No dia da mentira (01/04), nasceu o primeiro centro do país dedicado a produzir dados e narrativas efetivas sobre justiça climática no Brasil a partir e para a população negra. Com a presença de ativistas, parlamentares e representantes de organizações da sociedade civil, foi lançado, em evento no Rio, o Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC), com o objetivo produzir conhecimento, pesquisa e jornada de educação climática sobre os desafios e soluções que atravessam as populações negras nas cinco regiões do país.
Jovens negros eram a maioria no lançamento. “O Centro Brasileiro de Justiça Climática nasce para responder algumas das muitas lacunas que temos enquanto país. Pessoas negras, essa organização existe por vocês e para vocês. Para nós. Melhorar a qualidade de vida, promover longevidade e o bem viver além do sobreviver”, discursou a jornalista Andréia Coutinho Louback, diretora-executiva do CBJC.
As primeiras iniciativas do Centro serão a realização de jornadas de educação climática e formação em Pernambuco, Pará, Bahia e Rio Grande do Sul e outros estados brasileiros em parceria com organizações locais. Também foi anunciado no lançamento que, em breve, o CBJC abrirá inscrições para um fellowship (programa para incentivar estudos) voltado para pesquisadores negros e negras das cinco regiões do país que estejam produzindo dados e narrativas sobre território, raça e clima. “Nossa missão é ampliar o debate público e influenciar políticas públicas de justiça climática e equidade racial a nível local, regional e nacional”, explicou Andréia.
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Veja o que já enviamosO instituto foi lançado semanas após o tema do racismo ambiental ganhar as redes sociais a partir de uma fala da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que destacou o fenômeno nas mortes nas enchentes que atingiram as periferias e favelas do Rio de Janeiro. O uso do termo pela ministra foi ironizado e atacado por parlamentares bolsonaristas e pelo próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, mas serviu para estimular o debate. CBCJ destaca em seu site: “A emergência climática é uma crise de enfrentamento às desigualdades estruturais. O racismo é um sistema de opressão em sua dimensão política e social. Portanto, discutir justiça climática é enfrentar o racismo ambiental”.

No lançamento, a diretora-executiva também lembrou a vereadora Marielle Franco, suas lutas e seu legado “Somos do luto à luta. Há dez dias, descobrimos que o assassinato da Marielle Franco tem ligação com questões fundiárias e direito a terra. Foi sua luta de acesso à terra, ao território e do direito à moradia, que impediu que ela estivesse aqui hoje, fisicamente, entre nós. Trago essa exemplificação para reforçar que a agenda climática é uma agenda de vida ou morte. Existe um compromisso ancestral com a manutenção da nossa vida”, afirmou Andréia Coutinho Louback.
O Centro Brasileiro de Justiça Climática – que conta com apoio institucional da Open Society Foundations, do Energy Transition Fund, do Climate Emergency Collaboration Group e do CJ-JT – terá principais eixos de atuação comunicação & engajamento; educação climática; incidência política; e pesquisa & dados.
Estiveram presentes no lançamento a secretária municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Tainá de Paula, a vereadora Mônica Cunha, do Rio, a vereadora Izabella Vicente, de Macaé, o deputado estadual Flavio Serafini, a ex-deputada federal Áurea Carolina, diretora do NOSSAS, além de representantes de organizações da sociedade civil, como PerifaConnection, O Clima é de Mudança, Rede Jandyras, Casa Fluminense, Observatório da Branquitude, Instituto Ibirapitanga, LabJaca, Climate HUB | Columbia Global Centers, Instituto Clima e Sociedade (iCS), Instituto Arapyaú, Greenpeace, Plataforma Cipó, Visão COOP e Fogo Cruzado, entre outras.