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Cientista, substantivo feminino

Projeto desenvolvido por professoras da Ufam busca atrair e dar apoio a mulheres na área de ciência e tecnologia


Adolescentes e meninas interessadas em tecnologia e ciência durante workshop do Projeto Cunhantã: para incentivar vocações femininas no setor (Foto: Divulgação)
Adolescentes e meninas interessadas em tecnologia e ciência durante workshop do Projeto Cunhantã: para incentivar vocações femininas no setor, mas os rapazes são bem-vindos (Foto: Divulgação/Icomp)

A média nacional de 15% de mulheres nas faculdades de computação país afora não é diferente no Instituto de Computação da Universidade Federal do Amazonas (Icomp/Ufam). Mas, desde 2015, um grupo de professoras busca estimular e inspirar vocações à área com o projeto Cunhantã Digital. “É um trabalho de formiguinha, mas em que entramos de cabeça para inspirar meninas a profissões de futuro na área de ciência e tecnologia”, destaca a diretora do Icomp e coordenadora do Cunhantã – garota em tupi-guarani – Digital, Tanara Lauschner.

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O Icomp da Ufam tem dois cursos e um deles, o de Ciências da Computação, foi elencado como o melhor do país no último Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). E os cursos de mestrado e doutorado têm ambos a nota máxima, 5, do QUALIS da CAPES, estando entre os 10 melhores programas de pós graduação do Brasil. Em 2017, houve um aumento de 27% no número de meninas em Ciências da Computação em 2017 sendo que 1/3 delas disse ter sido alcançada por algum programa de incentivo.

O Cunhantã Digital começou em 2015 após Tanara e outras professoras do Icomp participarem do SciTech Girls, um treinamento de mulheres feito pela Ufam para participar de olimpíadas de computação, financiados pela Microsoft. “Percebemos que havia ali uma ideia que poderia ser perene, não só para treinamento para olimpíadas, mas para alcançar as meninas antes da faculdade, para mostrar as profissões na área e estimular vocações”, conta Tanara, que é doutora em Computação pela PUC do Rio.

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Dos mais de 580 mil profissionais de TI que atuam no Brasil, apenas 20% são mulheres, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Na Região Norte, estima-se que os números sejam ainda menores. Mas os cursos da Universidade Federal do Amazonas mostram o empenho feminino. Apesar de o número de alunos que entra nos cursos de graduação de Ciência da Computação, Engenharia de Computação e Sistemas de Informática ser praticamente o triplo do número de alunas, o número de formandos do sexo feminino anualmente é maior do que o do sexo masculino. Na pós-graduação, também há uma grande maioria de homens que começam o curso e um equilíbrio entre homens e mulheres ao final.

O Cunhantã é um evento apoiado pelo Women in Information Technology (WIT), evento satélite do Congresso da Sociedade Brasileira de Computação (CSBC), e pelo projeto Meninas Digitais, também da SBC, voltado para meninas do ensino médio, além do SciTechGirls do Icomp.

Uma das frentes de atuação do Cunhantã Digital são workshops em escolas de nível fundamental e médio para falar sobre a profissão e noções de linguagem de programação. “São profissões ainda novas e a maioria das pessoas não tem noção da quantidade de área de atuação diferentes”, destaca. Embora voltada às meninas, os garotos também são bem-vindos nestas oficinas.

Outra frente é na universidade, de acolhimento, sessões de mentoria e oficinas para as mulheres que ingressaram nas faculdades da área. “O ambiente ainda é majoritariamente masculino e é necessário que tenhamos apoio em todos os sentidos para as meninas se sentirem acolhidas e seguras”, defende Tanara. De acordo com a professora, um dado interessante é que, apesar de serem em número menor, proporcionalmente, o curso tem formado mais mulheres que homens.

Atividade do Projeto Cunhantã em Manaus com alunas e alunos: eles são maioria no começo dos cursos, mas elas se formam em maior número (Foto: Divulgação/Icom)
Atividade do Projeto Cunhantã em Manaus com alunas e alunos: eles são maioria no começo dos cursos, mas elas se formam em maior número (Foto: Divulgação/Icom)

Durante uma palestra numa Feira do Estudante do Cunhantã Digital Thayná Rosa Silvestre, de 17 anos, caloura em Ciências da Computação da Ufam, teve certeza de que era a área que queria. “Saí dali com a certeza do que queria cursar”, diz. Para ela, programas como o Cunhantã Digital durante a vida universitária lhe dão segurança de ter “para onde correr” em busca de mentoria ou aconselhamento ao mercado.

Elizamara Karina Almeida Nascimento, de 20 anos, também teve certeza que queria estudar na área depois de uma oficina do Cunhantã Digital em sua escola. “Eu gostava da área de exatas e estava procurando um curso onde me encaixasse e foi quando decidi por ciências da computação”, diz a estudante do 3º período de Ciências da Computação na Ufam.

A estudante não gosta de comentar momentos em que se sentiu discriminada por ser mulher fazendo ciências da computação. “Acho até que me fortaleço, tive alguns momentos desagradáveis e hoje não mais”, diz. Para ela, o Cunhantã Digital presente na Ufam é muito importante. “Para lembrar que a gente tem de pensar que às vezes nós mesmas nos diminuímos ou pensamos que não podemos”.

28/100 A série #100diasdebalbúrdiafederal pretende mostrar, durante esse período, a importância  das instituições federais e de sua produção acadêmica para o desenvolvimento do Brasil.

 

 


Escrito por Liege Albuquerque

Liege Albuquerque é jornalista e mestre em Ciências Políticas (USP). É professora de jornalismo e publicidade na Uninorte/Laureate em Manaus, de onde faz freelances para diversos veículos. Foi repórter e editora de cidades e política em jornais como A Crítica, Amazonas em Tempo e Diário do Amazonas (em Manaus), Folha de S. Paulo e Veja (em São Paulo), O Globo e O Estado de S. Paulo (em Brasília). Trabalhou por oito anos como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Amazonas. É autora de dois livros infantis e tem um blog sobre maternidade com outras jornalistas:o maescricri.

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