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A perigosa pegada de carbono digital

Aumento de gastos de energia com tecnologia da informação leva até a França a pedir que empresas economizem no uso de e-mails


Servidores do Data Center do Facebook, na Suécia: Data Centers consomem metade da eletricidade utilizada em transportes no mundo e um por cento da demanda global (Foto: Jonathan Nackstrand/AFP)
Servidores do Data Center do Facebook, na Suécia: Data Centers consomem metade da eletricidade utilizada em transportes no mundo e um por cento da demanda global (Foto: Jonathan Nackstrand/AFP)

Recentemente, a agência reguladora de energia da França pediu a empresas que usem menos e-mails para economizar energia. Parece um contra-senso nos dias de hoje. Mas nos faz pensar: como nossos hábitos com a tecnologia digital afetam a utilização de energia e o meio ambiente?

Isso porque a energia que você usa em seu computador escrevendo um e-mail típico não é a mesma para se enviar uma mensagem. Há toda uma infraestrutura por trás de cada uma delas, que inclui não apenas a eletricidade mas toda a energia consumida para armazenar e transmitir o e-mail através dos data centers.

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Muitos pesquisadores examinaram a pegada de carbono destes tipos de tecnologia para medir seu impacto ambiental, expressado em volumes de dióxido de carbono (CO2). O uso de mais energia tende a produzir uma emissão maior de gases de efeito estufa, mas formas alternativas de energia podem reduzir esta quantidade.  A pegada destas atividades depende muito de quais empresas são usadas, já que algumas delas consomem energia de formas diferentes.

Em média, um e-mail causa a liberação de 0.3 grama de CO2, como afirma o especialista Mike Berners-Lee em seu livro How Bad Are Bananas – A Pegada de Carbono de Tudo. Um e-mail normal, segundo ele, tem a pegada de 4 gramas de CO2, o que responde pela energia dos data centers e computadores enviando, filtrando e mensagens. Um e-mail com um anexo pode chegar a 5 gramas de CO2. Um ano típico de e-mail per capita acrescenta 150 quilos de emissões, ou o equivalente a um carro rodando 300 quilômetros. Em uma escala mais ampla, os data centers no mundo responderam por 130 milhões de toneladas de CO2. Este número poderá chegar a 340 milhões de toneladas até o ano que vem.

Uma hora de streaming de vídeo emite 300 gramas por ano. O Netflix transformou sua atividade em neutra em carbono. Mas levou uma nota D do Greenpeace por ter apenas comprado excedentes de energia em vez de encorajar seus fornecedores a mudar para fontes limpas de energia. No caso de televisão, a emissão depende muito do aparelho, mas está entre 84 gramas e 240 gramas por ano.

Família usando computadores: até mesmo o envio de emails consome energia (Foto: Science PHoto Library/AFP)
Família usando computadores: até mesmo o envio de emails consome energia (Foto: Science PHoto Library/AFP)

De acordo com o Natural Resource Defence Council, apenas dois meses depois de seu lançamento, em 2014, 8 milhões de consoles de PS4 e Xbox consumiram 8 mil gigawatts-hora, responsáveis pela emissão de 3 milhões de toneladas métricas de CO2, segundo uma projeção para seu tempo de vida. É a quantia usada, por exemplo, em uma cidade como Houston, no Texas.

Data centers já usam cerca de 200 terawatts-hora de energia anualmente. Isso é  mais que o consumo de muitas países, metade da eletricidade utilizada em transportes no mundo e um por cento da demanda global. O ecossistema da tecnologia responde por mais de dois por cento das emissões mundiais, o que equivale ao setor de aviação. O consumo deverá aumentar com o uso intensivo de bitcoins, a criptomoeda.

Há ganhos no setor por aumento de eficiência, mas isto não vai durar muito. “A tendência é positiva, mas questionável em um período de cinco ou dez anos” diz Dale Sartor, supevisor do Centro de Expertise de Data Centers do Ministério de Energia dos EUA.

Talvez o dado mais impressionante do futuro da demanda de energia na tecnologia da informação seja a de Anders Andrac, que trabalha no centro de tecnologia da Huawei, na Suécia. Ele prevê que o uso de data centers de eletricidade irá aumentar em 15 vezes até 2030, representando 8% da demanda mundial.


Escrito por José Eduardo Mendonça

É jornalista, com passagens por publicações como Exame, Gazeta Mercantil, Folha de São Paulo, e criador da revista Bizz e do suplemento Folha Informática. Vem nos últimos anos se dedicando aos temas ligados à sustentabilidade e foi pioneiro ao fazer, para o Jornal da Tarde, em 1976, uma série de matérias sobre energia limpa.

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