O Dia do Trabalhador é uma data que remonta aos tempos das lutas trabalhistas – estimuladas pela 2ª Internacional Socialista – nas duas últimas décadas do século XIX. Nestes 140 anos de celebração, nunca houve um 1º de maio tão ameaçador para o trabalhador mundial e brasileiro. A pandemia da covid-19 trouxe desafios épicos para a humanidade. A conjugação de uma emergência sanitária com uma emergência econômica de tamanha proporção é um fato inédito para todos e faz do 1º de maio de 2020 um dia para não ser comemorado. Já são 3,3 milhões de pessoas infectadas pelo novo coronavírus no mundo, com 234 mil mortes. Ainda não há estatísticas disponíveis sobre o número de desempregados e nem dados consolidados sobre o provável aumento da pobreza e da fome. Mas não há dúvida de que as condições de vida vão piorar para todas as pessoas, em especial, para as camadas com menor inserção produtiva e com menor acesso aos direitos sociais, exatamente aquelas que deveriam (mas não podem) estar nas ruas empunhando as bandeiras dos direitos humanos no Dia do Trabalhador.
[g1_quote author_name=”Adam Smith (1723-1790)” author_description=”Economista” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]O trabalho é a fonte de toda a riqueza de uma nação
[/g1_quote]Panorama nacional
O Ministério da Saúde divulgou os números atualizados na tarde da quinta-feira, dia 30 de abril de 2020, e o volume de pessoas infectadas atingiu 85.380 casos, o número de vítimas fatais chegou a 5.901 óbitos, com uma taxa de letalidade de 6,9% no Brasil.
A variação diária do número de pessoas infectadas foi recorde absoluto no dia 30/04, com 7.218 novos casos (a segunda maior variação diária do mundo, atrás apenas dos EUA) e a variação absoluta de mortes atingiu o terceiro maior valor diário, chegando a 435 óbitos (a terceira maior variação global, atrás apenas dos EUA e Reino Unido). Mesmo sabendo que existem muitas subnotificações, o Brasil ultrapassou a China em número de casos e caminha para ultrapassar o Irã e a Alemanha em número de mortes. O Brasil continua avançando em ritmo forte e pode assumir o 2º lugar no ranking global, pois a atual semana, desgraçadamente, está apresentando uma aceleração do surto pandêmico em relação à semana anterior.
O gráfico abaixo mostra a evolução do número de casos no Brasil nas 4 quinzenas dos meses de março e abril de 2020. No dia 01 de março havia somente 2 casos da covid-19 no Brasil e passou para 200 casos no dia 15 de março, um aumento de 100 vezes (ou 35,9% ao dia). O número de casos passou para 5,7 mil em 31/03, um aumento de 24,4 vezes na segunda quinzena de março (ou 23,8% ao dia). No dia 15 de abril o número de casos chegou a 28,3 mil, um aumento de 5 vezes na primeira quinzena de abril (ou 11,3% ao dia). No dia 30/04 o número de casos no Brasil chegou a 85,4 mil, um aumento de 3 vezes na 2ª quinzena de abril (ou 7,6% ao dia).
Portanto, o número absoluto de casos está crescendo muito, mas a variação relativa está diminuindo nas quinzenas. Contudo, dentro da última quinzena há uma mudança preocupante pois os dados da última semana mostram uma aceleração em relação à semana anterior. Até o dia 03 de maio vamos poder retomar à análise semanal para ver se realmente o Brasil vai dar um repique na aceleração do surto e/ou se trata do efeito da aplicação de mais testes que reduzem as subnotificações.
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Veja o que já enviamosO panorama global
No dia 30 de abril, a pandemia global ultrapassou a marca de 3,3 milhões de casos e de 234 mil mortes. A taxa de letalidade ficou em 7,1%.
O gráfico abaixo mostra a evolução do número de casos no mundo nas 4 quinzenas dos meses de março e abril de 2020. No dia 01 de março havia 88,6 mil pessoas infectadas pela covid-19 no mundo e passou para 170 mil casos no dia 15 de março, um aumento de quase duas vezes (ou 4,6% ao dia). O número de casos passou para 935 mil em 31/03, um aumento de 4,7 vezes na segunda quinzena de março (ou 10,9% ao dia). No dia 15 de abril o número de casos chegou a mais de 2 milhões de pessoas infectadas, um aumento de 2,4 vezes na primeira quinzena de abril (ou 6,1% ao dia). No dia 30/04 o número de casos no mundo chegou a 3,3 milhões, um aumento de 1,6 vezes na 2ª quinzena de abril (ou 3,2% ao dia).
