Placentas: novo habitat para microplásticos

Biólogos analisam microplásticos encontrados na água e em seres marinhos no mar da Grécia (Foto: Louisa Goulamaki/AFP – 26//11/2019)

Estudo detecta partículas tanto no lado fetal e maternal e como na membrana dentro da qual o feto se desenvolve

Por José Eduardo Mendonça | ODS 14ODS 3 • Publicada em 1 de fevereiro de 2021 - 09:58 • Atualizada em 11 de fevereiro de 2021 - 16:14

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Biólogos analisam microplásticos encontrados na água e em seres marinhos no mar da Grécia (Foto: Louisa Goulamaki/AFP – 26//11/2019)

Pela primeira vez acharam partículas de microplástico nas placentas de fetos, o que para os pesquisadores é uma “questão de grande preocupação”. Ainda não se conhece o impacto dos microplásticos para a saúde do corpo humano. Mas, segundo, cientistas eles podem transportar substâncias químicas que causariam danos de longo prazo ou prejudicar o desenvolvimento do sistema imunológico dos fetos. As partículas provavelmente foram consumidas ou respiradas pelas mães.

As partículas foram descobertas nas placentas de quatro mulheres saudáveis que tiveram gravidez e partos normais. Elas foram detectadas tanto no lado fetal e maternal e na membrana dentro da qual o feto se desenvolve.

Foram encontradas uma dúzia de partículas de plástico. Mas foram examinados apenas 4% de cada placenta, o que sugere que o número total de microplásticos é muito maior. Todas elas eram azuis, vermelhos, laranja ou cor-de-rosa e originalmente podem ter vindo de embalagens, tintas ou cosméticos e produtos de cuidado pessoal.

Os microplásticos tinham em sua maioria 10 microns de tamanho (0,01mm), pequenos o bastante para serem transportados pela corrente sanguínea. “É como ter um bebê cyborg: não mais composto de células humanas mas uma mistura de entidades biológicas e inorgânicas”, disse Antonio Ragusa, diretor de ginecologia e obstetrícia do hospital Sangiovanni Calibita Fatebenefratelli, em Roma, que conduziu o estudo. “As mães ficaram chocadas”

No estudo, publicado na Environment International, os pesquisadores concluem: “Devido ao papel crucial da placenta em apoiar o desenvolvimento do feto e de agir como uma interface com o ambiente externo, a presença de partículas é uma questão de grande preocupação. Temos de fazer mais exames para verificar se a presença dos microplásticos potencialmente daninhos podem provocar respostas do sistema imunológico ou levar |à liberação de contaminantes, resultando em danos”.

Em outubro, cientistas já haviam revelado que bebês que se alimentavam com mamadeira engoliam milhões de partículas por dia. Efeito semelhante foi causado pela exposição ao ar produzido pelo trânsito e a queima de combustíveis fósseis. |Foi usada a microspectrocopia. A técnica é utilizada para analisar e identificar diversas espécies de moléculas em substâncias.

Foram encontrados 12 fragmentos de microplástico de tamanhos diversos em quatro das seis placentas examinadas. Três dos fragmentos foram identificados como polipropileno, o segundo tipo de plástico produzido depois do polietileno, usado na produção de produtos plásticos sólido

Embora ainda não se saiba sobre os efeitos dos microplásticos no corpo humano, sabe-se que causam perturbações endócrinas que podem ter consequências de longo prazo.

Microplásticos são transportados por vento e água, assim como outros processos tanto naturais quanto humanos, e são despejados no oceano em quantidades excessivamente grandes

A poluição de plástico é disseminada e suas partículas foram encontradas em todas as partes do mundo, como no topo do Monte Everest.

José Eduardo Mendonça

É jornalista, com passagens por publicações como Exame, Gazeta Mercantil, Folha de São Paulo, e criador da revista Bizz e do suplemento Folha Informática. Vem nos últimos anos se dedicando aos temas ligados à sustentabilidade e foi pioneiro ao fazer, para o Jornal da Tarde, em 1976, uma série de matérias sobre energia limpa.

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