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Hora da colheita: guaraná da Amazônia leva emprego, renda e prosperidade para famílias de agricultores locais

Na Amazônia, diversas gerações se dedicam ao plantio do fruto, um orgulho nacional

© by (Foto: Bruno Zanardo)

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(Reportagem publicada originalmente no Coca-Cola Journey

Conhecida como a princesinha do Baixo Amazonas, Urucará pode até ter em seu nome referência a um tubérculo — o cará, que é semelhante ao inhame. Mas, no município de pouco mais de 16 mil habitantes, é o guaraná que enche as cestas de centenas de habitantes que vivem da agricultura familiar. A colheita do fruto torna-se uma das principais atividades da região de outubro até meados de janeiro. É época de ver o resultado de meses dedicados ao cultivo. São essas famílias que vivem aqui e em outros onze municípios amazonenses as responsáveis por boa parte do fornecimento do guaraná usado nos produtos da Coca-Cola Brasil. Por trás das latinhas e PETs de Kuat, Fanta Guaraná, Taí, Jesus, Simba, Charrua e Tuchaua e Tuchaua Champ — todos com guaraná 100% do Amazonas — existem gerações que se dedicam ao plantio do fruto, um orgulho nacional.

O caminho entre Manaus, a capital do estado do Amazonas, até Urucará é longo. São 350 quilômetros de rodovia até a cidade de Itapiranga e, depois, mais 1 hora e 20 minutos de barco. Mas a jornada é logo recompensada: cercado pelo Rio Uatumã, o município é rodeado pela Floresta Amazônica. E ao adentrar a zona rural, os guaranazais enfeitam a paisagem. As plantações são mantidas por centenas de moradores da região. Conheça suas histórias.

Rosiene trabalha há 15 anos com o cultivo do guaraná (Foto: Bruno Zanardo)
Rosiene trabalha há 15 anos com o cultivo do guaraná (Foto: Bruno Zanardo)

Família Fonseca: frutinho de pais para filho

Casados há mais de duas décadas, Rosiene, 44 anos, e Antônio Carlos Fonseca, 48, comandam os trabalhos na Fazenda Piloto, a 14 quilômetros do Centro de Urucará. A rotina do casal começa bem cedinho na época da colheita. Às 4h, a agricultora paraense já está de pé para preparar a comida que servirá de alimento durante o dia de trabalho na propriedade. Só retorna para casa após às 18h. “É uma trabalheira, mas quando termina dá saudade. Eu digo para vocês, o guaraná é uma coisa muito significativa para a minha vida”, conta Rosiene, que está na lida da cultura do fruto há 15 anos. Com a renda proveniente do trabalho, o casal conseguiu educar as filhas, reformar a casa e colocar um carro na garagem. “São três, quatro meses que dão resultado. É desse frutinho aqui que a gente tira o sustento da família”, ela diz, orgulhosa, ao segurar uma semente.

Antônio Carlos, de 48 anos, herdou do pai a paixão pelo guaraná (Foto: Bruno Zanardo)
Antônio Carlos, de 48 anos, herdou do pai a paixão pelo guaraná (Foto:
Bruno Zanardo)

Já Antônio, filho de agricultor, não só seguiu os passos do pai como ajudou a fundar a Cooperativa Agrofrut de Urucará, há 17 anos. Atualmente, a associação reúne 66 produtores familiares de guaraná e, entre outras realizações, faz a capacitação técnica dos trabalhadores e incentiva práticas sustentáveis de produção. Presidente há 11 anos da Agrofrut, Antônio chega a se emocionar quando fala sobre os impactos do projeto. “Eu via o produtor com uma camisa velhinha, uma sandália velhinha, e meu sonho era colocá-lo no mesmo nível das outras pessoas que estão fora da roça. Que os filhos deles pudessem ir para a cidade sem o preconceito que eu já sofri. Que as oportunidades fossem as mesmas. Estamos chegando lá”, diz.

Em Urucará, guaraná enche as cestas de centenas de habitantes que vivem da agricultura familiar (Foto: Bruno Zanardo)
Em Urucará, guaraná enche as cestas de centenas de habitantes que vivem da agricultura familiar (Foto: Bruno Zanardo)

No ano passado, das terras urucaraenses, por intermédio da cooperativa, saíram 25 toneladas de guaraná para a produção da Coca-Cola Brasil. A companhia faz um trabalho de longo prazo, contínuo e bem próximo da associação e dos agricultores, incentivando a produtividade e as boas práticas agrícolas. “Com a parceria da Coca-Cola Brasil, que vem desde 2008, temos a garantia de mercado — uma segurança para os produtores trabalharem durante os outros meses — e temos a garantia de preço. Recebemos visita técnica da equipe da empresa antes, durante e após a safra”, afirma Antônio. A cooperativa é certificada como produtora orgânica pelo IBD (Associação de Certificação Instituto Biodinâmico) e também exporta para países como Alemanha e França.

Filho de seu Concha e dona Cristina, Cristovane segue os passos dos pais e sonha com seu próprio terreno (Foto: Bruno Zanardo)
Filho de seu Concha e dona Cristina, Cristovane segue os passos dos pais e sonha com seu próprio terreno (Foto: Bruno Zanardo)

Família Monteiro: o ‘homem do guaraná’

A poucos quilômetros da Fazenda Piloto, chega-se à Colônia Boa Esperança, que em época de colheita se torna o endereço da família Monteiro. Por lá, Conceição, de 63 anos, é conhecido como o “homem do guaraná”. O apelido pode ser explicado em números: seus 2 mil guaranazeiros produzem 1,7 tonelada de fruto. Quantidade que nem de longe lembra os 64 pés plantados inicialmente em toda a comunidade. Neste ano, a propriedade administrada por Seu Concha — como também é carinhosamente chamado – e sua esposa, Cristina, de 53 anos, ganhou uma nova cara com a construção de uma Casa de Beneficiamento. O local funciona como destino do guaraná logo após a colheita. O trabalho, que era praticamente todo artesanal, agora começa a se modernizar, gerando mais produtividade e economia.

