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Data centers, devoradores de energia

Uso vai triplicar na próxima década e aumentar riscos do aquecimento global


A Apple, se comprometeu a alimentar o iCloud apenas com energia renovável
A Apple, se comprometeu a alimentar o iCloud apenas com energia renovável

O que gasta mais eletricidade: o iPhone em seu bolso ou a geladeira na cozinha? Acredite: o iPhone. De acordo com o Digital Power Group, uma geladeira sem selo de baixo consumo utiliza 322 kWh por ano. O iPhone, contando conexões sem fio, uso de dados e carga da bateria, consome 361 kWh por ano.

Dez anos atrás o consumo era desprezível. Hoje, são 3 por cento da oferta mundial de eletricidade e cerca de 2 por cento das emissões totais de gases de efeito estufa, mais ou menos as do setor de aviação. E o consumo dobra a cada quatro anos.

Estamos falando apenas de uma marca de telefone, e não de notebooks, tablets, desktops e, claro, os data centers, conjuntos de milhares de servidores destinados a trafegar e processar todos os dados deles, bilhões de gigabytes de informação.

Você pode estar usando Facebook, Instagram, Snapchat. Qualquer um deles exige uma quantidade imensa de dados armazenados em algum lugar. O que não seria um problema se estas atividades não consumissem tanta energia.

Dez anos atrás o consumo era desprezível. Hoje, são 3 por cento da oferta mundial de eletricidade e cerca de 2 por cento das emissões totais de gases de efeito estufa, mais ou menos as do setor de aviação. E o consumo dobra a cada quatro anos. E poderá, mesmo, ser equivalente a toda a produção de eletricidade do Japão em 2030, mantidas estas taxas de crescimento.

O nosso mundo online utiliza 1.500 terawatts-hora de energia por ano. Isto é mais ou menos a produção combinada de Alemanha e do Japão. É a mesma quantidade de energia que usávamos para iluminar todo o planeta em 1985.

Apenas um e-mail curto joga 4 gramas de CO2 na atmosfera. Mandar 65 deles equivale a dirigir um carro por um quilômetro. Coloque um anexo e a mensagem chega a 50 gramas de CO2m Cinco deles é como queimar 129 gramas de carvão. Spams são como as emissões de 3.1 milhões de passageiros gastando 7.6 bilhões de litros de gasolina por ano.

O que as grandes empresas do setor estão fazendo? Aumentando a eficiência no uso de energia e tentando comprá-la de produtores de fontes alternativas. Mas a eficiência tem um limite. É possível uma redução de 40% no consumo, mas há uma barreira de custos e a preocupação dos técnicos de que medidas agressivas podem acabar impactando o tempo de processamento.

Quanto à troca de fornecedores, pressionados por organizações ambientais, gigantes como Amazon, Google, Apple e Facebook já exibem melhores credenciais que há dois anos. A Apple, por exemplo, se comprometeu a alimentar o iCloud apenas com energia renovável. O novo data center do Facebook em Iowa, usa exclusivamente energia eólica.

Não há o que você possa fazer como consumidor individual da internet. Afinal, não dá para pedir que você saia do Facebook, Twitter, pare de ouvir suas músicas ou mande menos e-mails. Não há também aqui um grupo de pressão como o Greenpeace, que produz desde 2012 um relatório anual sobre os impactos da vida online no ambiente – ninguém tem a mais vaga ideia de quanto consomem os data centers de grandes provedores nacionais.


Escrito por José Eduardo Mendonça

É jornalista, com passagens por publicações como Exame, Gazeta Mercantil, Folha de São Paulo, e criador da revista Bizz e do suplemento Folha Informática. Vem nos últimos anos se dedicando aos temas ligados à sustentabilidade e foi pioneiro ao fazer, para o Jornal da Tarde, em 1976, uma série de matérias sobre energia limpa.

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