WWF lista 12 espécies ameaçadas pelo aquecimento global

Macaco na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas: na lista da WWF de 12 espécies ameaçadas pelo aquecimento global (Foto: ICMBio)

Mudanças climáticas já afetam habitat de animais e vegetais, da Amazônia a Antártica, que não vão sobreviver se a temperatura continuar subindo

Por Oscar Valporto | ODS 13ODS 14ODS 15 • Publicada em 14 de junho de 2021 - 10:17 • Atualizada em 21 de junho de 2021 - 10:17

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Macaco na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas: na lista da WWF de 12 espécies ameaçadas pelo aquecimento global (Foto: ICMBio)

Relatório recém-publicado pela WWF destaca 12 espécies – de animais e de vegetais – em todo o mundo que já estão sofrendo os impactos das mudanças climáticas: de pinguins dos desertos gelados da Antártica a macacos da Floresta Amazônica, de papagaios-do-mar nas costas do Reino Unido ao café arábica, original da Etiópia e largamente produzido na América do Sul.

O relatório ‘Sentindo o calor: o destino da natureza além de 1,5 ° C do aquecimento global’ aponta que as mudanças climáticas estão aumentando a frequência e a intensidade de eventos extremos (ondas de calor, inundações, secas e incêndios florestais), como provocando o aquecimento dos oceanos e a elevação do nível do mar. Tudo isso coloca espécies – e seus habitats – sob maior pressão. Muitos animais e plantas não conseguem lidar com as mudanças no ambiente, que tornam água e alimentam mais escassos.

As 12 espécies desta lista são apenas algumas já afetadas pela crise climática. Documento do WWF de 2020 revelou que o tamanho das populações de mamíferos, pássaros, peixes, anfíbios e répteis caiu em média 68% desde 1970 – mais de dois terços em menos de 50 anos. A ordem da lista não é por tamanho da ameaça: as 12 espécies estão condenadas se o aquecimento global não for contido.

Macaco-esquilo-da-cabeça-preta oumacaco-de-cheiro-de-cabeça-preta) tem menor distribuição geográfica conhecida de todos os primatas tropicais: ameaçados pela mudança climática (Foto: Ismar Santana/ Instituto Mamirauá)

1. Macaco-esquilo-da-cabeça-preta (macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta) tem, de acordo com a WWF, a menor distribuição geográfica conhecida de todos os primatas tropicais, pois são residentes em apenas um local, na área de 870 quilômetros quadrados na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, na região do Médio Solimões, no Amazonas. Para o relatório, a espécie representa todos os primatas da Amazônia, ameaçados pelas mudanças climáticas agravadas pelo desmatamento. “A perda de habitat deve resultar em um declínio de, no mínimo, 50% da população desta espécie de macaco”.

Lebre da montanha no Parque Nacional Cairngorms na Escócia: calor reduz habitat e deixa animal mais vulnerável a predadores (Foto: Tesni Ward / Biosphoto / AFP)

2. Lebres da montanha nas Terras Altas da Escócia são animais que usam seu pelo branco para se misturar à neve e escapar de predadores. Atualmente, com as mudanças climáticas, os animais mantêm seus casacos brancos de inverno muito depois do derretimento da neve derrete, deixando-os mais vulneráveis. A tendência é que as lebres procurem lugares cada vez mais altos, com menos espaço e menos alimentos.

Hipopótamos em pântano na África: com mudança climática, mamíferos já ameaçados pela caça e o represamento dos rios, sofrem ainda com aumento das temperaturas e secas prolongadas (Foto: WWF)

3. Hipopótamos que vivem em rios, lagos e pântanos na África Subsaariana já sofrem com o represamento dos rios, desmatamento da floresta para a agricultura e a caça. A mudança climática está somando novas ameaças. O aumento das temperaturas, as secas prolongadas e as chuvas cada vez mais irregulares estão reduzindo os níveis e a qualidade da água: os hipopótamos não se adaptam a altas temperaturas fora da água, o que os torna mais vulneráveis nos períodos de seca.

Café arábica colhido na Etiópia: cultivo de grão para tipo popular da bebida ameaçado por calor excessivo, precipitação baixa e chuvas imprevisíveis (Foto: WWF)

4. O café arábica, originário da Etiópia e cultivado em boa parte do mundo, é apontado como responsável pelos melhores cafés do planeta. Mas o cultivo deste café precisa de temperaturas em torno de 18 a 22 graus Celsius, mas não lida bem com calor excessivo, precipitação baixa, chuvas imprevisíveis e condições meteorológicas extremas. A quantidade de terra adequada para sua produção deve cair significativamente em todo mundo: as espécies selvagens da Etiópia estão ameaçadas pelas mudanças climáticas: as temperaturas cada vez mais altas tornam as lavouras de café vulneráveis a pragas e doenças.

Sapo de Darwin na América do Sul: população de batráquio vem desaparecendo devido à perda de seu habitat de pântanos no Chile e na Argentina (Foto: Claudio Azat / IUCN)

5. O sapo de Darwin – batizado com o nome de seu descobridor, o cientista Charles Darwin em 1834 – está desaparecendo devido à perda de sua floresta temperada e de seu habitat de pântanos no Chile e na Argentina e ainda à disseminação da doença fúngica Chytrid, fatal para esses batráquios. Os autores do relatório preveem que o aquecimento global reduzirá ainda mais seu habitat e tornará mais difícil a sobrevivência dessas espécies adaptadas a viver em condições frias – além de criar condições favoráveis para o fungo que ameaça o futuro dos sapos.

