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Salve o compositor popular!

Bloco na rua, hora de desarrumar, provocar, debochar, zoar e se divertir muito


(Texto de Cristina Chacel) – Para tudo que é carnaval. O carioca mais desiludido sai do armário e desencanta. Vai pra rua, atrás dos muitos cordões que fazem da cidade um caldeirão de irreverência e impertinência. Um encontro de devires efervescentes, encarnações inesperadas, identidades desdobradas. Blocos transbordam gente. A ordem é desarrumar, provocar, criticar, debochar, zoar. E se este ano não será igual àquele que passou, muito se deve a artistas quase anônimos, intérpretes acidentais, incidentais e casuais da fuzarca. Os compositores dos blocos de rua.

Nas escolas de samba eles são autoridade. Reúnem-se em alas reverenciadas em suas respectivas comunidades. Nos blocos, o enredo, o tema, um samba novo e próprio, são coisa relativamente nova, não mais que 20 anos. Mas já rendeu uma geração de músicos que todos os anos compõem sambas e disputam representar um ou mais blocos nas ruas da cidade. São eles os donos da palavra transviada, intérpretes do tempo que corre, do risco e do riso. Discretos, elegantes, criativos, risonhos e generosos como Tomás Miranda, Rodrigo Alves, Marcelo Camargo, Djalma Junior, Thiago Prata e Jorge Sapias. Com eles, homenageamos os compositores do carnaval de rua, tradição de amor, liberdade e alegria, cultura na veia, fonte de coragem e resistência para enfrentar ciclos de vacas magras e paixões tristes.


Escrito por Custodio Coimbra

Custodio Coimbra

Fotógrafo de imprensa há 36 anos, Custodio Coimbra, 61 anos, passou pelos principais jornais do Rio e há 25 anos trabalha no jornal O Globo. Nascido no Rio de Janeiro, é hoje um artista requisitado entre colecionadores do mercado de fotografia de arte. Além de fotos divulgadas em jornais e revistas mundo afora, participou de dezenas de mostras coletivas no Brasil e no exterior. Tem sua obra identificada com a história e a paisagem do Rio de Janeiro.

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