
Assim como há crianças recrutadas em guerras civis, exploradas sexualmente ou mantidas sob trabalho escravo em regiões pobres do mundo, existem casos crescentes de depressão infantil e crianças sem alimentação adequada em países considerados desenvolvidos. A infância, portanto, está ameaçada no mundo todo, em diferentes contextos geográficos e socioeconômicos.
A Aliança pela Infância nasceu justamente para garantir que as brincadeiras lúdicas não se percam e, sobretudo, que a criança tenha o direito de ser criança. A brincadeira deu tão certo que passou a ser falada em várias línguas. Nove anos depois de um grupo de educadores, preocupados em ampliar as oportunidades dos pequenos vivenciarem mais e melhor a infância, criar um movimento internacional na Inglaterra, em 1997, e nos Estados Unidos, o projeto se espalhou por toda Europa, África, Ásia e as Américas. Hoje está presente em 12 países ao redor do mundo.
O desembarque no Brasil foi em 2001, pelas mãos da educadora Ute Craemer.
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Veja o que já enviamosMais do que garantir direitos, queremos sensibilizar as pessoas sobre a importância que a brincadeira tem na vida e no desenvolvimento da criança. Vários estudiosos já preconizavam que é essencial que os pais reservem um tempo para elas usarem sua imaginação
[/g1_quote]No Brasil, são 23 núcleos de mobilização e a linha de trabalho incluí campanhas nacionais e incidência sobre políticas públicas. Em 2010, por exemplo, um senador do Paraná apresentou proposta de alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), prevendo que crianças de cinco anos já pudessem se matricular no primeiro ano. A entidade foi contra e capitaneou uma campanha contra a antecipação do ingresso da criança no Ensino Fundamental. A mobilização surtiu efeito e a proposta não foi aprovada.
Como o Brasil já tem a mesma porcentagem de crianças acima do peso que os Estados Unidos – o país com maior população obesa do mundo – a entidade apoiou, em 2012, projeto de lei na Assembleia Legislativa de São Paulo que visava restringir a publicidade de alimentos ricos em gorduras e açúcares para crianças. Segundo dados do IBGE, a obesidade infantil no Brasil já chega a 15% dos pequenos entre 5 e 9 anos de idade. O projeto foi aprovado pela Assembleia, mas vetado pelo governador Geraldo Alckmin.
Não é Dia das crianças é Dia do brincar
O movimento cresceu tanto que hoje já existe a Semana Mundial do Brincar, que sempre ocorre no mês de maio, em 12 países, e que procura resgatar as antigas brincadeiras, que, com o advento dos games e do modo virtual de ser, perdeu espaço. Algumas brincadeiras foram resgatadas, como pega-pega e esconde-esconde. Assim como brinquedos, como bola, bambolê, iô-iô, peteca e pega-varetas. O objetivo é deixar de lado brinquedos eletrônicos, com luzes e barulhos, e, em sua grande maioria, de plástico – o que restringe o contato sensorial das crianças com os mais diversos tipos de sensações e experimentações, como com o calor da madeira, a fluidez dos líquidos, das tintas e das massinhas de modelar.
No Brasil, apenas duas cidades brasileiras incorporaram a data na lista de feriados municipais o Dia do Brincar. São elas Botucatu e de Atibaia, ambas no interior de São Paulo) .
O estudioso Jean Piaget (1896-1980) – foi um renomado psicólogo e filósofo suíço, conhecido por seu trabalho pioneiro no campo da inteligência infantil – dizia que o jogo é essencial na vida da criança, pois nele prevalece a assimilação, e é quando a criança se apropria daquilo que percebe da realidade. Piaget defendia que o jogo não é determinante nas modificações das estruturas, mas pode transformar a realidade, já que, durante a brincadeira, todos os aspectos importantes da vida da criança tornam-se tema do jogo.