Temporais matam pelo menos 37 em Minas e deixam centenas de desabrigados

Bombeiros ainda procuram por mais de 30 desaparecidos em Juiz de Fora, município mais atingido pelas chuvas, que enfrenta o mês mais chuvoso de sua história

Por #Colabora | ODS 13
Publicada em 25 de fevereiro de 2026 - 11:00  -  Atualizada em 25 de fevereiro de 2026 - 11:52
Tempo de leitura: 7 min

Soldados do Corpo de Bombeiros e voluntários fazem busca e resgate de pessoas em escombros de casas soterradas por lama após fortes chuvas em Juiz de Fora: mais de 30 mortos em Minas (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Depois de dias de fortes chuvas em Minas Gerais, novos intensos temporais atingiram Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata mineira, provocando pelo menos 37 mortos até a manhã desta quarta-feira (25/02). A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros ainda tentam localizar 33 pessoas que continuam desaparecidas na região. Pelo menos seis estudantes, entre eles uma menina de cinco anos, estão entre as vítimas fatais em Juiz de Fora.

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Nesta terça-feira (24/02), Juiz de Fora, a cidade mais atingida, onde 30 pessoas morreram e três mil estão desabrigadas, decretou estado de calamidade pública, e as aulas foram suspensas em todas as escolas da rede municipal. A Defesa Civil determinou a evacuação de mais 600 famílias. Com a tempestade, Juiz de Fora acumulou 584 milímetros de chuva no mês, o que faz deste fevereiro o mês mais chuvoso da história do município mineiro, com volume superior ao dobro do esperado para o período.

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Em Ubá, segundo o Corpo de Bombeiros, sete pessoas morreram. O rio que corta a cidade transbordou na noite de segunda-feira (23), e a Avenida Beira Rio ficou tomada pela água. A prefeitura da cidade informou que a cidade foi atingida por 170 milímetros (mm) de chuva em cerca de três horas e meia de tempestade. Na vizinha Matias Barbosa, a prefeitura também decretou estado de calamidade pública devido à enchente que atingiu o município.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o avanço de uma nova frente fria poderá provocar mais chuvas intensas, inicialmente na Zona da Mata e Sul/Sudoeste de Minas até o fim de semana. Diante do solo já encharcado, a recomendação do instituto é atenção redobrada para risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos, especialmente em áreas vulneráveis.

Em Juiz de Fora, o trabalho de resgate do Corpo de Bombeiros varou a madrugada nos locais mais atingidos e continua nesta quarta-feira (25/02). Segundo o subcomandante do 4º Batalhão, Demétrios Bastos Goulart, o efetivo foi ampliado para dar conta das buscas pelos desaparecidos. “Aqui no Parque Jardim Burnier (um dos bairros mais atingidos), começamos com 12 militares, estamos com 25 agora. Estamos com um cão farejador também. É um trabalho ininterrupto, com parede de iluminação, equipamentos e revezamento de equipes. Vamos manter a área isolada, porque há novos riscos de deslizamentos, principalmente nas encostas”, disse o oficial à Agência Brasil.

Bombeiros trabalham para localizar desaparecidos em Juiz de Fora: fevereiro com recorde de chuva no município (Foto: Tânia
Bombeiros trabalham para localizar desaparecidos em Juiz de Fora: fevereiro com recorde de chuva no município (Foto: Tânia Rego / Agência Brasil)

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, chegou a Juiz de Fora na manhã de quarta e disse que todo suporte humanitário aos desalojados está sendo providenciado. “Em poucas horas, choveu quase o equivalente a um mês inteiro. Isso provocou deslizamentos severos”, afirmou o governador. A previsão é que o trabalho dos bombeiros ainda deve durar até cinco dias. Há muito escombro, muita lama para ser removida”, acrescentou Zema.

Na tarde de terça (24/02), o governo federal anunciou um repasse de R$ 800 a cada pessoa desabrigada na Zona da Mata de Minas Gerais. Os recursos serão pagos às prefeituras para a aquisição de itens de primeira necessidade. “Nós temos centenas de pessoas desabrigadas. Esta verba é para a prefeitura para comprar colchão, mantimento, roupa, enfim, para apoiar”, afirmou o presidente em exercício, Geraldo Alckmin.

Os temporais também causaram estragos em outros estados do Sudeste. Em São Paulo, a Defesa Civil informou que já são 300 pessoas desabrigadas e outras 113 desalojadas devido aos temporais em Natividade da Serra, entre o Vale do Paraíba e o litoral norte do estado. Cidades do litoral paulista – onde houve dezenas de mortes em fevereiro de 2023 – também enfrentam alagamentos e deslizamentos, e rodovias como a Anchieta e a Tamoios sofreram interdições. cidade de Peruíbe, na Baixada Santista, registrou, em três dias, mais chuva do que o esperado para todo o mês de fevereiro: quase 400 pessoas estão desabrigadas.

Na Baixada Fluminense, fortes chuvas desalojaram pelo menos 600 pessoas e mataram uma aposentada de 85 anos em São João de Meriti. A cidade está no 5º estágio de alerta, o mais alto da escala. Sirenes foram acionadas nos bairros Venda Velha, Travessa Itacaré e Coelho da Rocha. No Espírito Santo, os temporais também causaram inundações principalmente no sul capixaba. De acordo com a previsão do Inmet, os estados de Minas Gerais e Espírito Santo devem receber os maiores volumes de chuva durante esta semana.

O Instituto Nacional de Meteorologia divulgou alerta especial de grande perigo para chuvas até as 23h59min de sexta-feira (27) na Zona da Mata de Minas Gerais, região mais afetada pelos temporais. Segundo o Inmet, a chuva será superior a 60 milímetros por hora ou acima de 100 mm/dia. Há elevado risco de grandes alagamentos, transbordamento de rios e grandes deslizamentos de encostas em cidades situadas nas áreas de risco.

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