
É a nova tendência dos millenials, aqueles nascidos após os anos 80: depois da volta do vinil, do filme fotográfico e do chocolate Lollo, o novo hype é a versão analógica do Tinder.
Começou, como sempre, com um coletivo de fotógrafos, designers e músicos. Ocupando um cortiço reciclado no Morro da Conceição e Inebriados por tanto retrô e vintage à sua volta, estes começaram a desconfiar que usar aplicativos de relacionamento, como o Tinder, era uma contradição na sua desesperada busca por autenticidade, o Santo Graal da geração Y. Num movimento solene, todos apagaram ao mesmo tempo o app dos seus iPhones. Ao invés da esperada epifania vieram noites de tédio e onanismo, então o coletivo se juntou para buscar uma solução à altura do seu hype. A que encontraram lhes pareceu tão brilhante que não tiveram outra alternativa que lançar um manifesto, distribuído pela cidade por pombos-correios:
[g1_quote author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”solid” template=”01″]Outra característica dos adeptos dessa nova prática é a disponibilidade ao acaso. Podem encontrar o amor da vida (ou ao menos daquela noite) num elevador ou mesmo na sala de espera do dentista. Sorte é tudo, destino is the new black.
Gostando do conteúdo? Nossas notícias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosO movimento do flerte é a versão analógica do Tinder, uma maneira orgânica e natural de substituir o processo banalizado digitalmente pelos aplicativos digitais. O adepto deve chegar à sua alma gêmea apenas flanando pelas ruas, não utilizando outro recurso que não o olhar. Nossos sentimentos não podem mais ser traduzidos por crush e match.
Também se negam a flertar em bares e boates, localidades identificadas com a geração X e considerados mais impuros que bacon transgênico. O flerte genuíno, afirmam, se pratica à luz do dia, no supermercado, na fila do banco, no ponto de ônibus. E nada de cantadas, fiu-fius e outras grosserias, coisa de baby boomers decrépitos, apenas sorrisos e comentários espirituosos, no máximo uma troca de telefones. Telefone fixo, é claro. Nada de whatsapp, nada de nudes. Quem sabe faz ao vivo, dizem orgulhosos.
Outra característica dos adeptos dessa nova prática é a disponibilidade ao acaso. Podem encontrar o amor da vida (ou ao menos daquela noite) num elevador ou mesmo na sala de espera do dentista. Sorte é tudo, destino is the new black, explicam. A opção pelo analógico não quer dizer que sejam conservadores, pelo contrário: um poliamor pode surgir passando na porta da Colombo, é só saber olhar na direção, ou melhor, nas direções, certas.
Por enquanto o movimento ainda é restrito: a maioria não quer jogar fora o know-how adquirido no Tinder, Happn ou Grindr, como o de chegar às vias de fato sem precisar de nada mais que emojis ou conseguir um parceiro que apareça antes do disk-pizza. Os hipsters, por sua vez estão embarcando na novidade à sua maneira: com pince-nez para ver melhor e caneta tinteiro para anotar números de telefones.
Alguns millenials mais radicais estão indo ainda mais longe nessa busca do vintage definitivo: chegaram numa instituição que nem seus avós lembravam.
O casamento arranjado.