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Mãe Natureza: revelada e protegida

Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais


Fêmea de bicudinho-do-brejo. Foto de Ricardo Bemonte Lopes
Fêmea de bicudinho-do-brejo, uma das espécies estudadas

O que nós, humanos urbanos, temos a ver com aquele sapinho que vive escondido no alto de uma montanha situada num fragmento de Mata Atlântica? Ou com as diversas aves e os insetos que sobrevoam plantações? No DNA de cada ser vivo, pode estar a cura para doenças que nos afligem e, num bater de asas, a garantia da comida em nossa mesa. Há 30 anos na luta pela conservação da biodiversidade brasileira, o Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais tem no currículo 78 projetos e a descoberta de nada menos do que 26 novas espécies animais.

Segundo Paulo Pizzi, presidente da organização sediada em Curitiba (Paraná), a indústria farmacêutica é um dos setores que tem mais a perder com o desaparecimento de espécies. “A diversidade biológica é um baú ainda inexplorado de possibilidades de descobertas, por exemplo, de novos antibióticos. Isso num cenário em que vemos o surgimento de superbactérias contra as quais os atuais remédios começam a não fazer mais efeito”, alerta o biólogo.

A diversidade biológica é um baú ainda inexplorado de possibilidades de descobertas, por exemplo, de novos antibióticos. Isso num cenário em que vemos o surgimento de superbactérias contra as quais os atuais remédios começam a não fazer mais efeito

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Paulo Pizzi

Outro campo que sofre grande impacto com a perda de biodiversidade é o da agricultura. Mais de três quartos dos vegetais plantados com fins alimentares dependem da polinização – feita principalmente por insetos e aves – para serem produzidos com qualidade e em quantidade suficientes, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

Entre as diversas iniciativas do Mater Natura em andamento, estão ações de restauração florestal, de pesquisa e de criação de reservas, entre elas a que leva o nome de Bicudinho-do-brejo (Stymphalornis acutirostris), espécie de pássaro descoberta pelo Instituto em 1995 e atualmente ameaçada de extinção. Em 2009, cinco pessoas físicas, associadas à ONG, adquiriram a área na baía de Guaratuba, no Paraná. Agora, a batalha é para obter a qualificação de Reserva Particular do Patrimônio Natural.

Anfibio-Foto de Luis Fernando Ribeiro
Anfíbios lideram o ranking de descobertas feitas pela ONG

O Bicudinho foi uma das 5 espécies de pássaros descobertas nas últimas três décadas pelo Mater Natura. O recorde, porém, é dos anfíbios: foram 21 novos sapinhos dos gêneros Melanophryniscus e Brachycephalus revelados apenas entre 1998 a 2016, durante expedições em regiões montanhosas do Paraná e de Santa Catarina. A descoberta de tantas novas espécies em tão pouco tempo sugere que a diversidade de anuros de montanhas pode estar muito  subestimada.

Movimento nasceu em universidade

Patativa. Foto de divulgação
Anilhamento e tomada de medidas

Associação civil ambientalista sem fins lucrativos, de caráter científico, educacional e cultural, o Mater Natura já teve seus diversos projetos patrocinados por 35 instituições públicas e privadas, nacionais e internacionais. Entre elas, o WWF Brasil, o Unicef, o Ministério do Meio Ambiente, a Petrobras e a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

A ONG também recebe doações de pessoas físicas. Segundo Pizzi, no ano de 2015, um dos mais difíceis para o Mater Natura, a entrada de recursos para a execução dos trabalhos foi de R$ 329 mil. O Instituto tem quatro funcionários celetistas e, em 2015, para ações específicas, contratou 12 consultores temporários e contou com nove voluntários.

pesquisador no meio da mata procurando anfibio-Foto de Marcio P
Pesquisador no meio da mata

Um grupo de 25 estudantes de Biologia da PUC do Paraná formou o Movimento Ecológico Mãe Nature em 1983, quando participou de encontro que denunciava a utilização indiscriminada de agrotóxicos em plantações locais. Nos primeiros anos, realizou atividades no campus, como palestras e exposições. Depois, se engajou em campanhas históricas, como o apoio à adoção da Educação Ambiental nas escolas; ações contra a caça às baleias no Brasil; e mobilização pelo fechamento de estrada que cortava ilegalmente o Parque Nacional do Iguaçu. Em maio de 1987, foi registrado em cartório e, a partir de janeiro de 1993, passou a ter a atual denominação.

Segundo Pizzi, um dos projetos de maior destaque no passado foi a criação da Ecolista (Cadastro Nacional de Instituições Ambientalistas). O trabalho, que virou referência nacional, começou em 1992, época da realização, no Rio de Janeiro, da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Eco-92. Para suprir a carência de informações que havia sobre o Terceiro Setor, o Mater Natura elaborou e editou relação de 1.891 instituições: 1.533 ONGs e 358 órgãos governamentais. “Fomos pioneiros num tempo em que não havia internet e eram poucos os computadores pessoais”, conta o biólogo.

Ficha

Área de atuação Meio Ambiente

Nº de funcionários com carteira assinada ou autônomos 4

Orçamento anual R$ 329.166,61

Percentual doado pelo maior patrocinador não informado

Existe formalmente há mais de 5 anos? Sim

Possui alguma atuação que busque influenciar as políticas públicas? Sim

Publica prestação de contas periodicamente no site? Sim

Site www.maternatura.org.br

Fonte: INSTITUTO PHI

* Este material foi criado automaticamente através da ferramenta Banco de Organizações do Instituto Phi e é exclusivamente baseado nas informações enviadas pela organização cadastrada. O Instituto Phi não provê, através da criação deste material, nenhum tipo de certificação ou recomendação da organização cadastrada, nem mesmo da veracidade das informações aqui dispostas.


Escrito por Fernanda Portugal

Fernanda Portugal é carioca, formada em Jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ. Já foi editora de Saúde, Mundo, Meio Ambiente e Cidade do jornal 'O Dia'. Como repórter, no mesmo jornal, fazia matérias com temas ligados aos Direitos Humanos e ganhou o Prêmio SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) três vezes.

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