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Lugar de quereres e oportunidades

Centro Social e Cultural Tatiane Lima


Turma do Coletivo Coca-Cola da ONG Tatiane Lima
Jovens atendidos pelos Centro Tatiane Lima participam do “Coletivo Coca-Cola” para serem inseridos no mercado de trabalho

Adriano tem 16 anos. É órfão de pai e mãe. Já foi reprovado três vezes. Quer se aprimorar e conquistar o primeiro emprego. Pâmela tem 19. Concluiu o Ensino Médio, mas perdeu a prova do Enem. Quer um trabalho para pagar a faculdade de Engenharia de Produção. Lidiane, 24, é casada e tem um filho. Quer retomar os estudos e arrumar um serviço com carteira assinada. Nick tem 27 anos. É da Nova Zelândia e quer ficar no Brasil por causa de uma linda garota. A Sandra tem 52 anos e não quer nada, quer apenas ajudar.

Todos querem alguma coisa. E todos precisam apenas de uma coisa: oportunidade.

Sede do Centro Tatiane Lima
Sede do  Tatiane Lima, na Favela do Batan

E essa turma do parágrafo de cima ganhou a chance de começar a atingir seus sonhos em um dos lugares mais improváveis: uma comunidade carente da Zona Oeste do Rio de Janeiro, mais precisamente na Favela do Batan. É lá que funciona o Centro Cultural e Social Tatiane Lima, uma ONG, meio caidinha por fora, mas toda arrumadinha por dentro, que impressiona pela variedade de projetos que desenvolve e pela quantidade de gente que atende. “Se for somar tudo, vai dar umas duas mil pessoas atendidas por ano”, calcula Eliane Lima, fundadora e presidente do Tatiane Lima.

Além do “Coletivo Coca-Cola”, que ajuda a inserir jovens no mercado de trabalho, a ONG oferece oficina de música, onde os meninos aprendem a tocar instrumentos com o maestro Genivaldo Carvalho Soares, um dos reitores da Escola de Música Villa-Lobos; e também judô, capoeira, inglês, informática, e, no último dia 29 de fevereiro, começou o curso Afro, que vai ensinar a fazer penteados. A ONG também trabalha com mulheres portadoras de HIV.

A entidade costuma ser procurada pelo Conselho Tutelar, pedindo ajuda para crianças que saíram da escola e que têm problemas pessoais. É a equipe do Tatiane Lima costuma entrar em contato com a família dos menores.

Já visitamos 4.116 casas e prestamos orientação para o combate à tuberculose

Neuci Rosa
assistente social

E é tudo de graça. Mas como?

“A gente cria bazar, almoço comunitário. Nos viramos. Compramos um pula-pula para alugar nas festinhas. Em cinco dias, faturamos R$ 1,2 mil. Mas, ficamos só com R$ 600. A outra metade foi do moço que ficou tomando conta do brinquedo nas festas. Por que não ajudar essa pessoa também? A gente não fica de pires na mão pedindo a um e a outro. A gente promove coisas para arrecadar fundos. Quem nos ajuda um pouco é o Instituto Coca-Cola. Não banca a instituição, mas ajuda. Por exemplo, a conta de luz é R$ 700. A Coca me dá metade, o restante a gente cobre. A água é a mesma coisa. Um pouquinho que nos dá, ajuda a sobreviver”, conta Eliane.

E ela não se esquece dos outros parceiros: Viva Rio, Rio Solidário, Tribunal de Justiça do Rio, Ceasa. “O PHI nos ajudou muito no projeto de música, doaram os instrumentos. Eles escolheram a gente. Foi uma surpresa boa, vieram na hora certa, quando a instituição mais precisava. Estávamos quase fechando. Eu estava muito desanimada, nos deram motivação para o trabalho”, revela, acrescentando que só não fechou porque o imóvel é próprio. “Muita ONG encerra porque não consegue pagar o aluguel”.

Mas, e os voluntários?

Lousa do Centro Tatiane Lima, que é compartilhada por diferentes oficinas
Quadro de aviso sobre as oficinas na recepção

Sandra Ângela de Oliveira chegou no Tatiane Lima depois de conversar com Neuci Rosa, que é assistente social na entidade. Ela trabalha na faxina da sede, que incluí quatro salas, recepção, banheiro e cozinha, distribuídos em dois andares. É grande para limpar, mas pequena para tanto curso.

“Na mesma sala do inglês, funciona o judô, a capoeira e a música. A sala é multiuso”, conta Neuci.

A lousa do inglês se reveza com o quadro da partitura musical.

Outro detalhe interessante está justamente na lousa do inglês. O Nick lá do primeiro parágrafo, é voluntário pela iko Poran, que abastece o Centro Tatiane Lima com recursos humanos. Ele dá aulas de noção de inglês para duas turmas, cada uma com 25 alunos, a partir dos sete anos de idade. O Nick é ótimo na língua inglesa, mas seu português deixa a desejar. Ele escreve “quinte”, em vez de quinta, quando traduz thursday.

“A gente não tem a pretensão de formar ninguém no inglês, queremos é despertar no jovem a curiosidade, a vontade de querer aprender outra língua, coisa que não é cultural, pelo menos na classe menos privilegiada. E os voluntários vêm ensinar e acabam aprendendo. A gente teve há uns quatro ou cinco anos, duas voluntárias da Estônia, que não falavam uma palavra em português e ficaram seis meses. Em três meses, já estavam falando português. As crianças corrigem os professores. Há essa troca. E isso é muito legal”, ensina Eliane.

O Centro Tatiane Lima já ajudou muita gente a conseguir colocação no mercado de trabalho. Mas, também contabiliza suas perdas. “Um dos nossos jovens, no dia que completou 18 anos, do nada foi assaltar e está agora no presídio Bangu 4. Fiquei muito abalada. Perdi um, mas creio que a gente vai resgatar. Todos são importantes”, desabafa uma entristecida Eliane, cuja vida lhe impôs muitas perdas. O Centro, aberto em 2005, é uma homenagem à única filha dela, Tatiane Lima, que morreu, em 1996, prestes a completar 15 anos, em um acidente de carro.

Equipe de trabalho do Centro Tatiane Lima
Equipe Centro Tatiane Lima,o neozelandês Nick, a faxineira Sandra, a diretora Eliane e a assistente social Neuci

Antes que esqueçamos, Eliane e Neuci também querem alguma coisa. Eliane quer ver o Centro transformado em um grande instituto, com muitas salas e mais conforto tanto para quem dá, quanto para quem recebe. A Neuci, no momento, está querendo mesmo é um jogo de espelhos para inaugurar um curso de dança para idosos. Certamente vai funcionar na sala do inglês.

Ah, eu quero colaborar! E você, o que quer?

Ficha

Área de atuação Direitos Humanos

Nº de funcionários com carteira assinada ou autônomos 1

Orçamento anual R$ 31.964,00

Percentual doado pelo maior patrocinador 100%

Existe formalmente há mais de 5 anos? sim

Possui alguma atuação que busque influenciar as políticas públicas? sim

Publica prestação de contas periodicamente no site? não

Site www.centrosocialtatianelima.webs.com

Fonte: INSTITUTO PHI

* Este material foi criado automaticamente através da ferramenta Banco de Organizações do Instituto Phi e é exclusivamente baseado nas informações enviadas pela organização cadastrada. O Instituto Phi não provê, através da criação deste material, nenhum tipo de certificação ou recomendação da organização cadastrada, nem mesmo da veracidade das informações aqui dispostas.


Escrito por Wilson Aquino

Wilson Aquino é repórter e autor do livro Verão da Lata (editora Leya)

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