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Criado em 2003, o Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares (LECC) da Coppe/UFRJ, se tornou referência nas pesquisas de biofármacos no país. Há dois anos, foi um dos ganhadores do prêmio Santander Banespa de Ciência e Inovação. A coordenadora do LECC, professora Leda Castilho, afirma que os avanços, entretanto, têm acontecido de forma cada vez mais lenta: “As verbas para a manutenção do laboratório estão mais escassas nos últimos três anos. O número de bolsas e editais para concorrer a verbas para pesquisa vem caindo”.
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Para continuar seu trabalho, a pesquisadora, além de utilizar seus conhecimentos, precisa recorrer à criatividade. Leda tem buscado recursos para pesquisa em organizações internacionais. Além disso, em 2017, conseguiu a cessão por vários anos de equipamentos científicos usados no NIH (National Institute of Health), o maior centro de pesquisa em saúde dos Estados Unidos. Estes aparelhos usados foram muito úteis para as pesquisas de diversos laboratórios da UFRJ, já que as verbas para ciência no Brasil atualmente são insuficientes para custear a manutenção dos equipamentos já existentes ou a aquisição de novos. Sem essa cessão, seria inviável manter o ritmo das pesquisas.
[g1_quote author_name=”Professora Leda Castilho” author_description=”Coordenadora do Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares (LECC) da Coppe/UFRJ” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]As verbas para a manutenção do laboratório estão mais escassas nos últimos três anos. O número de bolsas e editais para concorrer a verbas para pesquisa vem caindo
[/g1_quote]Dentre as pesquisas em biofármacos atualmente desenvolvidas no LECC, destaca-se o desenvolvimento de anticorpos monoclonais (anticorpos produzidos por um único clone de linfócito B, específicos para uma única região do antígeno), incluindo uma molécula destinada ao tratamento de alto colesterol. Além dos medicamentos biológicos, o LECC pesquisa o desenvolvimento de vacinas contra os vírus zika e febre amarela. Estes medicamentos são do tipo recombinantes, o que torna a vacina muito segura, já que é formada por partículas que imitam a estrutura tridimensional e a superfície externa dos vírus, mas não contêm nada em seu interior, sendo incapazes de causar doenças.
Estas partículas, conhecidas como VLPs (do inglês virus-likeparticles), são produzidas por células manipuladas geneticamente em laboratório e capazes de estimular a produção de anticorpos que podem neutralizar o vírus. Os medicamentos recombinantes, como os que o LECC está desenvolvendo, são em geral tão seguros que podem ser aplicados em bebês recém-nascidos, como no caso da vacina contra hepatite B, e em crianças, como no caso da vacina contra o HPV.
Para chegar a esse grau de segurança, os medicamentos passam por vários estágios: “Na área da saúde, quando se desenvolve um produto e a tecnologia para produzi-lo em larga escala, devem ser realizados testes não clínicos (em animais) e testes clínicos (humanos). É uma etapa muito cara e que dura vários anos, obrigatória para o desenvolvimento de produtos para a saúde. No caso das vacinas que estamos desenvolvendo, os ensaios em animais serão iniciados esse ano. Primeiro, as vacinas serão testadas em camundongos, para confirmar que os animais desenvolvem anticorpos e se tornam protegidos contra os vírus. Dando certo, depois será a vez de animais maiores, como macacos, e só então será possível prosseguir para testes em humanos”, afirma a pesquisadora
Os laboratórios Cristália e Eurofarma estão dentre os primeiros laboratórios a desenvolverem um biofármaco nacional. Em breve, Biomanguinhos, pertencente à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), vai inaugurar uma fábrica para a produção de biofármacos aplicando tecnologia de produção que foi transferida de laboratórios estrangeiros.
Em todo o mundo, é grande a demanda por fármacos cada vez mais inteligentes e eficazes. Para o Brasil, priorizar as inovações estrangeiras não é a melhor saída, já que, segundo a professora Leda, “não necessariamente a tecnologia transferida é a melhor, ou a mais recente”. Laboratórios como o LECC são a prova de que é possível criar soluções brasileiras para esse problema, desde que haja recursos suficientes para isso.
[g1_quote author_description_format=”%link%” align=”center” size=”s” style=”solid” template=”01″]31/100 A série #100diasdebalbúrdiafederal pretende mostrar, durante esse período, a importância das instituições federais e de sua produção acadêmica para o desenvolvimento do Brasil.
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