A igreja católica reinou de forma absoluta no Brasil durante mais de 400 anos, desde que foi rezada a Primeira Missa, ministrada por Frei Henrique de Coimbra, no domingo, 26 de abril de 1500. Mas o monopólio católico foi perdendo força ao longo do século XX e já existem algumas pesquisas que indicam que o catolicismo deixou de constituir a maioria absoluta das filiações religiosas no Brasil.
Na verdade, o Brasil está passando por um processo de transição religiosa que se desenrola em quatro níveis: 1) redução do percentual das filiações católicas; 2) aumento das filiações evangélicas; 3) crescimento do grupo sem religião e 4) aumento do percentual de outras religiões não cristãs. Como mostrei no artigo “A transição religiosa nos 200 anos da Independência” (Alves, 30/05/2022), publicado aqui no # Colabora, o Brasil está passando por uma grande transformação do campo religioso, com aumento da pluralidade de crenças e atitudes.
Leu essa? Evangélicos ultrapassaram católicos em dois estados e em 245 cidades
O gráfico abaixo mostra que os católicos representavam quase 100% da população brasileira em 1872, quando foi realizado o primeiro censo demográfico do Brasil e a igreja católica era a religião oficial do país. No primeiro ano da República, em 1890, o censo demográfico indicou 98,9% de católicos e 1% de evangélicos. Nas décadas seguintes o percentual de católicos diminuiu lentamente e chegou a 95% em 1940, com os evangélicos representando 2,7% na mesma data, as pessoas que se declaram sem religião com 1,4% e as outras religiões com 0,9%.
Entre 1872 e 1991 os católicos perderam cerca de 1% de participação por década. Mas, entre 1991 e 2000, a diminuição do percentual de católicos saltou para 1,04% ao ano. Na última década do século passado, os evangélicos cresceram 0,71% ao ano, os sem religião cresceram 0,2% ao ano e as outras religiões cresceram 0,13% ao ano. Entre 2000 e 2010, a queda das filiações católicas diminuiu de ritmo para 0,89% ao ano; consequentemente, os outros três grupos diminuíram o ritmo de aumento, com 0,63% ao ano para os evangélicos, 0,15% ao ano para os sem religião e 0,11% ao ano para as outras religiões.
Entre 2010 e 2022, o ritmo de avanço da transição religião desacelerou ainda mais. A redução das filiações católicas ficou em 0,69% ao ano, o aumento dos outros três grupos ficou em 0,43% ao ano para os evangélicos, 0,12% ao ano para os sem religião e 0,14% ao ano para as outras religiões. A distribuição entre os quatro grupos em 2022 foi de 56,7% para os católicos, 26,9% para os evangélicos, 9,3% para os sem religião e 7,1% para as outras religiões.
Gostando do conteúdo? Nossas notícias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosOs dados do censo demográfico 2022 mostraram que o Brasil continua avançando na transição religiosa, mas em um ritmo mais lento. Sem dúvida, o Brasil vai prosseguir mais diverso. Mas um grande tema de debate continua sendo se a proporção de evangélicos irá ultrapassar a proporção de católicos no país e quando este evento marcante pode ocorrer.
O pesquisador Paul Freston (2010) acredita que, de fato, o Brasil apresentará maior pluralidade religiosa. Porém, acredita que a diminuição da proporção de católicos no país tem um piso e o crescimento das filiações evangélicas tem um teto. O piso católico estaria entre 35% e 40% e o teto evangélico aproximadamente na mesma proporção. Desta forma, os dois grupos deverão se aproximar, mas não deve haver uma mudança de hegemonia entre os dois maiores grupos religiosos do país.
Por outro lado, tenho apresentado argumentos e evidências (Alves, 2022) de que não só o Brasil está passando por uma transição religiosa inédita na história do país – com maior heterogeneidade no campo religioso – mas também caminhando para uma possível mudança de hegemonia entre católicos e evangélicos.
No dia 03 de julho de 2025 o Instituto de Estudos da Religião (ISER) organizou um debate denominado “Censo 2022: reflexões sobre religiões e sociedade” com os pesquisadores Paul Freston e José Eustáquio Alves, mediado pela pesquisadora Christina Vital (o evento está disponível no link apresentado nas referências deste artigo) debatendo o tema. Evidentemente, o debate está em aberto e só o futuro poderá confirmar se haverá ou não uma mudança de hegemonia no cenário religioso brasileiro.
