ODS 1
Brasil protesta na ONU e nas ruas contra ação militar dos EUA na Venezuela


No Conselho de Segurança, embaixador brasileiro diz que "os fins não justificam os meios"; São Paulo e Rio tem manifestações contra Trump


O governo brasileiro condenou duramente, no Conselho de Segurança da ONU a ação armada dos Estados Unidos na Venezuela, assim como o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira dama Cilia Flores, no último sábado (3/1). “O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos ter deixado para trás e coloca em risco o esforço coletivo de preservar a região como uma zona de paz”, afirmou Sérgio França Danese, embaixador do Brasil na ONU, durante a reunião do conselho nesta segunda-feira.
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O diplomata enfatizou que ação determinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, coloca a paz na América do Sul em risco, lembrando que intervenções armadas anteriores no continente resultaram em regimes autoritários, violações de direitos humanos, mortes, prisões políticas, tortura e desaparecimentos forçados. “Reafirmamos com plena determinação o compromisso com a paz e a não intervenção em nossa região”, enfatizou o embaixador Sergio Danese, em discurso na sede da ONU, em Nova York, mesma cidade onde Maduro e a mulher estão presos.
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Veja o que já enviamosPara o Brasil, os Estados Unidos cruzaram uma “linha inaceitável” do ponto de vista do direito internacional. Danese afirmou que a ação norte-americana viola frontalmente normas das Nações Unidas. “A Carta da ONU estabelece como pilar da ordem internacional a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas. Essas normas não admitem que a exploração de recursos naturais ou econômicos justifique o uso da força ou a mudança ilegal de um governo”, disse Danese.
O representante brasileiro afirmou que o futuro da Venezuela deve ser decidido exclusivamente pelo seu povo, por meio do diálogo e sem interferência externa, dentro do marco do direito internacional. “O mundo multipolar do século XXI, que promove a paz e a prosperidade, não deve ser confundido com esferas de influência. Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, disse o embaixador.
O embaixador brasileiro reiterou que ações como essa realizadas pelos Estados Unidos ameaçam o mundo com violência, desordem e erosão do multilateralismo. Segundo considera, essas decisões podem prejudicar o direito e as instituições internacionais. Para Danese, há evidentes efeitos do enfraquecimento dos mecanismos de governança e cooperação internacionais com a ampliação dos conflitos armados. “A América Latina e o Caribe fizeram da paz uma escolha consciente, duradoura e irreversível”, destacou o embaixador brasileiro, ressaltando, no discurso, que a situação é inédita e “profundamente alarmante”.
Outros países latino-americanos adotaram argumentos semelhantes ao do Brasil, ao condenar as ações dos Estados Unidos na Venezuela no último final de semana. Entre eles Colômbia e Cuba, ameaçados recentemente pelo presidente Donald Trump como possíveis novos alvos de Washington.
A embaixadora colombiana Leonor Zalabata Torres disse que os EUA violam o direito internacional e a soberania venezuelana. “Não existe justificativa alguma, em nenhuma circunstância, para o uso unilateral da força nem para cometer um ato de agressão”, disse Torres, alertando para para os impactos humanitários e regionais da crise. “Ações unilaterais contrárias ao direito internacional colocam em risco a estabilidade regional e agravam as já complexas condições da população civil, com efeitos devastadores que transcenderão as fronteiras soberanas da Venezuela”, disse Torres.
O embaixador cubano na ONU, Ernesto Soberón Guzmán acusou os Estados Unidos de terem como objetivo principal o controle da produção de petróleo venezuelano. “O objetivo final dessa agressão não é a falsa narrativa de combate ao narcotráfico, mas o controle das terras e dos recursos naturais da Venezuela, como foi declarado aberta e descaradamente pelo presidente Trump e por seu secretário de Estado”, disse Guzmán.


Ataque à Venezuela gera protestos em São Paulo e Rio
Em protesto em frente ao Consulado dos Estados Unidos em São Paulo, militantes de movimentos sociais e sindicalistas lideraram uma manifestação na tarde desta segunda-feira (5/1), para defender a autonomia da Venezuela, a busca pela paz, o respeito e solidariedade ao governo e povo venezuelanos e libertação de Nicolás Maduro e Cília Flores.
“A gente veio para esse ato hoje não só para demonstrar nossa solidariedade ao povo venezuelano, mas para conseguir colocar a posição dos estudantes e da classe trabalhadora em relação aos ataques imperialistas, em especial dos Estados Unidos. O imperialismo, independente de qual país que seja, se coloca numa posição de dominação dos países, em especial os da periferia do capitalismo”, disse a universitária Bianca Mondeja, estudante de Gestão de Políticas Públicas da USP e integrante da direção da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Integrante da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro defendeu a soltura imediata do presidente Maduro. “Estamos aqui solidários ao povo venezuelano em defesa da soberania e exigindo a soltura imediata do presidente Maduro. Porque na verdade é o continente, são as democracias no mundo que estão ameaçadas. E nós, muito particularmente, em função daquilo que o próprio Trump, sem meias palavras, diferente inclusive de outros, disse diretamente”, destacou o dirigente do MST no protesto em São Paulo, marcado pela queima da bandeira dos Estados Unidos e por gritos de palavras ordem que pediam o fim das intervenções estrangeiras na região.


No Rio de Janeiro, manifestantes se concentraram na Cinelândia, no centro da cidade, em ato que integrou a jornada nacional de mobilizações em solidariedade à Venezuela. O protesto reuniu estudantes e militantes de movimentos populares. O presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Hugo Silva, participou do ato e afirmou que a juventude não aceitará qualquer tentativa de submissão da América Latina aos interesses dos Estados Unidos. “A América Latina não se rende. Hoje, ela se coloca de pé para defender a sua soberania”, declarou o líder estudantil. “Donald Trump tem que tirar as suas patas e as suas mãos sujas de sangue da América Latina”, adicionou.
Além de São Paulo e Rio, foram registrados atos de protestos também em Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Porto Alegre, Florianópolis, São Luís, Aracaju e Fortaleza
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Agência Brasil
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