
“Eu nasci e cresci em Vigário Geral. A chacina me marcou muito. Não tem como esquecer. Foram 21 trabalhadores na marmita (caixa de remoção de corpos), dentre eles, meu tio. Eu tinha seis anos. Foi um desespero só. Aqui, cabe você saber viver. Tem que ser cego, surdo e mudo. Mas meus filhos podem ficar à vontade, eu conheço todo mundo. Na Zona Sul, eu não me sinto segura, em Vigário eu me sinto. Se der um grito, os vizinhos te socorrem. Eu não sairia de Vigário Geral. Lá fora, todo mundo é roubado”.