Pesquisas sobre o campo religioso e hipóteses sobre o futuro da transição religiosa no Brasil
Há diversos questionamentos sobre os dados do censo 2022. Em primeiro lugar, o censo foi realizado em uma conjuntura desafiadora, pois foi adiado por conta da pandemia da covid-19, faltou dinheiro para ser realizado em 2021, houve judicialização com a intermediação do STF e, por fim o censo foi realizado conjuntamente com uma eleição geral extremamente polarizada.
O IBGE ainda não divulgou os dados desagregados para o acompanhamento da evolução das diversas denominações, o que poderia indicar qual das denominações evangélicas podem ter apresentado menor ritmo de crescimento. Também houve mudança de metodológica, pois a pergunta sobre religião não incluiu a população de crianças, de 0 a 9 anos de idade. Outro agravante é que o censo demográfico de 2022 teve uma falha de cobertura populacional maior do que nos censos anteriores. Esta omissão pode ter afetado ligeiramente os dados sobre afiliações religiosas.
Portanto, há dúvidas sobre os números apresentados pelo censo 2022 e novas pesquisas são necessárias para verificar a real situação da transição religiosa no Brasil. Afortunadamente, algumas pesquisas realizadas após o censo 2022 já estão sendo divulgadas.
O livro “A Cabeça do Brasileiro: 20 anos depois, o que mudou?”, do cientista político Alberto Carlos Almeida, apresenta uma pesquisa realizada no território nacional, em 2023, para a população de 18 anos e mais, atualizando uma pesquisa anterior de 2002. Entre os dois períodos pesquisados, as filiações católicas caíram de 71% para 50%, uma perda de 1% ao ano, no espaço de 21 anos. As filiações evangélicas passaram de 6% para 12%, com variação anual de 0,6%, os sem religião passaram de 6% para 12%, com variação anual de 0,3%. As demais religiões passaram de 8% para 11%, com variação de 0,1% ao ano. Portanto, o ritmo da transição religiosa foi mais acelerado do que o apontado pelo censo 2022.
O livro “Brasil no espelho”, do cientista político Felipe Nunes, apresenta uma pesquisa realizada entre novembro e dezembro de 2023, que entrevistou cerca de 10 mil pessoas com mais de 16 anos em 26 estados e no Distrito Federal. A pesquisa apontou 51% de católicos, 31% de evangélicos, 14% de pessoas que se declaram sem religião e 4% de outras religiões.
Uma pesquisa do Instituto Pew Research Center, realizada em 2024 e divulgada em 21 de janeiro de 2026, indicou que o catolicismo perdeu força de maneira acentuada em seis países da América Latina. Ao mesmo tempo, cresceu a proporção de pessoas que se declaram sem religião (ou sem afiliação religiosa) e também a participação de fiéis vinculados a outras tradições religiosas. Observa-se ainda uma desaceleração do avanço evangélico (protestante). Em conjunto, esses movimentos apontam para um processo de crescente pluralização religiosa no Brasil e na América Latina.
No caso brasileiro, o percentual de católicos, que era de 61% em 2013-14, caiu para 46% em 2024, uma redução de 15% na década, ou cerca de 1,5% ao ano. A pesquisa PEW ainda indicou 29% de evangélicos, 15% de sem religião e 10 de outras religiões para o Brasil, em 2024. Desta forma, a pesquisa PEW contrasta com a tendência apresentada pelo censo demográfico 2022, do IBGE, pois indica uma aceleração da perda de filiações católicas, juntamente com um pequeno avanço nas filiações evangélicas.
A tabela abaixo resume o quadro religioso apresentado pelo censo 2022 e pelas outras três pesquisas citadas acima. Embora as 4 pesquisas apresentem escopos e metodologias diferentes, elas podem ser usadas como parâmetros da transição religiosa no Brasil. Nota-se que o censo 2022 apresentou a maior percentagem de católicos e a menor percentagem de evangélicos e do grupo sem religião, enquanto a pesquisa PEW apresentou um percentual muito menor de católicos e o maior percentual do grupo sem religião.
