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5 razões para entender a importância de Judith Butler

Expoente da Teoria Queer, filósofa defende que gêneros são construções sociais


Judith Butler: pensadora é referência sobre gênero/ Foto: UC Berkeley
Judith Butler: pensadora é referência sobre gênero/ Foto: UC Berkeley

O evento já está esgotado, mas sua principal atração está sob ataque de grupos conservadores, que organizaram um abaixo-assinado pedindo o cancelamento de sua vinda ao Brasil. Quem provoca tamanha ira? A filósofa e professora da Universidade da Califórnia Judith Butler, que dará palestra no seminário “Os Fins da Democracia / The Ends Of Democracy”, no Sesc Pompeia, em São Paulo, no próximo dia 7. A conferência vai debater a onda de movimentos populistas pelo mundo e os desafios que isso representa para a democracia liberal. Embora o tema do debate seja político, Butler despertou a raiva por ser uma das “propagadoras da ideologia de gênero”.  Veja abaixo cinco motivos que justificam a importância da filósofa:

1. Ela é uma das pensadoras da Teoria Queer. Para a teoria, ninguém nasce “homem” ou “mulher”, mas aprende a desempenhar esses papeis. Ou seja, a teoria sustenta que os gêneros são socialmente construídos.  Ela começou a se consolidar nos anos 1990, com a publicação do livro “Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade”, de Judith Butler. Para a pensadora, haveria “tecnologias de gênero”, ou seja, técnicas que determinam como um indivíduo vai viver em sociedade segundo normas específicas de “ser homem” ou “ser mulher”, reforçando o binarismo. Butler, ao contrário, acredita que a identidade deve ser vista como livre e flexível. Resulta daí sua crítica ao feminismo (item 3 da lista)

2. Ela contribuiu para dar visibilidade ao termo queer. Mas, afinal, o que é queer? A palavra teria se originado no século XVI, segundo o dicionário Oxford  Mas seu uso relacionado ao homossexualismo remete ao século XIX, quando passou a ser usada de forma pejorativa. Por volta de 1980, entretanto, a comunidade gay passou a usá-la deliberadamente para dela se apropriar e reverter seu sentido negativo. (Uma curiosidade: nas histórias de Sherlock Holmes, havia uma rua imaginária chamada Queer Street, onde viviam as pessoas com dificuldade, especialmente financeiras.  Outra curiosidade: o primeiro ilustre a ser chamado de queer teria sido Oscar Wilde, preso em 1895, por “atos indecentes”. Um pedaço do teto da cela onde ficou preso virou parte da exposição Queer British Art, este ano, na Tate Britain, em Londres). Com a obra de Butler, o termo ganhou visibilidade acadêmica

Foto: European Graduate School
Judith Butler: críticas construtivas ao movimento feminista /Foto: European Graduate School

3. Ela desconstruiu o feminismo, contribuindo para a sua renovação. Um dos problemas do feminismo, para Judith Butler, estaria na construção da categoria “mulheres”. Para a pensadora, a identidade não deve ser pensada no singular, mas, sim, no plural. Por isso, ela também considera limitadas as categorias “homossexual” e “heterossexual”. Tais categorias resultariam em regulação e exclusão social. Outro problema seria a visão do movimento feminista de que o sexo seria um fator biológico e o gênero, cultural.  Para Butler, tanto o sexo quanto o gênero são culturalmente construídos por um discurso regulador. Para ela, a suposta obviedade do sexo como natural e biológico atesta o quanto ela está enraizada no discurso

4. Ela milita em movimentos feministas, anti-bélicos e gays.  Apesar de apontar para o problema da divisão sexo/gênero do movimento feminista e da redução da pluralidade de mulheres à categoria “mulher”, Butler reconhece a importância dos movimentos em prol das minorias para a luta política na atualidade e se assume como feminista. Ela já fez parte do International Gay and Lesbian Human Rights Comission, participou do Occupy Wall Street, apoia o casamento gay, ações afirmativas e se manifestou contra as guerras do Iraque e do Afeganistão

5. Ela é contra a política de Israel para a Palestina. Mesmo tendo ascendência judia, Butler combate abertamente a política israelense na Palestina e afirma que Israel não representa todos os judeus tampouco a opinião de todos. Quando recebeu, em 2012, o prêmio Adorno – em homenagem ao teórico de origem judaica da Escola de Frankfurt , enfrentou protestos da comunidade judaica na Alemanha e até do embaixador de Israel


Escrito por Adriana Barsotti

Adriana Barsotti

É jornalista com mais de 20 anos de experiência nas redações de O Estado de S.Paulo, IstoÉ e O Globo, onde ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo com a série de reportagens “A História Secreta da Guerrilha do Araguaia”. Trocou a redação pela vida acadêmica para estudar as transformações no cenário da mídia e escreveu o livro “Jornalista em mutação: do cão de guarda ao mobilizador de audiência”. É doutora em Comunicação pela PUC-Rio e professora da ESPM. Acredita (muito!) no futuro da profissão. E-mail: barsotti.adriana@gmail.com

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6 Comentários

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  1. Matéria super oportuna, mas me incomoda falar em teoria queer no singular. Existem diversos autores com visões contraditórias. Inclusive Judith Butler é muito criticada por certos autores. Dito isso, o debate é fundamental numa sociedade democrática e que preza o conhecimento!

  2. Esta claro que esta Judith não aprendeu nada sobre ser mulher, ser judia ou sobre encontrar seu lugar no mundo. Basta olharmos para sua figura da pra entender o porquê da dificuldade. Mas ela se recusa a aceitar que tem dficuldades, compreensivel, e prefere questionar o resto do mundo. Ô geração de fracassado-rejeitados, quanto ódio, hem? E ainda prestam atenção nisso.

  3. Confundir biologia com o papel social do individuo.
    Só existem dois generos masculino e feminino
    Freud tenta explicar a confusao do papel na siciedadede de individuos inconformados por possuir ou não o falo.

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