Quando será o fim da pandemia no Brasil?
É difícil responder a esta pergunta, pois o Brasil é muito grande e heterogêneo e a pandemia tem ritmo diferenciado nas diversas regiões, estados e municípios. Contudo, a Universidade de Singapura (US) fez um modelo estatístico que pretende monitorar o ritmo da pandemia e prever o seu fim. A cada dia eles vão incorporando os novos dados e o modelo estabelece a data final com as margens de segurança de 97% e 99%.
Ou seja, ao invés de achatar a curva como seria necessário, o que o modelo estatístico da US tem mostrado, ao atualizar os dados, é que a curva da pandemia no Brasil tem elevado a altura e alargado a base da curva. Isto quer dizer que estamos no pior dos mundos, pois o surto pandêmico está em expansão e o fim deste horrível drama está cada vez mais distante.
A pandemia e o pandemônio econômico no Dia do Trabalhador no Brasil
O trabalhador brasileiro não tem nada a comemorar no dia 1º de maio de 2020 e tem muito a perder com a emergência sanitária e a emergência econômica. Olhando para os dados oficiais, o Brasil caminha para ser o segundo país mais atingido pela pandemia da covid-19 (atrás apenas dos Estados Unidos). Mas se considerarmos que existe uma imensa subnotificação, na realidade, provavelmente, o Brasil já pode ser o segundo país mais atingido pelo surto pandêmico. E pelas estimativas do FMI, o Brasil vai ter a sua maior recessão da história.
Indubitavelmente, os números de vítimas da pandemia e do pandemônio se avolumam. Desta forma, a maior parte da população brasileira vai passar o Dia do Trabalhador com medo de perder não só o emprego, mas, principalmente, perder a vida.
O IBGE, divulgou no dia 30/04, os dados da PNAD Contínua para o emprego no país, no trimestre encerrado em março de 2020. Como a pandemia influiu pouco na dinâmica do mercado de trabalho em janeiro e fevereiro e só afetou parcialmente os números de março, o dados da PNAD Contínua de janeiro a março não refletem a dramaticidade da situação da força de trabalho brasileira, que, evidentemente, se agravou enormemente a partir do mês de abril.
De qualquer forma os números do IBGE já mostram a gravidade da situação. A taxa de desocupação (que mede o desemprego aberto) ficou em 12,2%, com 12,9 milhões de pessoas procurando trabalho. E a taxa de subutilização (que mede o “desemprego” mais amplo) ficou em 24,4%, representando 27,6 milhões de pessoas subutilizadas, conforme o gráfico abaixo. Este número é maior, por exemplo, do que toda a população ocupada da Espanha (isto é, o Brasil está jogando fora o potencial produtivo de uma Espanha que tem dentro de si).
População brasileira total por ocupação (em mil), 1º trimestre de 2015 e de 2020
Categorias | 1º tri 2015 | % | 1º tri 2020 | % |
População total | 202.209 | 100,0 | 210.474 | 100,0 |
População ocupada | 91.555 | 45,3 | 92.223 | 43,8 |
População não ocupada | 110.654 | 54,7 | 118.251 | 56,2 |
Fonte: IBGE https://sidra.ibge.gov.br/home/pnadcm
Portanto, os indicadores do mercado de trabalho pioraram pois houve uma redução do percentual da população ocupada de 45,3% no 1º trimestre de 2015, para 43,8% no 1º trimestre de 2020. E além disto, temos que considerar que destes 92,2 milhões de trabalhadores, 39,9% (ou 36,8 milhões de pessoas) são trabalhadores informais que estão fora do sistema de proteção social. E, evidentemente, são os mais vulneráveis aos efeitos negativos da covid-19 em termos de saúde e de economia. E a única certeza que há, na atual conjuntura, é que o quadro do emprego vai piorar muito no trimestre de abril a junho de 2020.
Frase do Dia 01 de maio de 2020
“O trabalho é a fonte de toda a riqueza de uma nação”
Adam Smith (1723-1790)