A razão entre evangélicos e católicos (REC) é um indicador da possibilidade de mudança de hegemonia entre os dois grupos cristãos. Uma REC menor do que 100 indica maioria católica e uma REC acima de 100 indica maioria evangélica. A menor REC foi registrada no censo 2022, com 47,4 evangélicos para cada 100 católicos. Na pesquisa “A cabeça do Brasileiro” registrou uma REC de 54 evangélicos para cada 100 católicos e a pesquisa “Brasil no Espelho” a REC foi de 60,8. A pesquisa do Instituto PEW apresentou a maior REC, com 63 evangélicos para cada 100 católicos.
Com base nestas 4 pesquisas elaborei três projeções sobre o futuro da relação entre evangélicos e católicos (REC) no Brasil. A REC é apenas uma parte da transição religiosa, mas é uma parte importante pois mede a possibilidade de uma mudança de hegemonia entre os dois maiores grupos religiosos do país. Evidentemente, existe a possibilidade de estagnação da transição religiosa. Entretanto, o objetivo das projeções é avaliar diferentes ritmos da continuidade das transformações históricas do campo religioso no Brasil.
O gráfico abaixo apresenta as três projeções. A primeira foi elaborada a partir do censo 2022 e tem início no percentual apontado no recenseamento dos dois grandes grupos com variação seguindo o ritmo apontado entre os censos 2010 e 2022, com os católicos perdendo 0,69% ao ano e os evangélicos aumentando 0,43% ao ano. Nesta hipótese, a REC ultrapassa 100 no ano de 2049.
Na hipótese de transição moderada, o percentual utilizado em 2022 para os dois grandes grupos foi a média das quatro pesquisas e o ritmo de mudança foi de -0,9% ao ano para os católicos e + 0,5% ao ano para os evangélicos. Nesta hipótese, a REC ultrapassa 100 no ano de 2039.
Na hipótese de transição acelerada, o percentual utilizado em 2022 para os dois grandes grupos também foi a média das quatro pesquisas e o ritmo de mudança foi -1,2% ao ano para os católicos e + 0,7% ao ano para os evangélicos. Nesta hipótese, a REC ultrapassa 100 no ano de 2034.
O Brasil está ficando mais plural em termos religiosos e essa tendência deve se manter nas próximas décadas. Mas existe todo um debate sobre a possibilidade de mudança de hegemonia entre católicos e evangélicos. Uma das possibilidades é que os católicos possam perder a maioria absoluta, mas não a maioria relativa da população brasileira. Outra possibilidade é que os evangélicos – mesmo sem conquistar a maioria absoluta – consigam a maioria relativa. Neste caso, as projeções do gráfico acima indicam que a mudança de hegenonia pode acontecer entre 2034 e 2049, dependendo do ritmo de mudança.
Os determinantes sociodemográficos da transição religiosa e o mercado competitivo
As causas da transformação do campo religioso estão, evidentemente, na dinâmica econômica e sociodemográfica do país. Como mostramos no artigo “Os desafios para compreender e medir a transição religiosa no Brasil” (Alves e Cavenaghi, 2025), as práticas, os rituais e os ensinamentos do catolicismo tinham boa receptividade junto à população quando o Brasil era um país pobre, rural, tradicional, com baixas taxas de escolaridade e com restrita mobilidade social e espacial. O declínio católico ocorreu concomitantemente à aceleração de três mudanças estruturais que transformaram a sociedade brasileira.
A primeira mudança está relacionada com as alterações no âmbito econômico. O Brasil deixou para trás a estrutura primário-exportadora, com um grande setor de subsistência e com o predomínio de relações informais de trabalho, baixa monetarização da economia e reduzida integração regional. Especialmente após a Segunda Guerra Mundial, o Brasil se transformou em uma economia industrial e de serviços, com ampliação do leque ocupacional, com incorporação da mulher no mercado de trabalho, com avanços quantitativos na educação e ampliação e diversificação do consumo. Houve também avanço das telecomunicações e do acesso à informação (rádio, televisão, telefone/celular, internet, etc.).
As políticas públicas deixaram de ser “questão de polícia” (como era a regra na República Velha) e foi construído, mesmo com limitações, um sistema amplo de proteção social: Previdência, legislação trabalhista, seguro-desemprego, Benefício de Prestação Continuada (BPC), ensino público e gratuito, SUS, Bolsa Família, etc. Com a Constituição de 1988, o sistema institucional de assistência social, em grande parte, substituiu as práticas do clientelismo e da caridade, garantindo uma maior autonomia para as camadas excluídas da sociedade.
