União pelos bebês com má-formação

Biblioteca da ONG Saúde Criança Ilha. Foto de Igor França/ Atados

Saúde Criança Ilha

Por Atados | Mapa das ONGsODS 10 • Publicada em 13 de fevereiro de 2017 - 10:10 • Atualizada em 3 de setembro de 2017 - 01:19

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Biblioteca da ONG Saúde Criança Ilha. Foto de Igor França/ Atados
Biblioteca da ONG Saúde Criança Ilha. Foto de Igor França/ Atados
A biblioteca da ONG está precisando de voluntários. Foto de Igor França/ Atados

(Gabriel de Faro e Tatiana Azzi)* –  No Brasil, uma em cada 650 crianças nasce com fissura de lábio e/ou de palato (o céu da boca), também conhecida como lábio leporino. Especialistas ainda não bateram o martelo quanto às causas, mas há suspeitas de que fatores genéticos e ambientais atuem em associação para a má-formação. A pobreza ajuda a piorar o quadro, à medida em que a desnutrição das crianças inviabiliza a cirurgia de correção aos seis meses – idade recomendada para a intervenção cirúrgica quando a fissura é mais simples e atinge apenas os lábios, ou com um ano, quanto atinge o palato. É que a dificuldade de sucção dos bebês obriga a substituição precoce do leite materno pelo industrializado.

Há 19 anos, médicos e dentistas do Hospital Municipal Nossa Senhora do Loreto, na Ilha do Governador, na zona Norte do Rio, e voluntários do bairro decidiram promover uma campanha de arrecadação de leite. Batizaram a iniciativa de “Festa do Leite”. Assim nasceu o Projeto Súditos do Leite em 1998. Só que, rapidamente, os profissionais perceberam que não bastava associar a doação de leite com o tratamento gratuito às famílias dos bebês fissurados, ainda que o hospital fosse, e continue sendo, uma dupla referência, tanto em atendimentos quanto em cirurgias de crianças com este tipo de problema. Nove anos depois, o que começou como uma ação isolada, se transformou em uma ONG: a Saúde Criança Ilha – uma franquia social da Saúde Criança, criada pela médica Vera Cordeiro, em 1991.

As latas de leite em pó arrecadadas são distribuídas entre as famílias atendidas pelo hospital. Foto de Igor França/ Atados

De lá para cá, a campanha de combate à desnutrição já beneficiou cerca de 1.500 crianças fissuradas atendidas no hospital. Um total de 12 mil latas de leite são doadas anualmente e a ONG vem sobrevivendo com a apoio financeiros de colaboradores institucionais e de pessoas físicas. O maior apoiador é a Smile Train, uma organização internacional de caridade infantil que, no país, trabalha com uma rede de 34 parceiros, entre hospitais e instituições do Terceiro Setor, espalhados por 18 estados brasileiros.

Metodologia social 

Ao virar uma franquia social da Saúde Criança, o braço avançado da ONG na Ilha incorporou ao trabalho uma metodologia social baseada em cinco itens: saúde, educação, moradia, cidadania e geração de renda. As assistentes sociais visitam as casas dos pacientes, acompanham se os bebês estão indo às consultas médicas, dão assessoria à família para que ela possa recorrer a benefícios governamentais e oferecem oficinas de capacitação profissional. “As famílias chegam aqui fragilizadas”, conta Roberta Saldanha, assistente social do Saúde Criança Ilha, comentando que o drama das crianças fissuradas é agravado pela situação socioeconômica das famílias, em sua maioria com renda considerada abaixo da linha da pobreza. Muitas delas sequer têm casa para morar. “É uma parceria, a gente dá orientação, a mãe corre atrás e vamos conseguindo. É uma metodologia que realmente funciona”, resume.

Paixão transformadora

Fátima Brandão, diretora da ONG. Foto de Igor França/ Atados

A dentista Fátima Brandão, presidente da Saúde Criança Ilha, começou a trabalhar na clínica odontológica do hospital em 1986. “Era desconfortável perceber que oferecíamos os recursos em termos de saúde e, ainda assim, a criança voltava desnutrida”, lembra. Não demorou para se apaixonar pela causa – por ironia do destino, seu segundo filho nasceu com o problema. César, já adulto, é voluntário da ONG criada pela mãe.

A fissura aparece de diversas formas, podendo atingir somente os lábios, outras vezes o lábio e o céu da boca (palato). Traz consequências médicas e sociais, como o bullying, a timidez, a dificuldade na fala e infecções. Fátima ressalta a importância de se falar sobre o assunto, conscientizando mais pessoas para tornar o tema de conhecimento geral e dar acesso ao tratamento a todos que necessitem.

(Gabriel de Faro é psicólogo fascinado pelas palavras e sua capacidade de criar realidades. Pós-graduado em marketing pela ESPM, hoje é coordenador de comunicação no Rio da ONG Atados. Tatiana Azzi é graduada em jornalismo e audiovisual, especializada em fotografia pelo Ateliê da Imagem. É sócia da Cabrita Produções.)

Atados

É um site que conecta ONGs e projetos sociais com voluntários. Através do endereço (www.atados.com.br) é possível conhecer algumas iniciativas e se inscrever para um trabalho voluntário. O Atados também presta serviços na área de responsabilidade social corporativa, engajando empresas em causas sociais, além de criar projetos próprios como o Abraço Cultural, um curso de línguas em que os refugiados são os professores. Esse texto faz parte de um desses projetos: o comunicadores. São jornalistas e fotógrafos que, voluntariamente, contam histórias inspiradoras sobre pessoas que atuam na área social.

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