As escolas de samba da Série Ouro, o antigo grupo de acesso para a elite do Carnaval, abrem os desfiles de 2026 na Passarela do Samba da Marquês de Sapucaí, confirmando a tendência do Grupo Especial de homenagear personalidades nos enredos. Das 15 escolas que disputam o título de campeã e a única vaga para subir, sete vão desfilar temas biográficos, abordando as trajetórias de sambistas como Xande de Pilares e Leci Brandão, artistas como Conceição Evaristo e Roberto Burle Marx, e destaques da nossa história ancestral, da guerreira indígena Clara Camarão, que viveu no século 17, a Tatá Tancredo, líder religioso da umbanda no século 20.
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Sete escolas da Série Ouro se apresentam nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, e mais oito completam a disputa pela vaga única no Grupo Especial para o Carnaval 2025 no sábado, dia 14/02; duas escolas serão rebaixadas para a Série Prata.
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Os desfiles estão previstos para começar sempre às 21h e terão transmissão por TV aberta pela Band. Confira a ordem do desfile e todos os enredos da Série Ouro.
Sexta-feira (13/02)
1. Unidos do Jacarezinho – “O ar que se respira agora inspira novos tempos” – enredo da campeã da Série Prata em 2025, há 13 anos sem desfilar na Sapucaí, vai homenagear o cantor e compositor Xande de Pilares, estrela do samba e do pagode, que fez parte do grupo Revelação antes de trilhar carreira solo.
2. Inocentes de Belford Roxo – “Sonho de um tal pagode russo nos frevos do meu Pernambuco” – escola da Baixada vai celebrar a riqueza cultural do estado, com destaque para ritmos como frevo e forró e a mistura com influências estrangeiras, especialmente russas.
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Veja o que já enviamos3. União do Parque Acari – “Brasiliana” – enredo homenageia o pioneiro grupo de teatro musical brasileiro, criado em 1949; Brasiliana revolucionou a cena teatral brasileira, ao incorporar práticas musicais e narrativas populares na sua dramaturgia
4. Unidos de Bangu – “Coisas que Mamãe me Ensinou” – a escola vai celebrar a trajetória da cantora e compositora Leci Brandão, de 81 anos, considerada também símbolo de resistência e consciência da luta do povo preto. Leci, atualmente deputada estadual em São Paulo, foi a primeira mulher a integrar a ala de compositores da Mangueira.
5. Unidos de Padre Miguel – “Kunhã-Eté: O Sopro Sagrado da Jurema” – rebaixada no Grupo Especial em 2025, a escola de samba da Zona Oeste levará à Marquês de Sapucaí a a história de Clara Camarão, guerreira potiguara que se destacou na resistência contra a invasão holandesa no século XVII.
6. União da Ilha do Governador – “Viva o Hoje, o Amanhã Fica para Depois” – a escola aposta na sua conhecida irreverência e leveza com um enredo lembrando a a passagem do cometa Halley pela Terra para celebrar a alegria de viver o presente.
7. Acadêmicos de Vigário Geral – “Brasil Incógnito, o que seus olhos não veem, a minha imaginação reinventa” – a proposta do enredo é imaginar o Brasil a partir das narrativas mitológicas e fantasiosas, reinterpretando aspectos da história brasileira sob um novo olhar.
Sábado (14/02)
1.Botafogo Samba Clube – “O Brasil que floresce em arte” – o enredo da escola presta homenagem ao legado de Roberto Burle Marx, paisagista e artista plástico, considerado o inventor do paisagismo moderno, com jardinas marcantes no Rio de Janeiro e em Brasília; a ideia é celebra a arte e a natureza brasileiras, destacando as criações abstratas e o compromisso com a preservação ambiental de Burle Marx.
2.Em Cima da Hora – “Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras!” – a tradicional escola de samba do subúrbio de Cavalcante vai celebrar, em seu enredo, a beleza, o mistério e o poder das Pombagiras, entidades que simbolizam liberdade e resistência.
3.Arranco do Engenho de Dentro – “A Gargalhada é o Xamego da Vida!” – com mulheres na presidência, à frente do desenvolvimento do enredo e como mestre da bateria, a escola vai contar a história do palhaço Xamego e revelar que, por trás da fantasia, tinha uma mulher: Maria Eliza Alves dos Reis, que desafiou preconceitos em uma época (meados do século 20) em que mulheres não podiam ser palhaças no circo
4.Império Serrano – “Ponciá Evaristo Flor do Mulungu” – Com nove títulos no desfile principal do Carnaval, a tradicional escola de Madureira vai homenagear Conceição Evaristo, referência da literatura negra brasileira e criadora do conceito de “escrevivências”, que une escrita e vivências das mulheres negras.
5.Estácio de Sá – “Tatá Tancredo: O Papa Negro no Terreiro do Estácio” – um dos berços do samba, a escola terá como enredo a trajetória de Tancredo da Silva Pinto, escritor, compositor, e líder religioso – o pai de santo marcou a história do samba, como um dos fundadores da pioneira Deixa Falar, e da umbanda, como divulgador e defensor da fé e o criador da tradição da homenagem a Iemanjá na virada do ano em Copacabana
6.União de Maricá – “Berenguendéns e Balangandãs” – Enredo vai celebrar a resistência e a beleza das mulheres negras por meio da simbologia dos balangandãs, joias-amuletos carregadas de significados, usadas como instrumentos de proteção, fé e identidade.
7.Porto da Pedra – “Das Mais Antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da Noite” – a escola de São Gonçalo, liderada pelo veterano carnavalesco Mauro Quintaes, homenageia as profissionais do sexo, com o compromisso de exaltar a força e a dignidade da mais antiga das profissões.
8.Unidos da Ponte – “Tamborzão – O Rio é Baile! O poder é black!” – escola de samba de São João de Meriti vai exaltar as raízes negras e periféricas do Rio de Janeiro, destacando o som que nasce nas favelas e promete levar um clima de grande baile funk para a Marquês de Sapucaí.
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