A segunda grande mudança na configuração da sociedade brasileira aconteceu com a transição urbana, pois a maioria da população que estava atada aos condicionantes da vida agrária e rural se deslocou rápida e progressivamente para o meio urbano e para as grandes cidades. A população rural que representava 63,8% da população total em 1950 caiu para 12,6% em 2022, enquanto a população urbana passou de 36,2% para 87,4% no mesmo período.
Ademais, o meio urbano era muito influenciado pela sociabilidade rural antes da Segunda Guerra, mas a modernização do campo e o crescimento cultural das cidades, cada vez mais globalizadas, mudaram a dinâmica de formação da opinião pública e os parâmetros da convivência interpessoal. Para o migrante desamparado na periferia das grandes cidades, a igreja evangélica oferece uma “família substituta”, ajudando a encontrar emprego, oferecendo apoio emocional e lazer.
A terceira grande mudança no comportamento de massa no Brasil está relacionada com o aprofundamento da transição demográfica. As mortes precoces, que eram consideradas inevitáveis (e justificadas pelo fatalismo religioso), diminuíram significativamente e a expectativa de vida ao nascer, que estava abaixo de 30 anos no final do século XIX, chegou a 76 anos em 2024. A Taxa de Fecundidade Total que era de mais de 6 filhos por mulher na maior parte da história brasileira, começou a cair depois de 1970 e chegou a 1,6 filho por mulher em 2022 (abaixo do nível de reposição).
As pessoas e as famílias passaram a ter mais controle sobre a vida e a morte, minimizando as adversidades do ciclo de vida. A transição demográfica (redução das taxas de mortalidade e natalidade) implicou na transição da estrutura etária e, ambas as transições, abriram espaço para a transição nos padrões de família no Brasil, com o predomínio de uma estrutura familiar mais plural, complexa e diversa.
Há uma afinidade eletiva entre as mudanças sociodemográficas do Brasil e o avanço evangélico. Ao contrário de uma visão que por vezes sacraliza a pobreza, muitas denominações evangélicas pregam que a bênção de Deus se manifesta na prosperidade material. A conversão exige o abandono de vícios (álcool, jogos) e a fidelidade conjugal. Sociologicamente, isso gera uma “sobra” de renda no orçamento familiar e maior estabilidade doméstica, o que é percebido como um milagre econômico pessoal.
Além de tudo, o fim do monopólio católico criou um mercado competitivo. As igrejas evangélicas utilizam técnicas modernas de marketing, ocupam horários na TV e rádio, e oferecem “produtos” (cultos) mais dinâmicos e participativos. O pastor muitas vezes é um membro da própria comunidade, fala a mesma língua e vive os mesmos problemas que o fiel. Já o padre, historicamente, passa por uma longa formação acadêmica (seminário) que, às vezes, cria um distanciamento cultural. O foco no “batismo no Espírito Santo”, curas e exorcismos oferece uma resposta imediata para as angústias do cotidiano. É uma religiosidade menos intelectualizada e mais emocional, que empodera o fiel a sentir que ele tem um canal direto com o divino. O crescimento do número de templos aumenta a disputa pela conquista de fiéis.
A Igreja Católica tradicionalmente se organiza por paróquias. Ela “está lá” e espera que o fiel a procure. É uma estrutura herdeira de séculos de monopólio, onde a religião era um dado cultural (nasce-se católico) e não uma escolha de mercado. A maioria das denominações evangélicas opera sob a lógica da conversão. O fiel é incentivado a ser um agente evangelizador (o “Ide” bíblico). Isso cria um exército de voluntários que pregam no trabalho, no ônibus e na vizinhança. Se uma rua nova surge em uma favela, é muito provável que uma igreja evangélica se estabeleça lá anos antes de qualquer presença paroquial católica.
Enquanto a Igreja Católica muitas vezes mantém uma crítica institucional ao capitalismo e à acumulação de riqueza (com base na Doutrina Social da Igreja), muitas igrejas evangélicas (especialmente as neopentecostais) abraçam a Teologia da Prosperidade. Nesse modelo, o sucesso financeiro é visto como um sinal de favor divino. A igreja funciona quase como uma rede de networking, onde o pastor incentiva o empreendedorismo e a disciplina financeira.
