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Orgulho estampado nas primeiras carteiras de trabalho

Mostra de Assis Horta reúne fotos 3x4 de operários, na época da criação da CLT


Cliques para a primeira carteira de trabalho: exposição no BNDES do Rio. Foto de Assis Horta/Pesquisa de Guilherme Horta

O tema não poderia ser mais emblemático: no ano em que a reforma trabalhista é meta do governo Temer, o Rio ganha uma exposição do fotógrafo mineiro Assis Horta, 99 anos, no Espaço Cultural BNDES, no Centro. Natural da Diamantina de Juscelino Kubistchek, Horta foi responsável pelo registro fotográfico de centenas de trabalhadores humildes, que entraram pela primeira vez em um estúdio para tirar uma foto para a carteira de trabalho. O ano era 1943, e Getúlio Vargas acabara de promulgar a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT).

Nos anos seguintes, seu Assizinho, como o fotógrafo era conhecido na cidade mineira, viu sua clientela aumentar. As mulheres que precisavam de um retrato 3×4 para a carteira de trabalho chegavam, em sua maioria, bem arrumadas. Para os mais desprevenidos, Horta deixava algumas peças de roupa separadas para empréstimo. O sucesso foi tão grande que famílias inteiras se dirigiam a seu estúdio para se serem fotografadas.

A fotografia, que até então se destinava a retratar a sociedade burguesa, começou a ser descoberta pela classe operária. O retrato entrou na vida do trabalhador: realizou sonhos, atenuou a saudade, eternizou esse ser humano, mostrou sua face

Guilherme Horta
Curador da exposição

Com curadoria de Guilherme Horta, que apesar do sobrenome não possui parentesco com seu Assis, a exposição Assis Horta: Retratos, conta com mais de 200 fotografias, todas em preto e branco, divididas em três módulos. No primeiro, representado pelo decreto lei que instituiu o uso da Carteira de Trabalho (CTPS), o público é apresentado aos primeiros retratos 3×4 com data. Em seguida, o visitante encontrará um confronto entre a fotografia de identidade civil e o retrato como gênero artístico. Por fim, na terceira parte, são apresentadas imagens dos trabalhadores no estúdio fotográfico de Assis Horta.

Primeiro trabalhador fotografado para a capa de uma revista. Foto de Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta

“A fotografia, que até então se destinava a retratar a sociedade burguesa, começou a ser descoberta pela classe operária. O retrato entrou na vida do trabalhador: realizou sonhos, atenuou a saudade, eternizou esse ser humano, mostrou sua face”, destaca Guilherme.

Esta não é a primeira vez que a obra de Assis Horta é lembrada. Em 2013, o diretor mineiro Alexandre Baxter realizou o curta Assis Horta: O Guardião da Memória, com a história do fotógrafo e sua relação com a comunidade de Diamantina.

“Ter uma exposição como esta em um ano onde a própria forma de trabalho está sendo revista é de suma importância. E ver que as pessoas que ainda não conheciam sua obra estão tendo acesso a este material é muito bonito”, avalia Alexandre.

Horta manteve seu estúdio em Diamantina entre as décadas de 1930 e 1970. Seus registros, todos feitos em chapas de vidro, são uma verdadeira radiografia da sociedade mineira da época.

Abaixo, uma galeria com algumas imagens da exposição. Para quem quer ver ao vivo: Espaço Cultural BNDES (Avenida Chile, 100, Centro, Rio de Janeiro); até 05 de maio de 2017, de segunda a sexta, das 10h às 19h (exceto feriados). Entrada gratuita.

Assis Horta: Retratos

  • Assis Horta: Democratização do Retrato Fotográfico
    Assis Horta: Democratização do Retrato Fotográfico
    Foto: Assis Horta / Pesquisa de Guilherme Horta
    Foto: Assis Horta / Pesquisa de Guilherme Horta
  • Assis Horta: Democratização do Retrato Fotográfico
    Assis Horta: Democratização do Retrato Fotográfico
    Foto: Assis Horta / Pesquisa de Guilherme Horta
    Foto: Assis Horta / Pesquisa de Guilherme Horta
  • Assis Horta: Democratização do Retrato Fotográfico
    Assis Horta: Democratização do Retrato Fotográfico
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
  • Assis Horta: Retratos
    Assis Horta: Retratos
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
  • Assis Horta: Retratos
    Assis Horta: Retratos
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
  • Assis Horta: Retratos
    Assis Horta: Retratos
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
  • Assis Horta: Retratos
    Assis Horta: Retratos
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
  • Assis Horta: Retratos
    Assis Horta: Retratos
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
  • Assis Horta: Retratos
    Assis Horta: Retratos
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
  • Assis Horta: Retratos
    Assis Horta: Retratos
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
  • Assis Horta: Retratos
    Foto: Assis Horta. Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
  • Assis Horta: Retratos
    Assis Horta: Retratos
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
  • Assis Horta: Retratos
    Assis Horta: Retratos
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
  • Assis Horta: Retratos
    Assis Horta: Retratos
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
  • Assis Horta: Retratos
    Assis Horta: Retratos
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta
    Foto: Assis Horta / Pesquisa e curadoria: Guilherme Horta

 


Escrito por Angélica Paulo

Angélica Paulo

Jornalista, formada pela Faculdade da Cidade, passou pelas redações dos jornais do Brasil, O Dia e do site G1. Trabalhou como assessora de Imprensa na Secretaria de Turismo da Prefeitura do Rio e como gerente de conteúdo na agência CasaDigital e na FSB Assessoria

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