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Estética negra rompe barreiras e ganha mercado

Empresária Monique Evelle e seu sócio Allan investem em trancistas e mostram que empoderar profissionais negras é fortalecer o ecossistema econômico do Brasil

ODS 12ODS 8 • Publicada em 16 de janeiro de 2026 - 10:05 • Atualizada em 16 de janeiro de 2026 - 10:14

Se olharmos para a estrutura do capitalismo brasileiro, a estética negra sempre foi tratada como uma “externalidade”: algo que o mercado consumia, mas não investia; que a publicidade usava, mas a indústria não pesquisava. O cuidado com o cabelo crespo e trançado foi, durante décadas, empurrado para as margens por um racismo estrutural que ditava que “tecnologia capilar” era um privilégio exclusivo de fios lisos.

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Mas os dados consolidados de 2025 mostram que essa barreira não apenas caiu, ela ruiu. O mercado de higiene e beleza no Brasil encerrou o último ano movimentando impressionantes R$ 242,3 bilhões, um salto de 11,2% em relação ao ano anterior. Enquanto o crescimento global do setor patina em torno de 4,6%, o apetite brasileiro por inovações em hair care (especialmente no segmento de prestígio e fórmulas tecnológicas) registrou altas de até 17%. Neste momento, o Brasil é o terceiro maior mercado do mundo – e a força motriz dessa aceleração tem cor, tem textura e tem nome.

A empresária baiana Monique Evelle: estética negra rompe barreiras e ganha mercado (Foto: Guido Ferreora / Divulgação)
A empresária baiana Monique Evelle: estética negra rompe barreiras e ganha mercado (Foto: Guido Ferreora / Divulgação)

É neste cenário de ebulição que a entrada da empresária baiana Monique Evelle como sócia da ProFix Cosméticos deve ser analisada. Não se trata de uma estratégia de marketing isolada, mas de um movimento de “smart money” em uma das maiores lacunas da economia do cuidado.

Monique conta que o que a fez apostar na marca fundada por Allan Roberto (o Allan Braids). A análise dela é cirúrgica: ela não está comprando um produto, está financiando uma mudança cultural irreversível.

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“Eu costumo dizer que não invisto em produtos, invisto em comportamentos que vieram para ficar. Porque quando algo vira comportamento, ele deixa de ser tendência e passa a fazer parte da rotina. Hoje, saúde não é mais só ausência de doença; envolve bem-estar emocional, autoestima e a forma como a pessoa se percebe no mundo. O produto da ProFix entrega performance real, e isso faz com que o consumo não seja pontual, mas recorrente. Quando o resultado aparece, o cuidado vira hábito.”

O diferencial analítico é inverter a lógica da indústria. Geralmente, as grandes marcas focam no consumidor final e ignoram quem executa o serviço. Monique e Allan entenderam que a trancista é o centro de legitimidade desse mercado. No Brasil, existem mais de 500 mil profissionais atuando na área de estética, e uma parcela gigantesca desse grupo é composta por trancistas que, até então, usavam produtos improvisados.

“Estamos falando de profissionais que sustentam um ecossistema inteiro e que, historicamente, foram pouco considerados pela indústria. Quando você melhora o produto que a trancista usa, você está cuidando da saúde do trabalho dela. Isso significa a saúde das mãos, do tempo, da postura, da energia que sobra no fim do dia. Isso impacta diretamente renda, qualidade de vida e longevidade profissional.”

A ProFix desponta para preencher o vácuo de produtos formulados especificamente para a rotina das tranças, soluções que unem performance, segurança e conforto para o couro cabeludo. Para Monique, o uso da ciência aqui é o que garante a sobrevivência da nossa memória estética.

“Inovação não é ruptura com a ancestralidade, é continuidade qualificada. A tecnologia está a serviço da performance do fio e da rotina da trancista. Já a cultura é o que orienta o como, o para quem e o porquê fazemos isso. Marcas fortes do futuro serão aquelas capazes de unir ciência e memória, performance e identidade”.

Com o investimento, a meta para 2026 é clara: expandir para o home care sem perder o selo de confiança da profissional. A logística será otimizada pela Carteiro Amigo Express, garantindo que a inteligência que nasce no salão chegue a cada casa.

Daqui a um ano, o sucesso da ProFix não será medido apenas pelo lucro (que, num mercado de R$ 242 bilhões, tende a ser alto), mas pelo quanto a empresa forçou o setor a reconhecer que fortalecer a profissional negra é, em última instância, fortalecer todo o ecossistema econômico do Brasil. 

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