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Força feminina no Ambiente

Wilson Witzel, governador eleito do Rio, surpreende e anuncia bióloga para secretaria do Ambiente, que volta a ter mulher no comando após 8 anos


Ana Lúcia Santoro : a nova secretária do Ambiente do Rio (Foto: Arquivo pessoal)
Ana Lúcia Santoro : a nova secretária do Ambiente do Rio (Foto: Reprodução)

Uma surpresa. Esse foi o único consenso da escolha da bióloga Ana Lúcia Santoro pelo governador eleito do Rio, Wilson Witzel, para assumir a Secretaria estadual do Ambiente, a partir de janeiro de 2019. Doutora em Ecologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com experiência internacional em ensino e pesquisa – na Dinamarca e na Suécia –, Ana Lúcia quebra um histórico recente de indicações para acomodar composições políticas na pasta que controla as licenças ambientais e fundos de compensações de grandes empreendimentos. A última mulher a ocupar o posto máximo ambiental do Rio foi Marilene Ramos, que saiu em dezembro de 2010.

Moradora do Grajaú, vizinha ao governador eleito, Ana Lúcia vai comandar uma secretaria com 150 funcionários diretos, e outros 1.300 do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), órgão vinculado executor das políticas ambientais. Aos 33 anos, ela vai encontrar um ambiente ainda sob o trauma da prisão de André Corrêa, homem-forte da política ambiental do governo Pezão a partir de 2015. Corrêa responde por recebimento de propina para votar a favor do governo Sergio Cabral (2007-2014) na Assembleia Legislativa. Mesmo afastado da SEA desde novembro de 2016, André na prática ditava os rumos da secretaria, por meio de homens de sua confiança.

Ana Lúcia tem histórico acadêmico, mas também na gestão pública. Trabalhou na Rio Águas, autarquia da Prefeitura do Rio, por mais de cinco anos. Em 2016, atuou na elaboração de soluções técnicas para o fim da mortandade de peixes da Lagoa Rodrigo de Freitas. Ainda na prefeitura, foi a responsável pela avaliação da operação das Unidades de Tratamento de Rio (Canal da Rocinha, Rio Carioca, Rio Arroio Fundo, Praia de Barra de Guaratiba e Piscinão de Ramos) para cumprimento da legislação ambiental, manejo de produtos químicos, avaliação de ensaios laboratoriais e elaboração de relatórios técnicos. As Unidades de Tratamento de Rio são estruturas que tratam esgotos na foz dos rios. Suas operações, consideradas bastante custosas, sempre foram uma controvérsia no Rio.

Com especialidade em limnologia – o estudo das reações funcionais e produtividade das comunidades bióticas de lagos, rios, reservatórios e região costeiras -, Ana sempre se destacou no Laboratório de Biogeoquímica/Departamento de Ecologia da UFRJ, onde foi pesquisadora de 2008 a 2013. É tida por colegas como focada e bastante realizadora.

“A escolha me surpreendeu bastante, e me agradou bastante também”, diz o biólogo Fausto Machado, que trabalhou por breve período com a futura secretária no Laboratório de Biogeoquímica da UFRJ. “Ela é inteligente e prática, do tipo que resolve tudo o que está em suas mãos. Creio que seu maior desafio será delegar tarefas e montar uma equipe a seu gosto. A experiência da Prefeitura certamente ajudará bastante, pois já conhece a máquina pública”.

Frustração entre aliados

Se encheu os olhos de muita gente, a escolha de Ana Lúcia desagradou a alguns aliados do governador eleito. Responsáveis pela elaboração do plano ambiental de governo do ex-juiz federal reclamam que Witzel deu de ombros para antigos aliados na hora da escolha. O químico João Marcelo Barbosa, professor da Faetec, é um deles. Ele pretende levar o desconforto com a situação ao empresário José Luís Cardoso Zamith, coordenador da transição de governo, na semana que vem.

“A sensação é de que na hora de o governador eleito reconhecer quem sempre esteve com ele, vira as costas. Ainda é cedo, vamos dar tempo ao tempo, mas até agora o sentimento é de frustração”, reclama um aliado que ajudou a elaborar o plano.

