
“Eu sou fundadora de Vigário, vim bebezinha. Estou há 54 anos na comunidade, e trabalhei a vida toda no Hospital da Aeronáutica como faxineira e copeira. Isso aqui era brejo, pinguela e barraco, mais nada. A gente pisava na lama e era muita dificuldade. Quem nasce hoje em Vigário Geral vive os tempos bons, sem muitas dificuldades. O governo ajuda com o Bolsa Família e o Jovem Aprendiz. Eu agradeço muito a Deus porque meu filho está com 35 anos e trabalha desde os 18. A Chacina foi um momento que não dá para esquecer, muitos amigos meus, trabalhadores, morreram. Quem olhava para rua e via o que estava acontecendo, era morto. Tinham medo que marcassem a cara deles. Eu estava em casa nesse dia. Já tinha chegado do trabalho. Foi uma covardia com quem mora aqui. Os sobreviventes estão aí para contar. Todos somos testemunhas”.