Educação ambiental precisa, sim, começar a ser estudada logo no início do ensino fundamental. Quando uma criança entende a importância de conservar o meio ambiente, é muito maior a chance de vir a se tornar um cidadão mais consciente. Em Itaipu, bairro da Região Oceânica de Niterói (RJ), mais de 2.200 crianças e jovens das escolas públicas locais já aprenderam que, desde os primórdios, o ser humano está conectado aos oceanos.
Vou de Canoa é um dos programas mais recentes apoiados pela Fundação Toyota do Brasil. Previsto para começar em 2020, com atividades de campo, teve que ser postergado por causa da pandemia de covid-19, conta Luciana Kamimura, coordenadora de projetos da Toyota:
“Começamos pelo Museu Arqueológico de Itaipu. As crianças fazem uma visita e recebem orientação sobre os oceanos pelo mundo, os diversos tipos de areia, as conchas. Com isso, ensinamos de forma lúdica a conexão da Humanidade com o mar. Depois há uma atividade sensorial na areia. Os alunos entendem que não podem jogar lixo. Para encerrar, levamos os estudantes para uma experiência em uma canoa polinésia, para que eles possam ver a praia de outra perspectiva. Todos ficam muito comovidos, inclusive as famílias. É emocionante”.

O projeto foi criado pela Escola de Canoa Polinésia Itaipu Surf Hoe e idealizado pela bióloga marinha e educadora ambiental Luiza Perin, autora de dois livros infantis. Ao final do programa, cada criança recebe um exemplar. A ideia é que a iniciativa que une cultura, educação e esporte seja cada vez mais abrangente e receba, inclusive, alunos de escolas fora de Itaipu. Escolas particulares também poderão participar, mediante agendamento. Como todos os programas apoiados pela Fundação Toyota do Brasil, o Vou de Canoa está relacionado a um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) das Nações Unidas. No caso, é o ODS 13, de ação urgente contra a crise climática e seus impactos.
Luciana coordena um dos programas mais recentes, mas também o pioneiro e bem-sucedido Projeto Arara Azul, no Pantanal. Ligado ao ODS 13, de preservação da vida terrestre, a iniciativa tem a educação como um dos seus pilares, destaca a coordenadora:
“A parte educacional não é tão conhecida pelo público em geral, mas trabalhamos muito o lado acadêmico. Tanto que a Neiva Guedes, bióloga idealizadora do programa, tem reconhecimento nacional e internacional. Temos muito orgulho disso. O projeto tem ainda ações voltadas para os ensinos fundamental e médio, no qual falamos de forma mais lúdica e mostramos como é importante contribuir para preservar a espécie em seu habitat natural”.
O Arara Azul também tem como objetivo promover oficinas de objetos em argila para comunidades pantaneiras e quilombolas em Aquidauana (MS) e arredores, conta Luciana:
“Com isso, geramos aprendizado e renda, e reduzimos a vulnerabilidade ao tráfico de espécies, por exemplo. Todo o trabalho educativo feito com a população do Pantanal faz com que o Instituto Arara Azul seja visto como uma autoridade de conservação na área e inibe ações predatórias. Quando a comunidade vê alguma coisa errada, entra em contato”.
Outra iniciativa apoiada pela Fundação Toyota do Brasil na qual é fundamental o envolvimento das comunidades locais é o Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (APACC), que acaba de completar 11 anos. Em uma parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) e a Fundação SOS Mata Atlântica, o programa se estende pelos 12 municípios da APACC, sendo nove em Alagoas e três em Pernambuco. A Fundação Toyota do Brasil contribuiu para elaboração e execução de dois plano de manejo, que conscientizaram cerca de 75 mil pessoas. Hoje, conta com oito zonas de preservação, que são áreas nas quais os ecossistemas se encontram sem ou com mínima alteração, de forma a garantir a manutenção de espécies, processos ecológicos e evolução natural dos ecossistemas.
“Agentes de mudança estão espalhados por toda a APACC e conseguem visualizar o que está acontecendo na área”, conta Luana Cardoso, coordenadora de projetos da Fundação Toyota do Brasil. “Fizemos um guia maravilhoso sobre os manguezais, quase uma enciclopédia. Mais de 300 professores foram treinados por este livro. Ficou bem mais fácil entender a importância do ecossistema para peixes-boi-marinhos e tartarugas-marinhas”.
O projeto é conectado ao ODS 14, de conservação dos recursos marinhos. Ao longo de mais de uma década, já desencalhou cerca de 1.108 animais, tais como tartarugas marinhas, aves aquáticas, golfinhos, baleias e inclusive peixe-bois, o mamífero aquático mais ameaçado de extinção. Se for necessário, o animal é tratado, antes de ser levado de volta ao mar. Ao todo, foram 18 peixes-bois-marinhos reintroduzidos graças ao trabalho meticuloso das pessoas que atuam no projeto: “Para nós, é sensação de dever plenamente cumprido quando esses animais conseguem se restabelecer e voltar para natureza”, comemora Luana.
“Queremos ensinar à população brasileira e à estrangeira a aprender a observar as espécies sem interagir. A arara-azul e o peixe-boi-marinho são animais dóceis e, por isso, muito vulneráveis”, conclui Luciana Kamimura, coordenadora de projetos da Toyota do Brasil. “Independentemente da vertente principal do projeto, temos sempre uma preocupação genuína de educar e melhorar a formação das pessoas envolvidas”.