Caos climático: tempestade de neve mata ao menos 12 e deixa mais de dois milhões sem energia nos EUA

Durante o fim de semana, 25 estados foram atingidos pela nevasca com 180 milhões de pessoas sob alertas de risco de vida; clima extremo pode durar até a próxima semana

Por #Colabora | ODS 13
Publicada em 26 de janeiro de 2026 - 11:59  -  Atualizada em 26 de janeiro de 2026 - 12:00
Tempo de leitura: 7 min

Carros cobertos de neve após tempestade em estrada do Tennessee: nevasca mata ao menos 12 e deixa mais de dois milhões sem energia nos EUA (Foto: Reprodução / ADH Weather)

O presidente dos EUA, Donald Trump, pode continuar ignorando a crise climática mas os eventos extremos não dão trégua ao país. No fim de semana, Fern, uma tempestade de inverno brutal, desencadeou uma onda de frio sem precedentes em grande parte dos Estados Unidos, resultando em pelo menos 12 mortes, extensos cortes de energia afetando mais de 800 mil residências e enormes interrupções nas viagens e na vida cotidiana.

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A Guarda Nacional foi mobilizada em áreas duramente atingidas, com estados de emergência declarados em 25 estados em meio a condições de risco de vida que se estendem do Texas à Nova Inglaterra. A tempestade – alimentada, de acordo com os meteorologistas, por um vórtice polar enfraquecido que permitiu que o ar gélido do Ártico avançasse para o sul – afetou aproximadamente 180 milhões de pessoas com temperaturas congelantes, neve intensa, granizo e gelo: cidades da região central registraram temperaturas de 30 graus negativos.

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No sul dos Estados Unidos, onde a infraestrutura está menos preparada para tais extremos, as temperaturas despencaram 20 graus abaixo da média sazonal, causando o acúmulo perigoso de gelo em estradas, linhas de energia e árvores. O Serviço Nacional de Meteorologia alertou para condições “com risco de vida”, com neve e gelo provavelmente persistindo por dias, dificultando os esforços de recuperação.

O tráfego aéreo foi severamente prejudicado, com mais de 11 mil voos cancelados em todo o país, incluindo em grandes cidades: os aeroportos de Nova York, que registraram uma nevasca recorde de 34 centímetros (13,5 polegadas) no Queens. Meteorologistas atribuem a intensidade da tempestade à perturbação do vórtice polar, prevendo que a onda de frio pode persistir até fevereiro.

O Canadá enfrenta problemas semelhantes, com previsão de neve intensa em Ontário, com até 30 centímetros de acúmulo. A Guarda Nacional está mobilizada para o enfrentamento da emergência climática, auxiliando em resgates, centros de acolhimento e desobstrução de estradas em meio a alertas de temperaturas abaixo de zero prolongadas e sensação térmica de até -40°C em algumas áreas.

De acordo com os cientistas, Este evento climático extremo marca uma das tempestades de inverno mais abrangentes dos últimos anos nos Estados Unidos, semelhante, em intensidade, à onda de frio de 2021 no Texas, mas com um alcance maior, atingindo mais estados, o que levou à mobilização da Guarda Nacional para os esforços de socorro.

Entre as vítimas fatais, estão dois homens mortos por hipotermia no estado da Louisiana, no sul do país, com registro de casos semelhantes no Texas e no Kansas, e outras três mortes relacionadas às tempestades de gelo no Tennessee. O governador do Kentucky, Andy Beshear, destacou a gravidade da situação, observando que o acúmulo de gelo excedeu as previsões, representando riscos para a infraestrutura de energia. As autoridades aconselham os moradores a se prepararem para longos períodos sem energia e a evitarem viagens, já que a recuperação pode levar dias nas regiões mais afetadas.

No Kansas, Rebecca Rauber, uma professora, que estava desaparecida desde sexta-feira (23/01), foi encontrada morta no domingo, dias depois de ter sido vista pela última vez quando a forte tempestade de inverno começou a atingir o sul dos Estados Unidos. O Departamento de Polícia da cidade de Emporia informou que a professora provavelmente morreu de hipotermia poucas horas após seu desaparecimento: o corpo de Rauber foi encontrado coberto de neve a aproximadamente 300 metros de onde foi vista pela última vez em imagens de câmeras de segurança.

No Texas, uma jovem de 16 anos morreu e outro adolescente está em estado crítico após um trágico acidente de trenó durante a violenta tempestade de neve na cidade de Frisco. Também no Texas, uma pessoa morreu de frio em Austin. No estado do Arkansas, uma pessoa morreu e várias outras ficaram feridas devido à tempestade de gelo.

Na cidade de Nova York, cinco pessoas morreram no fim de semana, vítimas aparentes das baixas temperaturas, embora as causas exatas ainda estejam sendo investigadas. A governadora de Nova York, Kathy Hochul, pediu aos moradores que permanecessem em casa, descrevendo a situação como “o cerco ártico mais frio que vimos em anos”, com condições “perigosas e congelantes”. Os cortes de energia foram frequentes, principalmente no sudeste dos EUA, onde o gelo derrubou fios e árvores. Em Washington, a prefeita da capital, Muriel Bowser classificou o evento como a maior nevasca da década, levando ao fechamento de escolas, estradas e até mesmo ao adiamento de uma votação no Senado dos EUA.

O Serviço Nacional de Meteorologia prevê que este ar ártico mantenha as temperaturas congelantes durante esta semana e a próxima: a tempestade de inverno trouxe condições climáticas rigorosas para milhões de americanos ao longo de sua trajetória de mais de 3.200 quilômetros pelos Estados Unidos. Mais de 800 mil residências ficaram sem energia elétrica no Tennessee, Mississippi, Louisiana, Texas, Kentucky, Carolina do Sul, Geórgia e Carolina do Norte. Nos próximos dias, são possíveis recordes de temperatura mínima acima de 38 negativos, já que o frio generalizado do inverno manterá a sensação gélida típica da estação.

#Colabora

Texto produzido pelos jornalistas da redação do #Colabora, um portal de notícias independente que aposta numa visão de sustentabilidade muito além do meio ambiente.

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