Pinguins imperadores na Antártica: redução de gelo estável e espesso para criar seus filhotes e substituir suas penas na muda ameala espécie (Foto: Liu Shiping / Xinhua / AFP)

6. Os pinguins imperadores – a maior espécie dessas aves – precisam de gelo estável e espesso por, pelo menos, nove meses do ano para criar seus filhotes e substituir suas penas na muda anual, além de lacunas no gelo para acessar áreas de alimentação. O relatório do WWF aponta que o aumento das temperaturas fará crescer ainda mais a perda do gelo marinho da Antártida, o que atingirá as colônias de reprodução dos pinguins, e a maioria se tornará “quase extinta” em 2100 – se as emissões continuarem aumentando como estão hoje.

Leopardo-da-neve no Nepal: temperaturas mais altas devem reduzir seu habitat em 23% até 2070 (Foto: WWF)

7. Leopardos-da-neve estão adaptados às condições adversas e frias nas montanhas do centro e sul da Ásia, mas o estudo aponta que as temperaturas mais altas devem reduzir seu habitat em 23% até 2070, caso nada seja feito. Os cientistas também preveem que a linha das árvores vai mudar para altitudes mais elevadas, tornando a paisagem menos adequada para as presas do leopardo e abrindo espaço para outros predadores, como lobos – além de criar as condições para ocupação humana com sua agricultura e pecuária o que também será ameaça para os leopardos das neves.

Tartaruga recém-nascida a caminho do mar: temperatura da areia determina sexo dos filhotes e calor desequilibra população da espécie (Foto: WWF)

8. A tartaruga-de-couro (ou tartaruga-gigante) tem o sexo dos seus filhotes determinado pela temperatura da areia nas praias onde os ovos são colocados. Com temperaturas mais altas à medida que os ovos são incubados, isso leva a um número muito maior de fêmeas da maior espécie de tartarugas marinhas. Essa disparidade, junto com o perigo de os ovos não eclodirem se as temperaturas subirem muito, pode ameaçar sua sobrevivência – o aumento do nível do mar e multiplicação das tempestades devido à mudança climática podem levar a destruição dos ninhos.

Recifes de coral na costa australiana: em risco por conta do aumento da acidez e o aquecimento dos oceanos (Foto: WWF)

9. Recifes de coral de água quente, que sustentam algumas das áreas mais ricas em vida selvagem do planeta, estão cada vez mais sob risco de aumento da acidez e aquecimento dos oceanos – o que leva ao branqueamento do coral e potencialmente à morte – devido às emissões de carbono. Mesmo que os aumentos de temperatura sejam limitados a 1,5 ° C, os cientistas alertam ser provável que haja declínios de até 90% nesses corais até 2050 – mas se aquecimento chegar  2°C acima dos níveis pré-industriais, 99% serão perdidos.

Abelhas polinizadoras: mudança para regiões mais frias por conta do aquecimento no habitat pode sacrificar algumas espécies (Foto: WWF)

10. Abelhas, importantes polinizadores, são suscetíveis ao superaquecimento já que esses insetos geram calor durante o vôo, e seus corpos felpudos garantem uma cobertura quente para enfrentar climas frios. Com o aquecimento global, algumas abelhas já estão se mudando para regiões mais frias. De acordo com a WWF, contudo, isso restringe a área pela qual as abelhas podem se espalhar o que  pode levar algumas espécies à extinção.

Papagaios-do-mar na costa britânica: tempestades mais severas e frequentes atingem essa espécie de ave marinha, seus ninhos e ovos (Foto: WWF)

11. Papagaios-do-mar do Atlântico – aves que nadam bem mas voam mal, conhecidas nas costas do Reino Unido – vêm sofrendo grave declínio em sua população com o aquecimento global, que somou-se à também crescente ameaça da pesca. A mudança climática está causando tempestades mais severas e frequentes que atingem essas aves marinhas, seus ninhos e ovos, enquanto o aumento da temperatura do mar está afetando a cadeia alimentar.

Bluebells no sul da Inglaterra: espécie de flor europeia ameaçada pela mudança climática que está alterando temporada de crescimento e queda das folhas das copas das árvores (Foto: WWF)

12. Bluebells (campânulas azuis) são flores nativas da Europa que florescem na primavera, antes que o solo da floresta seja coberto por sombra à medida que as folhas do alto das árvores crescem. As temperaturas mais altas estão mudando quando as plantas estão florescendo e soltando folhas e as bluebells não vêm conseguindo sincronizar seu crescimento para coincidir com a temporada quando as copas das árvores estão abertas, reduzindo a área dessas flores que também tem sido afetadas pela seca na primavera europeia.

Oscar Valporto

Oscar Valporto é carioca e jornalista – carioca de mar e bar, de samba e futebol; jornalista, desde 1981, no Jornal do Brasil, O Globo, O Dia, no Governo do Rio, no Viva Rio, no Comitê Olímpico Brasileiro. Está de volta ao Rio após oito anos no Correio* (Salvador, Bahia), onde foi editor executivo e editor-chefe. É criador da página no Facebook #RioéRua, onde publica crônicas sobre suas andanças pela cidade.

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