zero Conteúdo, Ponte Jornalismo, Projeto #Colabora e Repórter Brasil. (Foto: Reprodução)

O ator João Freire, de 19 anos, é outro que está na expectativa de poder expressar sua identidade e exercer seu trabalho sem ser cerceado pela sua sexualidade. “É incrível a liberdade de gravar os meus vídeos com as roupas e acessórios que eu me identifico, usando o meu linguajar, ao invés de precisar forçar uma heteronormatividade. Ocupar esse lugar enquanto homem gay é uma conquista”.

A diversidade entre os apresentadores faz jus a um Brasil miscigenado, que raramente tem um apresentador negro ou indígena, por exemplo. O Reload evidencia nós pessoas negras, os LGBT+, os indígenas

Bell Puã
Apresentadora do Reload

Direto de Recife, Bell Puã é poeta, cantora, compositora, atriz e mestra em História. Mesmo com esse vasto currículo, a artista ainda arrumou um tempinho para ser apresentadora do Reload. “A diversidade entre os apresentadores faz jus a um Brasil miscigenado, que raramente tem um apresentador negro ou indígena, por exemplo. O Reload evidencia nós pessoas negras, os LGBT+ os indígenas. Temos duas apresentadoras indígenas a Priscila Tapajowara e a Samela Sateré-Mawé”, explica Bell.

“A gente sabe que não há uma representatividade indígena nos meios de comunicação. Quando se tem, muitas vezes é de uma forma muito estereotipada. Então ter outros jovens, principalmente mulheres, ocupando lugares de fala onde nós possamos fazer denúncias e falar sobre as coisas que estão acontecendo em nossas regiões é de extrema importância porque os jovens vão se inspirar e querer fazer parte disso,” diz Priscila, que é ativista, co-coordenadora da Mídia Índia e moradora de Santarém, Pará. Conheça todos os apresentadores:

Para Hugo Cuccurullo, diretor do Reload, a pluralidade deve estar na raiz de qualquer novo projeto para que a conexão com o público seja a mais eficaz possível. Em um Brasil tão diverso, se torna uma obrigação abraçar a diversidade. “Um dos pontos que apareceu em nossas pesquisas foi que, para os jovens, credibilidade parte muito de uma conexão e proximidade entre quem passa e quem recebe a informação. Por isso, buscamos não somente aproximar a linguagem mas também trazer jovens comunicadores para o projeto. São 12 influenciadores entre 19 e 27 anos que vão trabalhar junto com os jornalistas na construção e apresentação dos vídeos e apresentação. E para tentar espelhar a diversidade da juventude urbana brasileira fizemos uma seleção entre quase 100 comunicadores para escolhermos uma equipe bastante plural e com bastante representatividade”.

Como os jovens consomem notícias?

A partir deste questionamento, as 10 organizações (((o))eco, Agência Lupa, Agência Pública, Amazônia Real, Congresso em Foco, Énois, Marco Zero Conteúdo, Ponte Jornalismo, Projeto #Colabora e Repórter Brasil) uniram forças para criar o Reload. Juntas, elas têm mais de 100 prêmios nacionais e internacionais, como o Prêmio Gabriel García Márquez, Prêmio Rei da Espanha e um Leão de Bronze do Festival de Cannes.

Pesquisas levaram a equipe a pensar no formato e na linguagem do Reload, que vai apresentar informação de maneiras inovadoras: histórias em quadrinhos, poesia slam e lyric videos, por exemplo. (Foto: Reprodução)

Para a construção do canal, foram feitas ao longo de três meses pesquisas para entender como os jovens consomem notícias e conteúdo nas redes sociais. A Énois ouviu jovens com idades entre 18 e 28 anos para a pesquisa, que revelou que 75% dos respondentes consomem notícias na internet diariamente. As redes sociais são a principal fonte de notícias para 91% destas e destes jovens. Para 70% deles, o Instagram é a principal rede usada para se informar.

Essas pesquisas levaram a equipe a pensar no formato e na linguagem do Reload, que vai apresentar informação de maneiras inovadoras: histórias em quadrinhos, poesia slam e lyric videos, por exemplo. Veja abaixo o primeiro vídeo lançado nessa terça-feira, 1º de setembro.

O Reload se apoia na qualidade e na credibilidade de 10 organizações disruptivas no jornalismo digital para produzir conteúdo com linguagem ágil e moderna, que se conecta diretamente com o público jovem. “Todas as organizações que fundaram o Reload já têm a inovação no seu DNA e um significativo público jovem. Sabemos que eles querem estar bem informados para participarem do debate público e decidimos oferecer um jornalismo de qualidade, pensado para esse público”, diz Natalia Viana, coordenadora geral do Reload.

A partir dessa semente que é plantada, espero que meu trabalho em um canal de jornalismo abra a cabeça não só da sociedade, mas também de meninas como eu

Mia Fidelis
Apresentadora do Reload

Ao compreender o consumo de notícias pelo público jovem, o Reload contribui para fortalecer o campo do jornalismo digital no Brasil. O Reload foi uma das iniciativas ganhadoras do Google News Innovation Challenge em 2019, projeto do Google News Initiative para ajudar o jornalismo a prosperar na era digital. O projeto conta também com apoio da Fundação Ford no Brasil.

Yuri Fernandes

Yuri Fernandes é jornalista pela Universidade Federal de Juiz de Fora e roteirista pela Academia Internacional de Cinema. Já trabalhou nas redações do Bom Dia Brasil, Fantástico e EGO. Em 2017, passa a fazer parte do time do Projeto #Colabora e do #Colabora Marcas, agência de branded content. No ano seguinte, lança a websérie “LGBT+60: Corpos que Resistem”, com depoimentos de idosos LGBT+. O projeto alcança mais de 1 milhão de views no Youtube, é exibido em diversos seminários e festivais, e vence o Prêmio Longevidade Bradesco Seguros, em 2019. No mesmo ano, Yuri Fernandes também é laureado com o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, com a série “Sem Direitos: o rosto da exclusão social no Brasil”. Por meio do jornalismo humanizado, busca ecoar vozes de minorias sociais, sobretudo, da comunidade LGBT+.

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