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Guerrilha contra Trump

Grupos se unem para salvar dados sobre mudanças climáticas antes que desapareçam dos sites do governo


Manifestantes protestam na Bélgica contra a política ambiental dos EUA. Foto de Alexandros Michailidis / SOOC
Manifestantes protestam na Bélgica contra a política ambiental dos EUA. Foto de Alexandros Michailidis / SOOC

(Morgan Currie e Britt S. Paris*) – No dia da posse de Donald Trump, um grupo de estudantes, pesquisadores e bibliotecários se reuniu num edifício na área norte da Universidade da Califórnia, campus de Los Angeles. Eles se organizaram num protesto contra o novo governo dos EUA. Mas, em vez de fazer passeatas, os participantes estavam ali para aprender como “colher”, “semear”, “raspar” e, em última análise, arquivar websites e dados relacionados à mudança climática.

A necessidade desse trabalho rapidamente se tornou palpável. Horas após a posse de Trump, declarações oficiais sobre mudanças climáticas antropogênicas, ou decorrentes da ação humana, desapareceram dos websites do governo, incluindo whitehouse.gov e o da Environmental Protection Agency (EPA).

Esses workshops enfrentam os reais riscos que o governo Trump apresenta, não só às modestas metas de proteção climática estabelecidas pela comunidade internacional nos últimos 40 anos, mas aos esforços científicos para investigar como os humanos estão transformando o planeta

O evento na UCLA foi uma das várias missões de “salvamento de dados” que brotaram em todos os EUA, supervisionadas pela Environmental Data Governance Iniciative, rede internacional focada nas ameaças ao meio ambiente e à política energética federal, e pela University of Pennsylvania’s Program for Environmental Humanities.

Esses workshops enfrentam os reais riscos que o governo Trump apresenta, não só às modestas metas de proteção climática estabelecidas pela comunidade internacional nos últimos 40 anos, mas aos esforços científicos para investigar como os humanos estão transformando o planeta.

Michelle Murphy, Patrick Keilty e Matt Prisce, da Universidade de Toronto, que lançaram a primeira missão de salvamento, em dezembro, denominaram este tipo de ativismo “arquivamento de guerrilha”. Espelhar a web, semear e arranhar se juntaram assim a uma série de outras táticas de arquivamento de guerrilha, como contrabando no meio da noite, resgate de histórias orais marginalizadas e coleções de zines guardadas em porões.

No evento da UCLA, por exemplo, o foco foi em semear, ou identificar páginas no website do Departamento de Energia para o End of Term Project, arquivo do site .gov usado durante transições presidenciais. O Arquivo da Internet usa um programa que vasculha sistematicamente a rede para criar um índice de dados. Com isto, ele replica páginas na web.

Ao tratar dados científicos do governo como utilidade pública, os “guerrilheiros” criam condições para a resistência política da comunidade. Eventos de resgate de dados continuam a emergir em todo os EUA, trabalhando para evitar o desaparecimento de valiosas informações sobre mudanças climáticas.

John Donovan, pesquisador da UCLA e um dos que usaram a palavra naquela ocasião, sustenta que esse trabalho deve ser visto como um pequeno raio de esperança:

– A questão sobre o que podemos fazer, neste governo hostil à mudança climática, tem uma resposta relativamente modesta: pequenas intervenções com grandes intenções.

(*) Morgan Currie, Woodbury Unversity, UCLA e Britt S. Paris, Ph.D. em Estudos da Informação, UCLA.

Tradução: Trajano de Moraes


Escrito por The Conversation

The Conversation

The Conversation é uma fonte independente de notícias, opiniões e pesquisas da comunidade acadêmica internacional.

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