O melhor restaurante do mundo

Não tem Olympe, Sudbrack ou Fasano que o superem

Por Leo Aversa | artigoods11 • Publicada em 1 de junho de 2016 - 08:00 • Atualizada em 1 de junho de 2016 - 11:55

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O tradicional Cirandinha fechou depois de 50 anos no mesmo lugar de Copacabana
O tradicional Cirandinha fechou depois de 50 anos de bons serviços aos moradores de Copacabana
O tradicional Cirandinha fechou depois de 50 anos de bons serviços aos moradores de Copacabana

Semana passada houve luto oficial em Copacabana. Fechou o Cirandinha, depois de cinquenta anos no mesmo lugar. Respeitáveis senhores e senhoras esguichavam lágrimas na calçada. Tem coisas que só o tempo explica.

Quando Martín nasceu, apenas seis anos atrás, já morávamos no apartamento atual. O primeiro restaurante que ele conheceu foi o Frontera, que fica no outro quarteirão. É um lugar nem mais nem menos, típico restaurante a quilo, muito prático, especialmente para quem tem filhos pequenos. Quem é pai ou mãe sabe que a maneira mais eficiente de rasgar dinheiro é levar crianças para restaurantes finos. Você paga cem reais por um prato e come às pressas porque o pimpolho exige atenção. Uma lição que todos os pais aprendem na prática, ao menos aqueles que não transformam as suas saídas num quadro de Debret. Então, quando não tínhamos paciência ou tempo de preparar o almoço, o Frontera resolvia. Para mim nunca foi nada de especial, já para o Martín é o D.O.M.

O problema é que ele passou a achar que todo restaurante funciona no mesmo esquema: você chega, olha todas as comidas prontas e põe no prato aquelas de que você mais gosta. Duas fatias de picanha, um pedaço de salmão, três colheradas de fetuccini e por cima sushi e batata frita. Não pode haver refeição mais lógica aos seis anos.

Comer fora de casa é entrar e já ir direto botar no prato o que der na telha. Os restaurantes que ele conheceu depois do Frontera, com cardápio e espera pelos pratos escolhidos, não passam de um suplício, um atentado à lógica. Suplício, é claro, que faz questão de dividir com os pais. Como assim não posso comer picanha E camarão? E sushi misturado com nhoque, não tem? Que porcaria de lugar é este que me trouxeram? Por que não fomos no Frontera?

Estamos trazendo o menino de volta à civilização aos poucos. Ele já começa a aceitar a idéia de esperar ( não mais do que quinze minutos)  pela comida. Escolher apenas um prato será a nova fase. Tirar o self service dele vai exigir bisturi e pé-de-cabra.

Quando lhe perguntam qual é o melhor restaurante do Rio a resposta vem de bate pronto e de boca cheia: o do outro quarteirão. Não tem Olympe, Sudbrack ou Fasano que o façam mudar de idéia.

Nem preciso dizer o que vai acontecer se daqui a cinquenta anos fecharem o maldito Frontera. Lá estará o Martín se debulhando em lágrimas na calçada. Vá entender…

Já eu, se estiver vivo – confio na ciência – não vou me importar nem um pouco.

Bom mesmo era o Cirandinha.

Leo Aversa

Leo Aversa fotografa profissionalmente desde 1988, tendo ganho alguns prêmios e perdido vários outros. É formado em jornalismo pela ECO/UFRJ mas não faz ideia de onde guardou o diploma. Sua especialidade em fotografia é o retrato, onde pode exercer seu particular talento como domador de leões e encantador de serpentes, mas também gosta de fotografar viagens, especialmente lugares exóticos e perigosos como Somália, Coréia do Norte e Beto Carrero World. É tricolor, hipocondríaco e pai do Martín.

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