O programa do governador eleito na área ambiental é extenso. Wilson Witzel critica a privatização da Cedae, fala em expandir a malha ferroviária, defende parcerias público-privadas (PPP) em saneamento, barcas para São Gonçalo e Magé, e metrô para Gávea. O texto prevê ainda garantia de investimento em energia renovável, inclusive eólica e solar, com apoio a projetos de geração individual de energia, na conclusão das obras de saneamento iniciadas pelo Programa de Saneamento dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara (PSAM), iniciado em 2012, e na criação de um fundo para revitalizar a Baía da Guanabara – com, no mínimo, 3% dos recursos oriundos dos royalties do petróleo, além de outras fontes.

Após a publicação dessa reportagem, João Marcelo Barbosa, químico e mestre em Saúde Pública pela Fiocruz, enviou uma mensagem à reportagem do #Colabora negando desconforto com a nomeação de Ana Lúcia. Segundo ele, o único questionamento é sobre a ausência de sua participação na fase de transição de governo:
“Com relação à escolha da Secretaria de Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, tenho a dizer que sangue novo, técnico e feminino, são características mais que bem-vindas. Uma jovem com uma sólida formação acadêmica que também tenha vivência no verdadeiro labirinto que existe na máquina estatal, a fim de que a mesma funcione, é sempre boa notícia”, ponderou, acrescentando que gostaria de “contribuir na formatação do plano de governo na área ambiental”,  ainda que Witzel sempre tivesse deixado claro que a participação no plano de governo não significaria nomeação automática em cargos futuros na administração pública.

Veja: Ana Lucia mostra como funciona a UTR Arroio Fundo


Escrito por Emanuel Alencar

Emanuel Alencar

Jornalista formado em 2006 pela Universidade Federal Fluminense (UFF), trabalhou nos jornais O Fluminense, O Dia e O Globo, no qual ficou por oito anos cobrindo temas ligados ao meio ambiente. Atualmente, é editor de Conteúdo do Museu do Amanhã. Tem pós-graduação em Gestão Ambiental e cursa o mestrando em Engenharia Ambiental pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Apaixonado pela profissão, acredita que sempre haverá gente interessada em ouvir boas histórias.

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9 Comentários

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  1. Que essa nova presidente valorize mais os técnicos e os servidores efetivos desse nossa instituição, com essa atitude, com certeza poderemos alimentar a esperança de uma reposição salarial que atinge aproximadamente uns dez anos de defasagem, oremos para que isso aconteça !!!

    • SECRETARIA QUE A SENHORA TENHA SUCESSO EM SUA MISSÃO, E QUE OS PROJETOS E FISCALIZAÇÃO NÃO SEJAM FARÇAS E PROPAGANDA ENGANOSA DO GOVERNO ESTADUAL, E SECRETARIO QUE ESTA SAINDO, ONDE ESPALHA PLACA DO PROJETO OLHO NO VERDE, QUE DIZ SOBRE MONITORAMENTO VIA SATÉLITE E NA VERDADE NÃO MONITORA NADA E AS AREAS E PROTEÇÃO AMBIENTAL DO PARQUE ESTADUAL DA PEDRA BRANCA, O QUE NÃO FALTA É DESNATAMENTO.

  2. Que olhe a CEDAE como uma empresa que da lucro e que não permita que os politicos a usem como cabide como esta sendo a anos e anos. Um verdadaeiro descaso com os funcionários concursados que querem trabalhar. Os impõe o ócio em prol de atividades para contratar protegidos politicos.

  3. SECRETARIA QUE A SENHORA TENHA SUCESSO EM SUA MISSÃO, E QUE OS PROJETOS E FISCALIZAÇÃO NÃO SEJAM FARÇAS E PROPAGANDA ENGANOSA DO GOVERNO ESTADUAL, E SECRETARIO QUE ESTA SAINDO, ONDE ESPALHA PLACA DO PROJETO OLHO NO VERDE, QUE DIZ SOBRE MONITORAMENTO VIA SATÉLITE E NA VERDADE NÃO MONITORA NADA E AS AREAS E PROTEÇÃO AMBIENTAL DO PARQUE ESTADUAL DA PEDRA BRANCA, O QUE NÃO FALTA É DESNATAMENTO

  4. É SERGIO O INEA ATUAL É UMA VERGONHA, NÃO FISCALIZA NADA, A ZONA OESTE AS AREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL ESTAM SENDO DEVASTADA, INSTALAM PLACAS DE PROJETO OLHO NO VERDE, QUE SATÉLITE É ESSE QUE NÃO MONITORA NADA

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