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Hospital flutuante na Amazônia

Projeto Saúde e Alegria


Eugenio, do projeto Saude e Alegria. Foto de divulgacao
O médico sanitarista Eugênio Scannavino, fundador do projeto Saúde e Alegria, recebe pacientes  a bordo do hospital-navio. Foto de divulgação

Mais conhecido pela resistência à construção de hidrelétricas e pelas belezas naturais de Alter do Chão – que já levou o título de Caribe Brasileiro, do jornal inglês The Guardian –, o Rio Tapajós guarda em suas beiras iniciativa exemplar no quesito desenvolvimento econômico regional. Batizado de Saúde e Alegria, o projeto de uma ONG que completa 30 anos em 2017 atua onde os governos se ausentaram. Além de oferecer atendimento médico,  a instituição instala centros educacionais regionais, leva água e energia para comunidades isoladas.

A saúde era o principal mote dos empreendedores sociais Eugênio Scannavino Netto (médico sanitarista) e Márcia Silveira Gama (arte-educadora), contratados em 1983 pela Prefeitura de Santarém, Pará, para dar assistência à população das comunidades ribeirinhas. A dupla encontrou um cenário em que o mais urgente era a prevenção, já que muitas doenças poderiam ser evitadas com medidas simples, pesquisas, treinamento de voluntários e educação, para melhoras as condições de higiene e reduzir os altos índices de desnutrição e mortalidade infantil.

Hospital a bordo

Hospital flutuante. Foto de Divulgaco
Hospital flutuante. Foto de Divulgação

Foi assim que surgiu a ONG, com sede e Santarém, mas com equipe itinerante, que percorre a região, visitando as comunidades ribeirinhas, em um barco de madeira de dois andares, equipado com consultório médico. A trupe formada por médicos e voluntários – em assistência social, saúde e educação – chega aos vilarejos levando música, show de palhaço, treinamento e consultas médicas.

Palhaço do projeto Saude e Alegria. Foto de Divulgacao
Palhaço. Foto de Divulgação

Ao longo das décadas, no entanto, o Projeto Saúde e Alegria (PSA) foi agregando muito mais do que apenas inciativas de prevenção e saúde comunitária. A experiência se consolidou, gradualmente, numa proposta de desenvolvimento comunitário integrado, iniciada em 16 comunidades piloto e que, a partir dos anos 2000, começou a se multiplicar de forma horizontal, expandindo-se para novas áreas, com a gestão compartilhada com os próprios moradores das comunidades.

“Nós entendemos que nada adiantava chegar na comunidade e ditar regras, implementar programas sociais ou aplicar assistência para curar doenças. Era preciso ouvir o que a população queria, entender a fundo o problema de cada uma delas e agir após a identificação desse foco. Foi dessa maneira que conseguimos diminuir em grande parte a mortalidade infantil ou o número de vítimas de doenças ligadas a saneamento”, conta Scannavino,  criador do projeto e principal coordenador da ONG, atualmente ao lado do irmão Caetano.

Hoje, o PSA atua diretamente em quatro municípios da região oeste do Pará – Santarém, Belterra, Aveiro e Juruti, beneficiando cerca de 30 mil pessoas, distribuídas em mais de 150 comunidades ribeirinhas. E se tornou referência como instituição fomentadora de programas de desenvolvimento sustentável.

A mais recente dessas ações – que não se restringem apenas às comunidades instaladas na beira do Rio Tapajós, mas também em um de seus principais afluentes, o Rio Arapiuns – foi a instalação do sistema de abastecimento de água potável para uso doméstico na Aldeia Solimões, comunidade indígena com 44 famílias e 278 pessoas, sendo 57 crianças de até 11 anos, e 44 jovens, entre 12 e 18. É o 36º microssistema de abastecimento e gestão comunitária feito com mutirões de moradores e apoio técnico do Projeto Saúde e Alegria. Pelo projeto, desde 1996, já foram instalados 130 quilômetros de encanamento hidráulico subterrâneo, beneficiando 2.288 famílias e cerca de 12 mil moradores.

Água boa

Na região do Baixo Tapajós, na Amazônia, onde vivem essas famílias, o consumo inadequado de água do rio – contaminada por diferentes fontes – é responsável pela grande incidência de doenças primárias e pela mortalidade infantil por viroses e diarreias agudas. Não há serviço público de abastecimento de água potável encanada para uso doméstico aos povos da floresta, muito menos coleta de esgoto e lixo. A instalação desse sistema de abastecimento – viabilizada pelo Saúde e Alegria, com parcerias de universidades, instituições e investidores – foi possível também por conta de outro projeto da ONG: o acesso à energia limpa. Nos primeiros microssistemas de abastecimento de água planejados pelo Saúde e Alegria, a utilização de diesel para bombear a água dos poços era a única saída. Mas avanços tecnológicos permitiram que os mais novos sistemas passassem a  utilizar energia solar.

Em parceria com o Instituto de Energia e Ambiente — IEE/USP e Usinazul, o microssistema de Solimões é o primeiro feito na Amazônia usando um modelo solar flexível que dispensa a necessidade de baterias, mas garante uma alternativa de uso de diesel em caso de necessidade. Além da assessoria técnica do IEE/USP, a PHP Solar doou componentes elétricos difíceis de encontrar no mercado na região amazônica. Detalhe: toda a instalação desses sistemas foi participativa, integrando as comunidades. “Criar um modelo de construção participativa, além de baratear o custo, envolve e engaja a comunidade”, comenta Carlos Dombrovski, coordenador de saneamento do PSA.

Ficha

Área de atuação Meio Ambiente, Saúde, Empreendedorismo,  Educação, Cultura e Comunicação

Nº de funcionários com carteira assinada ou autônomos 48

Orçamento anual R$ 4.186.143,00

Percentual doado pelo maior patrocinador 20%

Existe formalmente há mais de 5 anos? Sim

Possui alguma atuação que busque influenciar as políticas públicas? Sim

Publica prestação de contas periodicamente no site? Sim

Site www.saudeealegria.org.br

Fonte: INSTITUTO PHI

* Este material foi criado automaticamente através da ferramenta Banco de Organizações do Instituto Phi e é exclusivamente baseado nas informações enviadas pela organização cadastrada. O Instituto Phi não provê, através da criação deste material, nenhum tipo de certificação ou recomendação da organização cadastrada, nem mesmo da veracidade das informações aqui dispostas.


Escrito por Kelly Lima

Kelly Lima

Kelly Lima é paulista, mas há 14 anos no Rio já se considera um pouco carioca. Formada em jornalismo pela Unesp, especializou-se na área econômica, atuando na cobertura da área de energia por mais de uma década na Agência Estado. Também atuou mais recentemente na área de desenvolvimento econômico e social do BNDES e do Governo do Estado do Rio. Sócia da Alter Comunicação, que produz conteúdo informativo para instituições e empresas, entre elas o CEBDS.

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