Na propriedade da família de seu Concha e dona Cristina, localizada na Colônia Boa Esperança, são mais de 2 mil pés de guaraná (Foto: Bruno Zanardo)
Na propriedade da família de seu Concha e dona Cristina, localizada na Colônia Boa Esperança, são mais de 2 mil pés de guaraná (Foto: Bruno Zanardo)

No beneficiamento, primeiramente o fruto passa por uma despolpadeira para a retira do arilo — a parte branca do guaraná — e da casca, usada depois como adubo. Depois de lavados, os grãos são expostos ao sol por cerca de duas horas. A torrefação vem em seguida. É o momento em que o guaraná é torrado em fornos de barro ou tachos de ferro antes de ser colocado nos sacos e levado para a cooperativa. Até o ano passado, esse último processo era feito manualmente pela família. “A gente ficava praticamente oito horas para torrar 50 kg de guaraná. Conseguimos comprar a máquina e agora gastamos cinco horas e não precisamos ficar mexendo o dia todo. É tudo automático. Melhorou 100% nossa vida”, comemora Seu Concha. “Sobra até um tempinho para ver televisão”, brinca Cristina, com as mãos amareladas por causa do contato com o fruto.

“Quando vou para a manicure todo mundo já sabe que chegou a colheita. Tenho muito orgulho de ver essa mão assim, sabe? Sinal que o trabalho está dando resultado. A esperança é melhorar ainda mais”.

Após a colheita, guaraná passa por uma despolpadeira para a retira do arilo — a parte branca — e da casca (Foto: Bruno Zanardo)
Após a colheita, guaraná passa por uma despolpadeira para a retira do arilo — a parte branca — e da casca (Foto: Bruno Zanardo)

‘Guaraná, o Papai Noel do Amazonas’

A prosperidade das famílias é acompanhada de perto por João Carlos Santos, agrônomo e especialista em agricultura para o Amazonas da Coca-Cola Brasil. “Talvez os consumidores de bebidas de guaraná não tenham essa sensação ao tomar um gole de refrigerante, mas esse simples gole traz felicidade para muitas famílias. Quando vou à casa dos produtores tomar um café, vejo o  crescimento que a atividade traz: vejo a cozinha toda feita de cerâmica, vejo os filhos estudando, a motocicleta na varanda, o sorriso das famílias com seus utensílios”.

Em uma das etapas do processo de produção, frutos são lavados (Foto: Bruno Zanardo)
Em uma das etapas do processo de produção, frutos são lavados (Foto: Bruno Zanardo)

Quando vou à casa dos produtores tomar um café, vejo o  crescimento que a atividade traz

A Coca-Cola Brasil atua há quase 30 anos no Amazonas com a Recofarma, fabricante de concentrados em Manaus. O guaraná que sai das terras do Seu Concha, da Dona Rosiene e de tantas outras famílias, vai para todo Brasil e exportado para cinco países da América Latina através dos produtos da companhia: Uruguai, Paraguai, Colômbia, Venezuela e Bolívia. Um trabalho que vai muito além das relações comerciais. Com o programa Olhos da Floresta, criado em parceria com a ONG Imaflora, em 2016, a Coca-Cola Brasil incentiva a agricultura familiar e a cadeia do guaraná no Amazonas, levando oportunidades de inclusão social, geração de renda e uso racional dos recursos naturais.

O guaraná é torrado para depois ser ensacado e entregue para a Cooperativa de Urucará (Foto: Bruno Zanardo)
O guaraná é torrado para depois ser ensacado e entregue para a Cooperativa de Urucará (Foto: Bruno Zanardo)

“O Papai Noel de Urucará é uma planta de guaraná, pois, quando chega a colheita, chegam os resultados do ano. Aí é muita alegria! Afinal, os produtores sabem que a vida está garantida. Até o Natal aqui é celebrado com uma bebida geladinha de guaraná na mesa”, garante João Carlos.

‘Dá vontade de passar o dia inteiro, ainda mais quando tem muito, né?’, compartilha Dona Maria em meio aos pés de guaraná (Foto: Bruno Zanardo)
‘Dá vontade de passar o dia inteiro, ainda mais quando tem muito, né?’, compartilha Dona Maria em meio aos pés de guaraná (Foto: Bruno Zanardo)

E até quem não tem guaraná em suas terras sai ganhando. Com o aumento da produtividade, muitas famílias geram emprego. É o caso da Maria Trindade, de 54 anos, que contratou três funcionários para o período. Mesmo com o reforço, ela não abre mão de estar durante todo o dia na colheita. “Se eu pudesse morar aqui no guaranazal seria melhor ainda. Dá vontade de passar o dia inteiro, ainda mais quando tem muito, né? Essa semente aqui, esse olho do guaraná, está sempre olhando pra gente. Dá vontade de não parar mais de colher”.

 

COCA-COLA BRASIL

 

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Escrito por Yuri Fernandes

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora, é mineiro de Ipatinga. Sempre sonhou em morar no Rio de Janeiro e realizou seu desejo em 2014 ao passar para o programa de estágio da TV Globo. Trabalhou nas redações do "Bom Dia Brasil", do "Jornal Nacional" e do "EGO". Tem grande interesse em pautas de inclusão social e diversidade de gênero. Acredita que o jornalismo pode e deve ser usado como forma de combater a opressão a minorias. Cresceu vendo novelas e sempre manteve essa paixão viva.

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