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É tempo de falar sobre políticas

Ativismo jovem passa por pensar e agir de modo interativo, participante e inclusivo


Manifestação de estudantes de escolas ocupadas em São Paulo
Manifestação de estudantes de escolas ocupadas

Como é bom ver a mobilização e participação social nas cidades. Ver os jovens falando sobre política. Ver grupos se organizando em coletivos e, todos juntos, tomando consciência de que a política interfere diretamente em nossas vidas.

Venho pensando em tudo que temos vivido nos últimos tempos. E, o que vejo nas ruas, o que ouço nas conversas informais, e ao que assisto nas escolas e universidades, me leva a concluir que, apesar de o país estar assistindo a cenas lamentáveis de obscuridade, corrupção e manipulação política; um novo Brasil vem nascendo, levantando bandeiras, defendendo reivindicações sociais e pregando novos paradigmas. Enfim, uma busca por pensar e agir no mundo de modo interativo, participante e inclusivo. E, sobretudo, adotando estratégias diferentes do confronto e da exclusão.

Os coletivos com seu jeito de incluir e articular as pessoas para modos criativos e de participação voltados, sobretudo, para um “modus vivendi” na música, na alimentação sustentável e orgânica, nos ateliês e espaços coletivos de arte, nas creches parentais, nas participações nas ruas, nas ocupações nas escolas e nos espaços públicos…

Os movimentos de performances pelas ruas através da arte, o “iluminaço” em Brasília, onde, participantes com velas e lanternas iluminaram o Congresso Nacional para afastar as trevas e o obscurantismo, as mulheres defendendo a não violência ao corpo e alma feminina, as crianças e seus responsáveis na Ocupação do Capanema.

A política nas ruas hoje inclui as ocupações nas escolas. São mais de 230 colégios públicos ocupados em todo o país, envolvendo sete estados brasileiros. Os estudantes questionam o formato das aulas e a gestão na instituição, assim como a atitude deles próprios e a participação na sociedade.

Ao criarem equipes de revezamentos nas escolas ocupadas para cuidar da limpeza e da manutenção dos equipamentos eles mostram um zelo pelo patrimônio público que o estado não vem honrando

Nas conversas em rodas de estudantes, eles relatam que, nas escolas, ocorrerem muitas brigas, o que gera desconforto. Relatam caso de professores que xingam seus próprios alunos, que negligenciam as brigas, as agressões e o bullying. A escola, na visão desses jovens, virou um lugar inseguro e o, pior, que gera angústia, no lugar de promover o acolhimento. Eles querem ser ouvidos e querem também escolas com computadores funcionando, banheiros limpos, sala de leitura com livros. Eles querem escolas vivas e ativas.

Nas rodas de conversas com crianças, jovens, famílias e universitários, os temas passam por violação dos direitos, abuso sexual, homofobia, bullying, ocupação dos territórios, mobilidade urbana, saúde, educação de qualidade e segurança.

A sociabilidade juvenil está sendo repensada, e os jovens estão propondo uma profunda transformação social, o que vem gerando o empoderamento juvenil, o que, no final das contas, é um instrumento de potentes articulações e ativismos. Ao criarem equipes de revezamentos nas escolas ocupadas para cuidar da limpeza e da manutenção dos equipamentos eles mostram um zelo pelo patrimônio público que o estado não vem honrando.

É importante que nos sintamos responsáveis pelo nosso entorno, pela nossa vida política e cidadania. Uma cidade educadora, que seja inclusiva e se volte integralmente para a convivência de seus habitantes, para que todos tenham seu direito à cidade garantido, que cresçamos juntos. Conceber a cidade como um espaço educador pode ser uma forma de reduzir desigualdades e aprofundar a democracia.


Escrito por Lolla Azevedo

Lolla Azevedo

Pedagoga e geógrafa, coordenadora de pesquisa e diretora da Ong Arte de Educar no Rio de Janeiro. Com MBA em Formação Holística, é especializada em educação infantil, currículos e aprendizagens. Desenvolve estudos e práticas pedagógicas da creche ao ensino superior, incluindo a educação de jovens e adultos e cursos profissionalizantes em espaços educativos formais e não formais.Tem interesse por temas relacionados a arte de viver, fotografias e conversar com as pessoas é quase um hobby.

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