(Texto de Cristina Chacel) – Para tudo que é carnaval. O carioca mais desiludido sai do armário e desencanta. Vai pra rua, atrás dos muitos cordões que fazem da cidade um caldeirão de irreverência e impertinência. Um encontro de devires efervescentes, encarnações inesperadas, identidades desdobradas. Blocos transbordam gente. A ordem é desarrumar, provocar, criticar, debochar, zoar. E se este ano não será igual àquele que passou, muito se deve a artistas quase anônimos, intérpretes acidentais, incidentais e casuais da fuzarca. Os compositores dos blocos de rua.
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Veja o que já enviamosNas escolas de samba eles são autoridade. Reúnem-se em alas reverenciadas em suas respectivas comunidades. Nos blocos, o enredo, o tema, um samba novo e próprio, são coisa relativamente nova, não mais que 20 anos. Mas já rendeu uma geração de músicos que todos os anos compõem sambas e disputam representar um ou mais blocos nas ruas da cidade. São eles os donos da palavra transviada, intérpretes do tempo que corre, do risco e do riso. Discretos, elegantes, criativos, risonhos e generosos como Tomás Miranda, Rodrigo Alves, Marcelo Camargo, Djalma Junior, Thiago Prata e Jorge Sapias. Com eles, homenageamos os compositores do carnaval de rua, tradição de amor, liberdade e alegria, cultura na veia, fonte de coragem e resistência para enfrentar ciclos de vacas magras e paixões tristes.
Senhor Custodio o senhor e um gênio! Sou um fã e admirador do seu trabalho, acho incrível a sua sensibilidade. Obrigado por mostras algumas coisas através das tuas lentes.