Historicamente, a Igreja Católica desenvolveu uma visão que desconfia da acumulação excessiva de riqueza. Há uma herança milenar (vinda de figuras como São Francisco de Assis) que vê a simplicidade e até a pobreza como um caminho de santidade. O foco está no desapego. A Igreja prega que a propriedade privada é legítima, mas deve ter uma “função social”. O acúmulo sem partilha é visto como um pecado social. É visto como um meio de dignificação da pessoa e sustento da família, mas não necessariamente como um termômetro da fé.
Na Teologia da Prosperidade a Fé é tratada como investimento. O sucesso financeiro é a prova visível da fidelidade do fiel e do poder de Deus. Se você está prosperando, Deus está com você; se está na miséria, pode haver um “bloqueio espiritual” ou falta de fé. O dízimo e as ofertas são tratados como uma “semente”. O fiel “investe” no Reino de Deus esperando um retorno (frequentemente multiplicado) do próprio Deus. É um contrato de reciprocidade. O fiel é incentivado a ter a “visão” de um vencedor. O pastor atua muitas vezes como um coach motivacional, impulsionando o indivíduo a abrir negócios e a “tomar posse” da vitória. O dinheiro é uma ferramenta de poder para a expansão do Reino de Deus e para o bem-estar do fiel. Não há culpa em querer ser rico. Enquanto o catolicismo oferece conforto espiritual na adversidade, a Teologia da Prosperidade oferece uma estratégia de superação da adversidade.
Em síntese, a transição religiosa no Brasil não pode ser compreendida como mero resultado estatístico ou de disputas teológicas abstratas, mas como expressão de transformações estruturais profundas na economia, na demografia, na urbanização e nas formas de sociabilidade. O declínio do catolicismo e a expansão das igrejas evangélicas refletem a passagem de uma religião herdada, vinculada a uma sociedade rural, hierárquica e de baixa mobilidade, para um campo religioso plural, competitivo e orientado pela lógica da escolha, da performance e da resposta imediata às angústias do cotidiano.
Nesse novo contexto, as denominações que mais se adaptam à racionalidade urbana, à cultura do consumo, ao empreendedorismo e à busca por autonomia individual tendem a ganhar espaço. As chances de os evangélicos ultrapassarem os católicos nos próximos 25 anos é elevada. O mercado religioso brasileiro espelha, com notável fidelidade, as contradições e aspirações de uma sociedade em rápida transformação, onde fé, mobilidade social e estratégias de sobrevivência material se entrelaçam de maneira cada vez mais indissociável.
Referências:
ALVES, JED et al. Distribuição espacial da transição religiosa no Brasil, Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 29, n. 2, 2017, pp: 215-242 http://www.revistas.usp.br/ts/article/view/112180/130985
ALVES, JED. A transição religiosa nos 200 anos da Independência, # Colabora, 30/05/2022
ALVES, JED, CAVENAGHI, Suzana. Os desafios para compreender e medir a transição religiosa no Brasil. In: REIS, Lívia et al, Os evangélicos em casa, na igreja e na política: a pesquisa novo nascimento 30 anos depois. Comunicações do ISER, Ano 44, n. 77, RJ, nov. 2025 https://iser.org.br/publicacao/os-evangelicos-em-casa-na-politica-e-na-igreja-a-pesquisa-novo-nascimento-30-anos-depois/
FRESTON, P. (2010). As duas transições futuras: católicos, protestantes e sociedade na América Latina. Ciências Sociais e Religião, Porto Alegre, v. 12, nº. 12, p. 13-30.
https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/csr/article/view/8669619
ALMEIDA, Alberto C. A cabeça do brasileiro, vinte anos depois: o que mudou?, RJ, Difel, 2025
NUNES, Felipe. Brasil no Espelho, RJ, Globo, 2025
ISER. Censo 2022: reflexões sobre religiões e sociedade. Debate com José Eustáquio Alves e Paul Freston, mediado por Christina Vital, 03/07/2025 https://www.youtube.com/watch?v=GvbtBA1jxnk
Kirsten Lesage, Jonathan Evans, Manolo Corichi and Skylar Thomas. Catholicism Has Declined in Latin America Over the Past Decade, Pew Research Center, 21/01/2026
Apoie o #Colabora
Queremos seguir apostando em grandes reportagens, mostrando o Brasil invisível, que se esconde atrás de suas mazelas. Contamos com você para seguir investindo em um jornalismo independente e de qualidade.
